Dica de leitura: 6 passos para mudar sua dieta (e seu peso)

Hoje darei uma dica de leitura útil para todos, mas essencial para aqueles que estão começando a dieta primal/paleo, e que desejam perder peso!

Este é um excelente artigo do site musculação-pt, de Portugal (as diferenças na escrita são sutis, dá pra ler tranqüilamente) e fala sobre como iniciar e aperfeiçoar sua alimentação! Não deixe de ler.

Faço apenas duas ressalvas quanto ao que ele recomenda: 1) não limite seu consumo de frango e porco, apenas busque pelas variações orgânicas deles. 2) não é necessário eliminar o consumo de feijão, apenas coma com moderação. Em breve farei um post explicando mais sobre o feijão.

http://www.musculacao-pt.net/a-dieta-paleo-em-seis-passos-faceis-um-guia-motivacional/

Espero que gostem!

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Vale a pena conhecer…

Estes são alguns dos defensores da dieta Primal, bastante conhecidos nos EUA.  Achei que seria interessante apresentá-los à vocês…

Mark Sisson

Biólogo e criador do site Mark Daily Apple, o site Primal mais visitado dos EUA.

Escreveu o livro Primal Blueprint e recentemente, o 21 day – total body transformation, ambos podem ser comprados clicando aqui ou clicando nas imagens na barra lateral do nosso blog. Uma pessoa excepcional pela sua história de determinação e superação.

Segue um pouco da sua história contada por ele mesmo:

 Minha mãe sempre esteve interessada em alcançar plena saúde por meio de nutrição, então desde pequeno eu comecei a devorar livros sobre nutrição e saúde. Eu era um excelente atleta de cross-country e eventos de longa distancia  no colégio e na faculdade de Williams, onde recebi meu diploma de biologia. De fato minha performance como corredor estava indo tão bem depois da faculdade, que eu decidi postergar meu início da faculdade de medicina e me concentrar na carreira de corredor. Eu treinei seriamente para a maratona por mais 5 anos, atingindo facilmente a marca de 160 km por semana de treino. O esforço fez com que eu chegasse entre os 5 primeiros na Maratona Nacional dos EUA e em um lugar garantido para as Olimpíadas de 1980 nos EUA. Infelizmente, nessa época, devido ao meu esforço sobrehumano em quantidades imensas de treino, eu acabei ficando doente e lesionado. (Nota: muito exercício não é bom). De fato, em meu ultimo ano de competição como um atleta de classe mundial e extremamente “fit” eu passei por 8 infeccoes respiratórias! Claramente eu estava destruindo meu sistema imunológico, meus tendões e ligamentos fazendo tantos exercícios. Foi a partir desse momento que eu comecei a explorar a nutrição e suplementação como uma forma de melhorar minha performance para que pudesse curar meu corpo lesionado e melhorar meu sistema imunológico.

Dr. Loren Cordain

Dr. Cordain recebeu seu diploma de doutorado em saúde pela universidade de Utah em 1981 e desde então tem sido professor no Departamento de Saúde e Ciência do Exercício na Universidade do Estado de Colorado.

Teve inúmeras aparições na NBC, na capa do Jornal de Wall Street e do The New York Times. Dr Loren Cordain é reconhecido internacionalmente como um dos experts na dieta natural de nossos ancestrais da idade da pedra. Ele é o autor de mais de 100 artigos científicos. Sua pesquisa sobre benefícios da dieta dos homens paleolíticos para nós, paleolíticos modernos, tem aparecido em destaque nos jornais científicos, incluindo o  American Journal of Clinical Nutrition, o British Journal of Nutrition, e o European Journal of Clinical Nutrition, entre outros. O livro mais popular de Dr Cordain é o The Paleo  Diet (A dieta paleolítica), que tem sido muito aclamado pela comunidade cientifica. Seu próximo livro foi The Paleo Diet for Athletes (a dieta paleolítica para atletas), que foi publicado em outubro de 2005, trata de como a Dieta Paleolítica pode ser modificada para atletas de alta performance. Seu último livro foi The Dietary Cure for Acne (A cura da acne por meio da dieta), que está disponível em seu site em forma de Ebook.

 

Gary Taubes

Ele é o autor de Nobel Dreams (1987), (Sonhos Nobel) Bad Science: The Short Life and Weird Times of Cold Fusion (1993) (Ciência Ruim: A vida curta e tempos estranhos de fusão fria) e Good Calories, Bad Calories (2007) (Calorias Boas, Calorias Más), com o subtítulo de The Diet Delusion (2008) (A ilusão das dietas) no Reino Unido e na Austrália. Seu livroWhy We Get Fat: And What to Do About It (Porque engordamos: e o que fazer sobre isso) foi lançado em dezembro de 2010.

Nasceu em Rochester, New York, Gary estudou Física Aplicada na Universidade de Harvard e Engenharia Aeroespacial na Faculdade de Stanford (1978). Após receber um diploma de mestre em jornalismo pela universidade de Columbia em 1981, Gary trabalho para a revista Discover como um jornalista em 1982. Desde então tem escrito inúmeros artigos para a revista  Discover, Science e outras revistas. Originalmente focado em questões físicas, seu interesse nos últimos 10 anos tem mudado para medicina e nutrição.

 

Dr. Atkins

Atkins foi o principal fundadores da dieta low carb (baixa em carboidratos) nos EUA. Ele fundou o centro Atikins de medicina complementar em Manhattan, que teve 87 empregados em 1987 e onde foram tratados mais de 50.000 pacientes. Ele fundou Atkins Nutritionals (Centro nutricional Atkins) em 1998 para promover sua dieta de baixo teor de carboidratos, que gerou uma receita de mais de 100 milhoes de dólares. Ele é o autor de diversos Best Sellers como Atkins’ New Diet Revolution (A revolução da nova dieta de Atkins) em 1992, que vendeu mais de 15 milhoes de cópias, entrando na lista de livros mais vendidos da história (Por incrível que pareça,  ele é sequer mencionado aqui no Brasil) e passou mais de 5 anos na lista de mais vendidos do New York Times.

Autor de dezenas de livros:

  • Atkins, Robert C. The Essential Atkins for Life Kit: The Next Level Pan Macmillan, 2003. ISBN 0-330-43250-8
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Diet Planner M. Evans and Company, 2003 | Vermilion, 2003. ISBN 0-09-189877-3
  • Atkins, Robert C. Atkins for Life: The Next Level New York: St. Martin’s Press, 2003. ISBN 1-4050-2110-1
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ New Diet Revolution New York: Avon Books, 2002. ISBN 0-06-001203-X. | Vermilion, 2003. ISBN 0-09-188948-0
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ New Diet Revolution M. Evans and Company, 2002.
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Age-Defying Diet St. Martin’s Press, 2001, 2002
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Vita-Nutrient Solution: Nature’s Answers to Drugs Simon and Schuster, 1997
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Quick & Easy New Diet Cookbook Simon and Schuster, 1997
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ New Carbohydrate Gram Counter. New York: M. Evans and Company, 1996. ISBN 0-87131-815-6
  • Atkins, Robert C, Gare, Fran Dr. Atkins’ New Diet Cookbook M. Evans and Company, 1994 | Vermilion, 2003. ISBN 0-09-188946-4
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ New Diet Revolution M. Evans and Company, 1992
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Health Revolution Houghton Mifflin, 1988
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Nutrition Breakthrough Bantam, 1981
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ SuperEnergy Diet Cookbook Signet, 1978
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ SuperEnergy Diet Bantam, 1978
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Diet Cookbook Bantam, 1974
  • Atkins, Robert C. Dr. Atkins’ Diet Revolution Bantam, 1972

Quanta carne nossos ancestrais comiam?

 Hoje vamos falar sobre a alimentação dos nossos ancestrais! O estudo feito pelo Dr. Loren Cordain, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, contribuiu para a construção de um Atlas Etnográfico sobre as sociedades caçadoras-coletoras e seu respectivo consumo de fontes de alimento animal versus fontes vegetais. Em média, dentre as 229 sociedades tradicionais pesquisadas, a dieta consiste de 55% a 65% de fontes derivadas de animais vs. 25% a 35% de fontes vegetais. Mais de 73% da dieta das sociedades tradicionais consiste em mais de 50% de fontes de alimentos animal, enquanto menos de 14% das sociedades tradicionais consomem menos de 50% de sua dieta de fontes animais.
 
Baseando-se na porcentagem de subsistência de alimentos de fonte animal vs. fonte vegetal foi possível estimar o conteúdo de ingestão de macronutrientes dessas dietas. Uma típica dieta tradicional consiste em um consumo de proteína em torno de 19% a 35% do total de energia consumida (calorias), sendo que o resto consiste principalmente em gordura (aproximadamente 50%) seguido de carboidratos (aproximadamente 25%). Nossa dieta ancestral, portanto, é classificada como além dos padrões da FDA (Food and Drug Administration – órgão que estabelece a quantidade diária recomendada de alimentos). Neste blog questionamos a validade sua recomendação e apoiamos o argumento de que uma dieta baixa em níveis de proteína e alta em carboidratos para a maioria das pessoas é nociva e tem implicações sérias para a saúde delas.
 
A dieta atual da maioria dos países ocidentais não corresponde a dieta dos nossos ancestrais dentro do contexto evolucionário, o qual tem moldado nossos genes a mais de 2 milhões de anos. Como resultado de inúmeras pesquisas antropológicas e epistemológicas(como esta) é possível concluir que quando o consumo de proteína é reestabelecido para o nível ao qual estamos geneticamente adaptados, a saúde em geral é reestabelecida, pois assim também reestabeleceríamos a proporção de gorduras em nossa dieta. Não obstante, quando o nível de proteína está além da faixa de 19% a 35% (o que é bem difícil para a maioria das pessoas, sendo que seria necessário consumir somente carnes magras o dia todo) ocorre o que é chamado “rabbit starvation”, quando morremos de fome devido à intoxicação por excesso de proteína em nossa dieta, como a própria expressão sugere (Morte por se alimentar somente de coelhos).
 
Tabela 1. Proporções de alimentos de fontes animais e vegetais da amostra de populações estudadas

 
Agora, alguns de vocês podem estar questionando se o fato de nossos ancestrais consumirem mais de 50% de alimentos de fonte animal é saudável. E a resposta para essa pergunta será explorada mais adiante em nossos próximos posts, onde traremos evidências  de que de fato somos mais saudáveis se consumirmos mais carnes, e por carnes eu quero dizer todas, principalmente as vermelhas e com maior teor de gorduras.
 
Hoje desejo à vocês uma bela carne suculenta para o almoço!
 
Somos brasileiros e ainda podemos gozar de prazeres saudáveis que somente encontramos aqui. Por exemplo, aquela belezinha que geralmente comemos no final de semana,em forma de churrasco… adivinha?!
 
Abraços.

Referências
 

  • Zhu RX, Potts R, Xie F. Hoffman KA, Deng CL, Shi CD, Pan YX, Wang HQ, Shi, RP, Wang YC, Shi GH, Wu NQ. New evidence on the
    earliest human presence at high northern latitudes in northeast Asia. Nature 2004; 431: 559–562.
  •  Leonard W.R, Robertson ML. Evolutionary perspectives on human nutrition: The influence of brain and body size on diet and
    metabolism. Am J Hum Biol 1994; 6: 77–88.
  • Pawlosky R., Barnes A., Salem, N. Essential fatty acid metabolism in the feline: Relationship between liver and brain production of long-chain polyunsaturated fatty acids. J Lipid Res 1994;35: 2032–2040.
  • Hussein N, Ah-Sing E, Wilkinson P, Leach C, Griffin BA, Millward DJ. Long-chain conversion of [13C] linoleic acid and alpha-linolenic acid in response to marked changes in their dietary intake in men. J Lipid Res. 2005 Feb;46(2):269-80.
  • Sturman JA, Hepner GW, Hofmann AF, Thomas PJ. Metabolism of [35S] taurine in man. J Nutr. 1975 Sep;105(9):1206-14.
  • Chesney RW, Helms RA, Christensen M, Budreau AM, Han X, Sturman JA. The role of taurine in infant nutrition. Adv Exp Med Biol.1998;442:463-76. 
  • Knopf K, Sturman JA, Armstrong M, Hayes KC. 1978. Taurine: An essential nutrient for the cat. J Nutr 1978;108: 773–778.
  • MacDonald ML, Rogers QR, Morris JG. Nutrition of the domestic cat, a mammalian carnivore. Annu Rev Nutr 1984; 4: 521–562.

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você (parte 2)

Na primeira parte deste post, vocês viram como foi criado o mito da gordura saturada e porque ela foi considerada prejudicial à saúde. Agora vamos mostrar as evidências que provam o contrário!
 
O estudo de Keys
 
No estudo dos 6 países realizado por Ancel Keys, os dados disponíveis dos outros 16 países foram ignorados, para que o a correlação que ele desejava obter fosse alcançada. Se ele tivesse escolhido outros 6 países, como apresentado nos quadros abaixo (tanto da esquerda como da direita) ele poderia ter demonstrado que quanto maior o percentual de gordura na dieta, menor o número de mortes por doenças cardíacas.
 

Observe os quadros da parte de baixo da figura. Keys não foi honesto em seus estudos...

 
Povos com o menor risco de doenças cardíacas – Massai, Inuit, Rendille e Tokelau
 
Massai – a dieta da tribo Massai, que vive no Quênia e nodeste da Tanzânia, consiste em carne, leite e sangue de gado, num total de 66% de gordura.
 
Inuit – os Inuit, esquimós do ártico, se alimentam basicamente de carne e gordura de baleia, que tem 75% de gordura e eles vivem vidas longas, livres de doenças cardíacas e câncer.
 
Rendille – a tribo Rendille, que vive no deserto de Kaisut, no nordeste do Quênia, se alimenta de leite e carne de camelo, e uma mistura de leite e sangue de camelo, conhecida como “banjo”. A dieta deles tem 63% de gordura.
 
Tokelau – eles vivem em três ilhas na Nova Zelândia e se alimentam basicamente de peixe e coco, com 60% de gordura.
 
(Ainda vamos falar mais sobre estas tribos aqui no blog, aguardem!)
 
 Além destas tribos, qualquer bebê alimentado com leite materno em qualquer país do mundo tem uma dieta alta em gordura saturada. O leite materno possui 54% de gordura saturada.
 
A dieta dos caçadores – coletores
  • consumiam grandes quantidades de alimentos de origem animal
  •  preferiam as partes mais gordurosas do animal (orgãos, lingua, cérebro e medula óssea)
  • pouca quantidade de carboidratos presentes nas plantas (sementes, nozes, tubérculos, raízes, frutas – nada de açúcares, grãos e leguminosas)
 Estas informações foram obtidas em um estudo realizado pelo Dr. Loren Cordain, publicado no American Journal of Clinical Nutrition. Este estudo é considerado como a maior e mais completa análise já feita sobre a dieta paleolítica dos caçadores-coletores. Os antropólogos avaliaram as dietas de 229 populações caçadoras-coletoras, que sobreviveram até o século 20 e que podem ser vistas como substitutas aos nossos ancestrais paleolíticos da idade da pedra.
 
Estes caçadores-coletores dos tempos modernos, quando conseguiam ter acesso, consumiam altas quantidades de alimentos de origem animal, que compunham de 85 a 100% da sua ingestão de calorias, como no caso dos Massai, Inuit e Rendille. Eles consumiam quase toda a carne animal, incluindo os orgãos, língua, medula óssea e cérebro. Outros animais carnívoros fazem a mesma coisa. Os leões, por exemplo, comem os orgãos e a gordura de suas presas, deixando a carne magra e musculosa para trás.
Já que os caçadores-coletores não praticavam a agricultura, eles não tinham milho, arroz ou trigo para se alimentarem. Eles só obtinham uma pequena quantidade de carboidratos por meio de plantas selvagens, sementes, nozes, raízes, tubérculos e frutas.
 

Café da manhã primal

 
A dieta humana ao longo da história
 
A era paleolítica ou idade da pedra, durou 2,5 milhões de anos, começando com o nosso ancestral humano Homo hablis e progredindo por várias espécies, até chegar à nossa, Homo sapiens, que existe há cerca de 200.000 anos.  
A era da agricultura começou há aproximadamente 10.000 anos atrás e, durante este tempo, por 500 gerações, o consumo de carboidratos foi aumento gradualmente. Mesmo assim, no começo da revolução industrial, há 250 anos atrás, o consumo de açúcar ainda era 1/50 do que é hoje. Agora nós estamos consumindo uma quantidade enorme de carboidratos em grãos, derivados do leite, bebidas, açúcares refinados, balas e outros doces, isso tudo junto com óleos vegetais processados e molhos prontos que não existiam na nossa dieta durante 99,9% da nossa história como seres humanos. Durante este período, o genoma humano se tornou adaptado a seguir uma dieta com altas quantidades de gordura e pequenas quantidades de carboidratos. Ainda assim, as autoridades atuais sobre saúde nos dizem para fazer o oposto e seguir uma dieta pobre em gorduras e rica em carboidratos. Não é à toa que as taxas de obesidade crescem tanto.
 
Framingham Study
 
Impossível não comentar sobre as envidências encontradas no maior estudo já realizado com o intuito de descobrir as causas de doenças cardíacas (já falei sobre ele aqui). Em 1987, os pesquisadores do Framingham Study publicaram estas duas conclusões no renomado Journal of the American Medical Association: 1) Acima de 50 anos, não há aumento na taxa de mortalidade por doenças cardíacas tanto em pessoas com alto teor de colesterol no sangue, quanto em pessoas com baixo teor de colesterol no sangue; 2) Em pessoas com um nível de colesterol decrescente, para cada 1% de queda no colesterol houve um aumento de 11% na taxa de mortalidade para os próximos 18 anos.
Depois, em 1992, nos Archives of Internal Medicine, o terceiro diretor do estudo (o estudo começou em 1948 e é realizado até hoje), Dr. William Castelli declarou: “Neste estudo, quanto mais gordura saturada, mais colesterol e mais calorias alguém consome, menor é o nível de colesterol no sangue desta pessoa (…) nós descobrimos que as pessoas que consumiam mais colesterol também consumiam mais gordura saturada, mais calorias, pesavam menos e eram mais ativas fisicamente”.
 
A maioria dos médicos nunca ouviu falar sobre estas descobertas porque, basicamente, as organizações médicas como a American Heart Association, agências do governo e a indústria farmacêutica simplesmente ignoram estes acontecimentos. Afinal, receitar medicamentos para reduzir o colesterol é uma indústria que movimenta U$ 25 bilhões por ano.
 
Gordura saturada e doenças cardíacas
 
 
 
 A figura acima mostra uma correlação inversa entre o consumo de carne vermelha e a taxa de doenças cardíacas. Países com o menor consumo de gordura saturada tem as maiores taxas de doenças cardíacas. Georgia, Tadjisquistão, Azerbaijão, Moldávia, Croácia, Macedônia e Ucrânia (quadro de cima na figura) tem um consumo de gordura saturada menor que  7,5% do total de calorias, que é exatamente o recomendado pela USDA, a nossa Pirâmide Alimentar e a American Heart Association. No entanto, as suas taxas de mortalidade por doenças cardíacas é bastante alta. Austria, Finlândia, Bélgica, Islândia, Holanda, Suíça e França (quadro de baixo na figura) tem os maiores níveis de gordura saturada em suas dietas e as menores taxas de doenças cardíacas. A França, que tem o maior consumo de gordura saturada tem a menor taxa de morte por doenças cardíacas dentro destes 14 países.
 
Por que a gordura saturada é boa para nós?
 
A importância biológica da gordura saturada
 
Existe uma razão para que o leite materno tenha 54% de gordura saturada. As membranas celulares precisam de ácidos gordurosos  para funcionar corretamente e se tornarem “à prova d’água”. O coração prefere a gordura saturada de cadeia longa, com 16 átomos de carbono (ácido palmítico) e de 18 carbonos (ácido esteárico) para o obter energia. Os ossos precisam da gordura para assimilar o cálcio efetivamente. Ela protege o fígado dos efeitos adversos do álcool e medicamentos como Tylenol. O sufactante pulmonar é composto inteiramente do ácido plamítico, e quando este é presente em quantidades suficientes, pode prevenir asma e outros distúrbios respiratórios. As gorduras saturadas funcionam como sinalizadores para a produção de hormônios. Ela tem um papel importante no sistema imunológico porque incentivam as glóbulos brancos no sangue a destruírem bactérias invasivas, vírus e fungos e a combaterem tumores. E oa ácidos de cadeia média matam bactérias e o fungo candida. Gorduras saturadas também enviam sinais de saciedade, então você para de comer porque se sente satisfeito, perde gordura e mantém um peso normal. E, o mais importante, comer gordura saturada reduz o consumo de carboidratos e óleos vegetais que prejudicam a sua saúde.
 
Manteiga x Doenças
 
Para finalizar, deixo vocês refletindo sobre o gráfico abaixo. Chega de acreditar na propaganda daquela “margarina amiga do coração”. Chega do combo peito-de-frango-grelhado-e-alface. Traga a picanha, a manteiga, o óleo de coco de volta para a sua vida  e seja magra (ou magro), feliz e saudável!!
 

Linha amarela: consumo de manteiga. Linhas vermelha e rosa: Doenças cardíacas e câncer, respectivamente.

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você! (parte 1)

Sim, você leu certo. Eu disse neste post que ia começar a dar detalhes sobre a alimentação Primal, e decidi começar com um dos temas mais importantes e também mais polêmicos. Isso porque, nos últimos anos, a gordura (em especial a saturada) tem sido apontada como o vilão para a sua saúde e para a sua dieta. Se você já leu alguns dos meus posts aqui no primal brasil, já sabe que nada disso é fundamentado. Mas hoje vamos saber um pouco mais porque a gordura é tão essencial para nós.

Primeiro, vamos começar classificando os tipos de gordura:

Gordura Saturada

É classificada desta maneira por não possuir ligação dupla nos átomos de carbono de sua composição química, saturando, assim, os ácidos graxos (gordos) com átomos de hidrogênio. Ela ocorre de forma natural nos animais.

Presente na gordura animal, carne, ovos, manteiga e queijos. Também encontrada no óleo de coco e óleo de palma.

 Gordura Monoinsaturada

São ácidos graxos com uma ligação dupla entre carbonos em suas moléculas.

Presente no azeite de oliva e abacate.

 Gordura Poliinsaturada

É um ácido graxo com mais de duas ligações duplas entre carbonos nas suas moléculas. Os ácidos graxos ômega 6 são ácidos carboxílicos poliinsaturados, em que a dupla ligação está no sexto carbono a partir da extremidade, nos ácidos ômega 3, a dupla ligação está no terceiro carbono.

Omega 6: óleos vegetais (óleo de soja, de milho, de canola, de girassol) e amendoim.

Omega 3: óleo de peixe e peixes de água fria.

  Gordura Trans

Os átomos de hidrogênio ficam em lados opostos da cadeia, ao contrário das outras gorduras

São considerados especiais devido à sua conformação estrutural. Nos ácidos graxos cis, que é como geralmente são encontrados os ácidos graxos na natureza, as cadeias de carbono vizinhas à dupla ligação encontram-se do mesmo lado e nos ácidos graxos trans as cadeias se encontram alinhadas.

Presente na margarina, produtos industrializados, salgadinhos e bolachas recheadas.

Muito bem, agora que você já conhece melhor os tipos de gordura existentes, resta saber qual o impacto de tudo isso na sua vida. Por que algumas gorduras são consideradas boas e outras más? Qual a verdade sobre esse assunto? Vamos começar com um pouco de história…

Há cem anos atrás, menos de 1% da população americana era obesa e doenças cardíacas eram desconhecidas. As principais causas de morte eram pneumonia, diarréia e tuberculose. Hoje, as duas causas de morte mais comuns são doenças cardíacas e câncer, responsáveis por 75% das mortes no país.

1911 – Procter & Gamble lança no mercado o Crisco, um produto derivado de semente de algodão, sendo o primeiro produto com gordura trans a ser comercializado. A empresa começou a promover este novo produto e a partir de então, os óleos vegetais foram gradualmente substituindo a manteiga e banha de porco (gordura saturada) no dia a dia das pessoas.

1913 – um fisiologista russo começa a alimentar coelhos com alimentos com alta dose de colesterol, causando aterosclerose nos pequenos animais. (Claro, coelhos são vegetarianos e não tem capacidade para digerir gordura animal, ao contrário dos homo sapiens aqui. Malditos russos!) É lançado o mito do colesterol.

1953 – Ancel Keys publica o famoso estudo dos seis países, que correlaciona as mortes de doenças cardíacas com a porcentagem de gordura na dieta. Como eu já disse aqui, dos 22 países com dados disponíveis, Ancel selecionou apenas os 6 que mostrariam os resultados que ele queria.

O estudo de Keys com os 6 países que ele selecionou

1977 – O Comitê de Nutrição e Necessidades Humanas dos EUA lança o “McGovern Report” onde estabelece “metas de alimentação para os Estados Unidos”, com o objetivo de reduzir o consumo de gordura e evitar alimentos com alto índice de colesterol. Essas metas se tornaram a política oficial do governo.
 
 1984 – O Centro de Ciências para o Interesse Público, que defende os interesses do consumidor, forçou as redes de fast-food a pararem de cozinhar com gorduras animais e óleos tropicais (gordura saturada). Na época, o  McDonald’s fritava suas batatas com a gordura da carne e óleo de palma, por isso as batatas eram tão saborosas.  Mas depois do ataque do Centro de Ciências, o McDonald’s e outras redes foram obrigadas a adotarem as gorduras parcialmente hidrogenadas e óleos vegetais com gordura trans.
 
1992 – O departamento de agricultura dos EUA publica a Pirâmide Alimentar. A pirâmide reúne os alimentos em seções, e traz a mensagem de que gorduras fazem mal e que carboidratos são saudáveis. Por isso, as porções de carboidratos são as maiores (de 6 a 11) e a de proteínas (2 a 3) e gorduras (usar moderadamente) são limitadas.
1980 a 2011 – desde 1980 até hoje, o departamento de agricultura e o departamento de saúde e serviços humanos dos EUA publicam a cada 5 anos, uma atualização do Guia de Alimentação para Americanos. O mais recente, publicado em dezembro de 2010, recomenda reduzir a ingestão de gordura saturada para 7% do total de calorias, reduzindo 3% desde a última recomendação.
 
Como vocês puderam ver, a demonização da gordura foi resultado da manipulação de alguns estudos, conclusões tendenciosas de outros e artimanhas das grandes empresas para vender seus produtos. No próximo post, vamos olhar com atenção para algumas evidências que mostram exatamente o oposto do que tem sido falado ultimamente.

Mais do que uma dieta, uma escola de pensamento

Além da dieta Primal, existem outras dietas similares que seguem os mesmos princípios básicos, como a Paleo Diet e a Dieta da Evolução. Pensando em esclarecer um pouco mais sobre o assunto, decidi traduzir o ótimo texto de Diana Hsieh, do blog Modern Paleo, que discorre sobre as diferenças entre estas dietas e que também reflete, em parte, minha opinião sobre o assunto. O post original está aqui.

Paleo como uma escola de pensamento

Atualmente, tenho notado algumas consternações na paleosfera sobre o que constitui verdadeiramente a ideia “paleo” nas dietas. Sem dúvidas, eu tenho minhas próprias reclamações sobre o assunto. Fico irritada quando os seguidores paleo atacam gordura saturada, recomendam óleo de canola ou insistem no consumo de carnes magras. Eu não gosto quando muitas pessoas igualam paleo com baixo-carboidrato, como se batatas estivessem no mesmo barco que trigo. Eu recrimino algumas conversas sobre alimentos “processados” ou “industriais”, pois há muita informação confusa sobre esse assunto, já que os alimentos não são necessariamente mais ou menos saudáveis simplesmente pelo processamento ou pela produção em massa. Eu não estou preocupada se os homens da caverna consumiam um alimento em particular ou não.

No entanto, eu tento não me empolgar muito nas minhas discordâncias com outros defensores paleo, isso porque, no meu ponto de vista, paleo é uma escola de pensamento baseada numa ciência recente. Deixe-me explicar o que isso significa e porque é importante.
Primeiro, “paleo” é uma escola de pensamento nutricional, e não uma única dieta.

Os maiores defensores da nutrição paleo oferecem diferentes recomendações à dieta, baseados em suas próprias experiências e no seu entendimento da ciência. Nós vemos dietas particulares do Loren Cordain, Robb Wolf, Mark Sisson, etc. Similarmente, vários bloggers e consumidores paleo tem suas próprias ideias sobre melhores ou piores dietas.

A ideia de “alimentação paleo” não deve ser igualada a nenhuma destas dietas. Ao invés disso, é uma abstração baseada na similaridade entre elas. Qual é o ponto central desta similaridade? Eu identifiquei muito bem no topo dos Princípios do Paleo Moderno, que diz:

O centro do paleo é a dieta: ela evita totalmente os grãos, açúcares e óleos vegetais modernos e é favor de carnes de alta qualidade, peixe, ovos e vegetais.

Esta não é a dieta particular do Modern Paleo. Isso é o que um defensor paleo concorda e defende, primeiramente. As pessoas que discordam disso – como os que defendem baixo-carboidrado, ou os seguidores da Weston A. Price – eles simplesmente não são paleo. Claro, eles podem ser amigáveis e terem alguns conteúdos que interessam àqueles que se alimentam da dieta paleo. Mas eles não são paleo.

Basicamente, “paleo” é como uma escola de pensamento na filosofia que inclui o trabalho de muitos filósofos (como o positivismo ou o existencialismo) ao invés de seguir as ideias de um único filósofo (como Objetivismo ou Platonismo). É um grupo de ideias úteis, porque identifica coisas em comum reais e importantes, embora suas delimitações não estejam bem definidas…ainda.

Como resultado, nós não devemos esperar um entendimento perfeito entre os defensores paleo. Nós vamos discordar, ás vezes veementemente, mas excluindo aqueles que fogem ao ponto central de similaridade, todos os lados serão tão paleo como sempre foram.

Segundo, “paleo” é baseado num corpo crescente de literatura científica, e não em dogmas.

A ciência da nutrição está na sua infância, e nós ainda temos muito o que aprender sobre ele. Nas próximas décadas, nós podemos esperar aprender muita coisa. Se eu espero aprender que milho frito em óleo de soja é a coisa mais saudável do mundo? Não. Eu espero que estrutura básica paleo continue intacta. E isso não é só por causa da ciência já estabelecida hoje, mas também porque a perspectiva evolucionária na nutrição é correta e útil. Ainda sim, eu espero vários tipos de descobertas interessantes e úteis – e a visão das pessoas também vai mudar como resultado disso, assim como Dr.Cordain mudou sua visão sobre gordura saturada e óleo de canola nos últimos anos.

Se algumas pessoas paleo defenderem visões que não são garantidas por evidências científicas, os outros devem se pronunciar discordando e apontando as falhas em seus argumentos. Nós não precisamos fingir solidariedade: nós precisamos dos fatos corretos! Se as pessoas são honestas, elas irão se corrigir com o tempo. Se não, elas serão cada vez mais ignoradas – e é isso. Basicamente, eu espero que a verdade vença na comunidade paleo, porque a maioria das pessoas se importa mais com os fatos do que com o “seu lado” da disputa.

Felizmente, parece haver uma abordagem padrão – ou pelo menos isso foi exatamente o que eu vi no Ancestral Health Symposium nos debates sobre carboidratos. Esperançosamente, isso vai se replicar para os outros debates no horizonte – sobre suplementos, exercícios, gorduras, laticínios, entre outros.

Pessoalmente, eu tento ler uma variedade de fontes, fazer alguns testes comigo mesma e reportar os resultados, com a esperança de que eles serão úteis aos outros. Se isso me coloca contra alguns defensores paleo, como acontece às vezes, que seja. No final, nos acabamos nos entendendo!

Diana Hsieh é uma filósofa especializada em éticas práticas, PhD em filosofia pela Universidade de Colorado. Ela criou o blog Modern Paleo no começo de 2010.

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