Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 4

Depois de muito tempo, vamos para a última parte do Artigo da Semana.

Para ler as anteriores: parte 1 ,  parte 2 e parte 3. 

GORDURAS E ÓLEOS INDUSTRIALIZADOS

O império dos alimentos processados é construído nas gorduras e óleos industriais, extraídos do milho, grãos de soja e outras sementes. O óleo vegetal cru – que é escuro, pegajoso e fedorento – é submetido a processamentos horrendos para produzir os óleos de cozinha claros como margarina, óleo de soja, etc. Os passos inclusos no processamento são: decruagem, clareamento, desodorização, filtrageme remoção das saturadas para tornar o óleo mais líquido. No processo, os nutrientes e antioxidantes desaparecem, mas não os pesticidas. A maior parte dos processadores também adicionam  solvente de hexano para extrair até a ultima gota de óleo das sementes. O refinamento cáustico, o mais utilizado no refinamento de óleos, envolve o uso de químicos muito alcalinos no óleo.

Para fazer uma gordura sólida do óleo líquido, os produtores submetem o óleo a um processo chamado de hidrogenação parcial. O óleo é extraído por meio de alta temperatura e pressão, e as partículas restantes do óleo são extraídas por meio de solvente de hexano. Os produtores então limpam o óleo usando vapor, o que remove todas as vitaminas e os antioxidantes, mas, é claro, os solvente e os pesticidas permanecem. Estes óleos são misturados com um catalisador de níquel, e então, submetidos a alta temperatura e pressão, são inundados com gás hidrogênio. O que entra no reator é um óleo líquido, o que sai dele é uma massa fedorenta que se parece com um queijo cottage cinza. Emulsificantes são adicionados para suavizar as bolotas que se formam e o óleo é vaporizado novamente, para se livrar do cheiro fedorento. O próximo passo é o clareamento, para eliminar a cor cinza. Neste ponto, o produto pode ser chamado de “óleo vegetal puro”. Para fazer a margarina, sabores artificiais e vitaminas sintéticas são adicionadas. Porém, o governo não permite que a indústria adicione corantes artificiais, eles devem adicionar corantes naturais. A margarina então é embalada e vendida como um produto saudável.

A gordura saturada é o tipo de gordura encontrada na banha de porco, manteiga e óleo de coco. As moléculas de gordura saturada são retas, por isso se agrupam com facilidade. É por isso que a gordura saturada fica dura em temperatura ambiente. A gordura insaturada tem uma pequena curva em cada ligação dupla, com dois átomos de hidrogênio saindo para fora do mesmo lado. E quando esta molécula é incorporada nas suas células, o seu corpo quer que estes dois átomos de hidrogênio estejam do mesmo lado da cadeia de carbono, formando uma nuvem de elétrons; é aí que as interações químicas controladas acontecem.

Durante o processo de hidrogenação parcial, um destes átomos de hidrogênio é movido para o outro lado, fazendo com que a molécula fique reta, comportando-se quimicamente como uma gordura saturada – embora bioquímicamente, ela se comporte muito diferente. A molécula original, insaturada, é chamada de ácido graxo “cis”, pois os dois hidrogênios estão juntos, então ela se transforma em um ácido graxo trans, pois os dois hidrogênios estão em lados opostos (trans significa oposto). O seu corpo não sabe que esta nova molécula é algo que nunca existiu antes na natureza, e quando você come uma destas gorduras trans, ela fica presa dentro da membrana celular. Por causa do rearranjo químico, as reações químicas que deveriam acontecer não podem se realizar. As enzimas e receptores não funcionam mais. Quanto mais gordura trans você consome, mais parcialmente hidrogenadas as suas células se tornam e mais caos você causa no nível celular do seu corpo.

De cima para baixo: gordura saturada, gordura natural monoinsaturada e gordura trans

Todos os tipos de margarina, mesmo as sem gordura trans, são feitas com estes ingredientes prejudiciais. Eles são utilizados em batatinhas e bolachas, e a maioria dos restaurante os utiliza nas frituras. Até o começo da década de 80, os restaurantes fast food cozinhavam suas frituras em gordura animal, que é uma gordura segura, mas agora eles usam gordura parcialmente hidrogenada, como o óleo de soja.

No passado, quando você fazia sobremesa para as crianças, pelo menos o açúcar que estas sobremesas tinham era combinado à manteiga, ovos, creme e nozes – todos alimentos bons e naturais. Hoje, os fabricantes podem imitar a manteiga, ovos, creme e nozes, então tudo o que você tem é o açúcar, óleos industriais e outros ingredientes artificiais nestas sobremesas prontas.

Muitas doenças tem sido associadas ao consumo de gorduras trans – doenças cardíacas, câncer e degeneração de juntas e tendões.  A única razão pela qual nós estamos comendo estas coisas é porque nos disseram que a gordura saturada – manteiga, banha, óleo de coco, óleo de palma – são ruins para nós e causam doenças cardíacas. Estas afirmações não passam de propaganda da indústria.

O PREÇO OCIDENTAL

Weston A. Price descobriu que as populações, ao adotarem os alimentos processados em suas dietas, vem apresentando uma diminuição da sua estrutura facial a cada geração. Rostos saudáveis devem ser fortes. Nós todos fomos devemos ter dentes completos e sem cavidades. Quando você está se alimentando de comidas reais, densas em nutrientes, você tem a perfeita expressão do seu potencial genético. Nós recebemos um planta perfeita. Se o templo corporal será construído de acordo com esta planta depende, em grande quantidade, da sabedoria das nossas escolhas alimentares.

Quando as sociedades primitivas abandonaram as suas dietas tradicionais e começaram a ingerir alimentos processados, a próxima geração desenvolveu uma estrutura facial mais frágil e diversas doenças. Nós sabemos que se continuarmos nesta dieta por três gerações, a reprodução cessa. Este é o preço terrível do ocidente, o preço ocidental. A civilização irá morrer a não ser que se adote o estilo alimentar dos nossos ancestrais. Isso significa virar as costas para os alimentos processados e voltar para a cozinha, para preparar alimentos reais – contendo gorduras saudáveis – para nós e nossas famílias.

A MELHOR MANEIRA DE PREPARAR A COMIDA – COM AMOR

A preparação de comida é na verdade um ritual sagrado: de acordo com o conhecimento esotérico “se uma mulher pudesse ver as partículas de luz que saem de suas mãos quando ela cozinha e a energia que entra no alimento que ela está preparando, ela veria o quanto dela mesma entra na refeição que ela prepara para sua família e amigos. Esta é uma das atividades mais importantes e é pouco compreendido pelas pessoas que os sentimentos que vão na preparação de um alimento afeta a todos que irão comê-lo depois. Esta atividade deve ser feita sem pressa, com paz e felicidade porque a energia que flui naquele alimento impacta na energia daquele que o recebe”.

” É por isso que os líderes espirituais do oriente nunca ingerem alimentos que não sejam preparados por seus discípulos. A pessoa preparando o alimento pode ser a única que é espiritualmente elevada. ”

Para ser saudável, é preciso preparar sua própria comida, para você e sua família. Isso não significa que você precise passar horas na cozinha, mas é necessário sim, passar algum tempo lá, preparando comida com sabedoria e amor. Se ninguém na família tem tempo de cozinhar, você precisa sentar e repensar como está usando o seu tempo, pois este é o único modo de dar alimentos nutritivos aos seus filhos. Nós podemos retornar às boas práticas alimentares uma boca de cada vez, uma refeição de cada vez, preparando nossa própria comida e fazendo-o da maneira correta.

Chegamos ao fim deste artigo, semana que vem trago um novo artigo interessante para vocês!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

Animais, meio ambiente e vegetarianismo

Você já parou pra pensar sobre a sustentabilidade da agricultura? Já refletiu sobre o argumento de que o vegetarianismo protege o meio ambiente? Muitos de nós não têm noção do impacto da agricultura no ecossistema.

A soja e o mito de uma escolha mais sustentável

Existem vantagens para a criação de gado mesmo em terras que poderiam ser usadas para a agricultura.

  • Animais criados em campos fertilizam o solo naturalmente, com pouca ou nenhuma necessidade para uso de fertilizantes artificiais e inorgânicos. Toneladas de fertilizante com nitrato, que cada vez mais se infiltram em grande quantidades nos nossos rios, não são usados primariamente para a produção de carne, mas sim para a produção de cereais e plantações.
  • Com a criação de gado, os campos são normalmente pequenos e cercados por mato. O bom fazendeiro tende a manter o mato para proteger seus animais do calor e do sol de verão. A margem dos campos, árvores e sebe fornecem um habitat natural para pequenos animais como insetos e flores selvagens.
  • A agricultura arável em grande escala demanda grandes campos abertos. Em tais fazendas são eliminadas as árvores, sebe e mato causando danos ao ecossistema local. Milhares de quilômetros de floresta foram desmatados neste século. As pessoas se queixam do desmatamento e que milhares de plantas e animais estão entrando em extinção – este fato leva muitas pessoas a seguir o vegetarianismo, sem saber que estão contribuindo para o aumento do desmatamento
  • Ameaça às espécies – o aumento da produção de soja, e grãos (trigo, arroz) demanda mais terras a serem cultivadas, o que resulta na destruição do meio ambiente. O vegetarianismo, que promove o consumo desses alimentos não saudáveis inevitavelmente acelera o desmatamento. 

A sociedade como um todo deveria simpatizar e concordar com os direitos dos animais e instituições que promovem o direito dos animais, que deveriam estar pastando nos campos, ao invés de estarem confinados em ambientes fechados, ou criados em áreas que  não são cercadas por florestas e sebe, para que o ecossistema local mantenha-se preservado. Ao invés disso, estas áreas são usadas para produzir soja, que alimenta os animais, o que demanda mais terreno para ser desmatado, além de inevitavelmente levar a destruição do solo, que como conseqüência destrói a vida local. Não obstante, a qualidade da carne consumida é diminuída e o animal paga por isso.

Os ocidentais vegetarianos atualmente se situam em uma posição social e educacional privilegiada, cabe a nós informá-los quanto aos perigos a saúde e ao meio ambiente.  Estas pessoas podem ter motivos nobres, porém a falta de informação por meios errados levam-nas a adotar esse estilo de vida ingênuo.

O que é errado para um é errado para todos.

Referências

Crawford M., Crawford S.. What We Eat Today . Spearman, London, 1972.

Hawkes J. G.. The Hunting Hypothesis . In: Ardrey R., ed. The Hunting Hypothesis . Collins, London

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você (parte 2)

Na primeira parte deste post, vocês viram como foi criado o mito da gordura saturada e porque ela foi considerada prejudicial à saúde. Agora vamos mostrar as evidências que provam o contrário!
 
O estudo de Keys
 
No estudo dos 6 países realizado por Ancel Keys, os dados disponíveis dos outros 16 países foram ignorados, para que o a correlação que ele desejava obter fosse alcançada. Se ele tivesse escolhido outros 6 países, como apresentado nos quadros abaixo (tanto da esquerda como da direita) ele poderia ter demonstrado que quanto maior o percentual de gordura na dieta, menor o número de mortes por doenças cardíacas.
 

Observe os quadros da parte de baixo da figura. Keys não foi honesto em seus estudos...

 
Povos com o menor risco de doenças cardíacas – Massai, Inuit, Rendille e Tokelau
 
Massai – a dieta da tribo Massai, que vive no Quênia e nodeste da Tanzânia, consiste em carne, leite e sangue de gado, num total de 66% de gordura.
 
Inuit – os Inuit, esquimós do ártico, se alimentam basicamente de carne e gordura de baleia, que tem 75% de gordura e eles vivem vidas longas, livres de doenças cardíacas e câncer.
 
Rendille – a tribo Rendille, que vive no deserto de Kaisut, no nordeste do Quênia, se alimenta de leite e carne de camelo, e uma mistura de leite e sangue de camelo, conhecida como “banjo”. A dieta deles tem 63% de gordura.
 
Tokelau – eles vivem em três ilhas na Nova Zelândia e se alimentam basicamente de peixe e coco, com 60% de gordura.
 
(Ainda vamos falar mais sobre estas tribos aqui no blog, aguardem!)
 
 Além destas tribos, qualquer bebê alimentado com leite materno em qualquer país do mundo tem uma dieta alta em gordura saturada. O leite materno possui 54% de gordura saturada.
 
A dieta dos caçadores – coletores
  • consumiam grandes quantidades de alimentos de origem animal
  •  preferiam as partes mais gordurosas do animal (orgãos, lingua, cérebro e medula óssea)
  • pouca quantidade de carboidratos presentes nas plantas (sementes, nozes, tubérculos, raízes, frutas – nada de açúcares, grãos e leguminosas)
 Estas informações foram obtidas em um estudo realizado pelo Dr. Loren Cordain, publicado no American Journal of Clinical Nutrition. Este estudo é considerado como a maior e mais completa análise já feita sobre a dieta paleolítica dos caçadores-coletores. Os antropólogos avaliaram as dietas de 229 populações caçadoras-coletoras, que sobreviveram até o século 20 e que podem ser vistas como substitutas aos nossos ancestrais paleolíticos da idade da pedra.
 
Estes caçadores-coletores dos tempos modernos, quando conseguiam ter acesso, consumiam altas quantidades de alimentos de origem animal, que compunham de 85 a 100% da sua ingestão de calorias, como no caso dos Massai, Inuit e Rendille. Eles consumiam quase toda a carne animal, incluindo os orgãos, língua, medula óssea e cérebro. Outros animais carnívoros fazem a mesma coisa. Os leões, por exemplo, comem os orgãos e a gordura de suas presas, deixando a carne magra e musculosa para trás.
Já que os caçadores-coletores não praticavam a agricultura, eles não tinham milho, arroz ou trigo para se alimentarem. Eles só obtinham uma pequena quantidade de carboidratos por meio de plantas selvagens, sementes, nozes, raízes, tubérculos e frutas.
 

Café da manhã primal

 
A dieta humana ao longo da história
 
A era paleolítica ou idade da pedra, durou 2,5 milhões de anos, começando com o nosso ancestral humano Homo hablis e progredindo por várias espécies, até chegar à nossa, Homo sapiens, que existe há cerca de 200.000 anos.  
A era da agricultura começou há aproximadamente 10.000 anos atrás e, durante este tempo, por 500 gerações, o consumo de carboidratos foi aumento gradualmente. Mesmo assim, no começo da revolução industrial, há 250 anos atrás, o consumo de açúcar ainda era 1/50 do que é hoje. Agora nós estamos consumindo uma quantidade enorme de carboidratos em grãos, derivados do leite, bebidas, açúcares refinados, balas e outros doces, isso tudo junto com óleos vegetais processados e molhos prontos que não existiam na nossa dieta durante 99,9% da nossa história como seres humanos. Durante este período, o genoma humano se tornou adaptado a seguir uma dieta com altas quantidades de gordura e pequenas quantidades de carboidratos. Ainda assim, as autoridades atuais sobre saúde nos dizem para fazer o oposto e seguir uma dieta pobre em gorduras e rica em carboidratos. Não é à toa que as taxas de obesidade crescem tanto.
 
Framingham Study
 
Impossível não comentar sobre as envidências encontradas no maior estudo já realizado com o intuito de descobrir as causas de doenças cardíacas (já falei sobre ele aqui). Em 1987, os pesquisadores do Framingham Study publicaram estas duas conclusões no renomado Journal of the American Medical Association: 1) Acima de 50 anos, não há aumento na taxa de mortalidade por doenças cardíacas tanto em pessoas com alto teor de colesterol no sangue, quanto em pessoas com baixo teor de colesterol no sangue; 2) Em pessoas com um nível de colesterol decrescente, para cada 1% de queda no colesterol houve um aumento de 11% na taxa de mortalidade para os próximos 18 anos.
Depois, em 1992, nos Archives of Internal Medicine, o terceiro diretor do estudo (o estudo começou em 1948 e é realizado até hoje), Dr. William Castelli declarou: “Neste estudo, quanto mais gordura saturada, mais colesterol e mais calorias alguém consome, menor é o nível de colesterol no sangue desta pessoa (…) nós descobrimos que as pessoas que consumiam mais colesterol também consumiam mais gordura saturada, mais calorias, pesavam menos e eram mais ativas fisicamente”.
 
A maioria dos médicos nunca ouviu falar sobre estas descobertas porque, basicamente, as organizações médicas como a American Heart Association, agências do governo e a indústria farmacêutica simplesmente ignoram estes acontecimentos. Afinal, receitar medicamentos para reduzir o colesterol é uma indústria que movimenta U$ 25 bilhões por ano.
 
Gordura saturada e doenças cardíacas
 
 
 
 A figura acima mostra uma correlação inversa entre o consumo de carne vermelha e a taxa de doenças cardíacas. Países com o menor consumo de gordura saturada tem as maiores taxas de doenças cardíacas. Georgia, Tadjisquistão, Azerbaijão, Moldávia, Croácia, Macedônia e Ucrânia (quadro de cima na figura) tem um consumo de gordura saturada menor que  7,5% do total de calorias, que é exatamente o recomendado pela USDA, a nossa Pirâmide Alimentar e a American Heart Association. No entanto, as suas taxas de mortalidade por doenças cardíacas é bastante alta. Austria, Finlândia, Bélgica, Islândia, Holanda, Suíça e França (quadro de baixo na figura) tem os maiores níveis de gordura saturada em suas dietas e as menores taxas de doenças cardíacas. A França, que tem o maior consumo de gordura saturada tem a menor taxa de morte por doenças cardíacas dentro destes 14 países.
 
Por que a gordura saturada é boa para nós?
 
A importância biológica da gordura saturada
 
Existe uma razão para que o leite materno tenha 54% de gordura saturada. As membranas celulares precisam de ácidos gordurosos  para funcionar corretamente e se tornarem “à prova d’água”. O coração prefere a gordura saturada de cadeia longa, com 16 átomos de carbono (ácido palmítico) e de 18 carbonos (ácido esteárico) para o obter energia. Os ossos precisam da gordura para assimilar o cálcio efetivamente. Ela protege o fígado dos efeitos adversos do álcool e medicamentos como Tylenol. O sufactante pulmonar é composto inteiramente do ácido plamítico, e quando este é presente em quantidades suficientes, pode prevenir asma e outros distúrbios respiratórios. As gorduras saturadas funcionam como sinalizadores para a produção de hormônios. Ela tem um papel importante no sistema imunológico porque incentivam as glóbulos brancos no sangue a destruírem bactérias invasivas, vírus e fungos e a combaterem tumores. E oa ácidos de cadeia média matam bactérias e o fungo candida. Gorduras saturadas também enviam sinais de saciedade, então você para de comer porque se sente satisfeito, perde gordura e mantém um peso normal. E, o mais importante, comer gordura saturada reduz o consumo de carboidratos e óleos vegetais que prejudicam a sua saúde.
 
Manteiga x Doenças
 
Para finalizar, deixo vocês refletindo sobre o gráfico abaixo. Chega de acreditar na propaganda daquela “margarina amiga do coração”. Chega do combo peito-de-frango-grelhado-e-alface. Traga a picanha, a manteiga, o óleo de coco de volta para a sua vida  e seja magra (ou magro), feliz e saudável!!
 

Linha amarela: consumo de manteiga. Linhas vermelha e rosa: Doenças cardíacas e câncer, respectivamente.

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você! (parte 1)

Sim, você leu certo. Eu disse neste post que ia começar a dar detalhes sobre a alimentação Primal, e decidi começar com um dos temas mais importantes e também mais polêmicos. Isso porque, nos últimos anos, a gordura (em especial a saturada) tem sido apontada como o vilão para a sua saúde e para a sua dieta. Se você já leu alguns dos meus posts aqui no primal brasil, já sabe que nada disso é fundamentado. Mas hoje vamos saber um pouco mais porque a gordura é tão essencial para nós.

Primeiro, vamos começar classificando os tipos de gordura:

Gordura Saturada

É classificada desta maneira por não possuir ligação dupla nos átomos de carbono de sua composição química, saturando, assim, os ácidos graxos (gordos) com átomos de hidrogênio. Ela ocorre de forma natural nos animais.

Presente na gordura animal, carne, ovos, manteiga e queijos. Também encontrada no óleo de coco e óleo de palma.

 Gordura Monoinsaturada

São ácidos graxos com uma ligação dupla entre carbonos em suas moléculas.

Presente no azeite de oliva e abacate.

 Gordura Poliinsaturada

É um ácido graxo com mais de duas ligações duplas entre carbonos nas suas moléculas. Os ácidos graxos ômega 6 são ácidos carboxílicos poliinsaturados, em que a dupla ligação está no sexto carbono a partir da extremidade, nos ácidos ômega 3, a dupla ligação está no terceiro carbono.

Omega 6: óleos vegetais (óleo de soja, de milho, de canola, de girassol) e amendoim.

Omega 3: óleo de peixe e peixes de água fria.

  Gordura Trans

Os átomos de hidrogênio ficam em lados opostos da cadeia, ao contrário das outras gorduras

São considerados especiais devido à sua conformação estrutural. Nos ácidos graxos cis, que é como geralmente são encontrados os ácidos graxos na natureza, as cadeias de carbono vizinhas à dupla ligação encontram-se do mesmo lado e nos ácidos graxos trans as cadeias se encontram alinhadas.

Presente na margarina, produtos industrializados, salgadinhos e bolachas recheadas.

Muito bem, agora que você já conhece melhor os tipos de gordura existentes, resta saber qual o impacto de tudo isso na sua vida. Por que algumas gorduras são consideradas boas e outras más? Qual a verdade sobre esse assunto? Vamos começar com um pouco de história…

Há cem anos atrás, menos de 1% da população americana era obesa e doenças cardíacas eram desconhecidas. As principais causas de morte eram pneumonia, diarréia e tuberculose. Hoje, as duas causas de morte mais comuns são doenças cardíacas e câncer, responsáveis por 75% das mortes no país.

1911 – Procter & Gamble lança no mercado o Crisco, um produto derivado de semente de algodão, sendo o primeiro produto com gordura trans a ser comercializado. A empresa começou a promover este novo produto e a partir de então, os óleos vegetais foram gradualmente substituindo a manteiga e banha de porco (gordura saturada) no dia a dia das pessoas.

1913 – um fisiologista russo começa a alimentar coelhos com alimentos com alta dose de colesterol, causando aterosclerose nos pequenos animais. (Claro, coelhos são vegetarianos e não tem capacidade para digerir gordura animal, ao contrário dos homo sapiens aqui. Malditos russos!) É lançado o mito do colesterol.

1953 – Ancel Keys publica o famoso estudo dos seis países, que correlaciona as mortes de doenças cardíacas com a porcentagem de gordura na dieta. Como eu já disse aqui, dos 22 países com dados disponíveis, Ancel selecionou apenas os 6 que mostrariam os resultados que ele queria.

O estudo de Keys com os 6 países que ele selecionou

1977 – O Comitê de Nutrição e Necessidades Humanas dos EUA lança o “McGovern Report” onde estabelece “metas de alimentação para os Estados Unidos”, com o objetivo de reduzir o consumo de gordura e evitar alimentos com alto índice de colesterol. Essas metas se tornaram a política oficial do governo.
 
 1984 – O Centro de Ciências para o Interesse Público, que defende os interesses do consumidor, forçou as redes de fast-food a pararem de cozinhar com gorduras animais e óleos tropicais (gordura saturada). Na época, o  McDonald’s fritava suas batatas com a gordura da carne e óleo de palma, por isso as batatas eram tão saborosas.  Mas depois do ataque do Centro de Ciências, o McDonald’s e outras redes foram obrigadas a adotarem as gorduras parcialmente hidrogenadas e óleos vegetais com gordura trans.
 
1992 – O departamento de agricultura dos EUA publica a Pirâmide Alimentar. A pirâmide reúne os alimentos em seções, e traz a mensagem de que gorduras fazem mal e que carboidratos são saudáveis. Por isso, as porções de carboidratos são as maiores (de 6 a 11) e a de proteínas (2 a 3) e gorduras (usar moderadamente) são limitadas.
1980 a 2011 – desde 1980 até hoje, o departamento de agricultura e o departamento de saúde e serviços humanos dos EUA publicam a cada 5 anos, uma atualização do Guia de Alimentação para Americanos. O mais recente, publicado em dezembro de 2010, recomenda reduzir a ingestão de gordura saturada para 7% do total de calorias, reduzindo 3% desde a última recomendação.
 
Como vocês puderam ver, a demonização da gordura foi resultado da manipulação de alguns estudos, conclusões tendenciosas de outros e artimanhas das grandes empresas para vender seus produtos. No próximo post, vamos olhar com atenção para algumas evidências que mostram exatamente o oposto do que tem sido falado ultimamente.

Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 3

Depois da parte 1 e da parte 2, vamos para a terceira e penúltima parte deste artigo! Estou dividindo bastante para não ficar cansativo, ok? Então, vamos saber um pouco mais sobre as sopas prontas…

CALDO NATURAL NUTRITIVO

No passado, muitas culturas tradicionais se utilizavam do osso de animais para fazer caldo. Elas reconheciam as propriedades saudáveis do caldo de osso assim como o sabor que o osso dava às sopas, molhos e ensopados. A ciência moderna nos mostra que os caldos caseiros feitos com ossos são verdadeiras maravilhas no que diz respeito à propriedades de cura; eles fornecem minerais em abundância, fortalecem ossos e tendões, restauram o intestino e nos ajudam a desintoxicar. A gelatina feita do caldo de osso (mocotó) é um grande digestivo natural.

SOPAS INDUSTRIAIS

A maioria das bases que compõe sopas e molhos comerciais contém sabores artificiais de carne, que imitam aqueles que nós conseguíamos com o caldo natural feito com osso. Esse tipo de “atalho” significa que os consumidores foram rapidamente enganados. Quando os caldos caseiros foram empurrados para fora pelos substitutos mais baratos, uma importante fonte de minerais desapareceram da dieta Americana. O efeito de engrossamento da gelatina pode ser imitado pelos emulsificantes, mas, é claro, os benefícios à saúde foram perdidos. Gelatina é algo muito saudável para se ter na dieta. Ela ajuda você a digerir as proteínas mais adequadamente e apoia a sua saúde digestiva como um todo.

Pesquisas sobre gelatina e caldos caseiros chegaram ao fim na década de 50, quando as empresas alimentícias descobriram como induzir a Relação de Maillard – o processo de se criar compostos de sabor a partir de uma mistura entre açúcar e aminoácidos, sob alta temperatura – e produziram os sabores similares à carne em laboratório. Em um relatório da empresa General Foods de 1947, químicos previram que, em breve, quase todos os sabores naturais seriam sintetizados quimicamente. Depois da Segunda Guerra Mundial, as empresas de alimento americanas descobriram o glutamato monossódico, um ingrediente que os japoneses inventaram em 1908 para realçar o sabor dos alimentos, incluindo os sabores de carne. Nós, de fato, temos receptores na nossa língua para o glutamato – ele é a proteína que o corpo humano reconhece na carne – mas o glutamato no MSG ( = glutamato monossódico) tem uma configuração diferente, que não pode ser assimilada corretamente pelo corpo. Qualquer proteína pode ser hidrolisada (quebrada em seus componentes, aminoácidos) para produzir uma base contendo MSG. Quando a indústria aprendeu como sintetizar o sabor de carne em laboratório, usando proteínas baratas de grãos e legumes, a porta se abriu para um novo fluxo de produtos, incluindo caldo de carne em cubinhos (caldo Knorr), mix para sopas desidratado (sopas Vono e Maggi), molhos prontos e condimentos com sabor de carne.

A indústria de fast food não poderia existir sem o MSG e os sabores artificiais de carne, que induziram o consumidor a se alimentarem de comida sem sabor. Os molhos em diversos alimentos processados comercialmente contém MSG, água, emulsificantes e corante de caramelo. Sua língua é levada a pensar que está consumindo algo nutritivo, quando na verdade não está recebendo nada além de substâncias tóxicas.

As chamadas sopas caseiras na maioria dos restaurantes geralmente são feitas misturando água com uma base de sopa em pó feita de proteína hidrolisada e sabores artificiais, e essa mistura, são adicionados os vegetais e outros ingredientes. Mesmo as sopas de lagosta e de peixe na maioria dos restaurantes de frutos do mar são feitas a partir de alguma mistura em pó com sabor artificial.

A indústria acha que até mesmo alho e cebola tem um custo muito alto, por isso usam sabores artificiais de alho e cebola para temperar. É tudo baseado no lucro, sem nenhuma atenção à saúde do consumidor.

Os fabricantes se livram dos requerimentos nos rótulos, já que se o mix dos temperos tem menos de 50% de MSG, eles não precisam indicar a existência do MSG no rótulo. Você pode ter notado que a frase “sem MSG” não existe mais. Ela desapareceu porque a indústria descobriu que havia MSG em todos os mix de temperos!

PROBLEMAS DE SAÚDE

Enquanto a indústria estava adicionando MSG aos alimentos em cada vez maiores quantidades, em 1957 cientistas descobriram que os ratos ficaram cegos e obesos quando MSG foi administrado em sua alimentação. Em 1969, lesões causadas por MSG foram encontradas na região do hipotálamo no cérebro dos ratos. Estudos subseqüentes indicaram os mesmos resultados. MSG é uma substância neurotóxica que causa uma série de reações nos seres humanos, desde dores de cabeça temporárias a danos permanentes no cérebro. Também é associado a comportamentos agressivos. Nós tivemos um enorme aumento na incidência de Alzheimer, câncer no cérebro, esclerose múltipla e outras doenças do sistema nervoso, e um dos culpados são os sabores artificiais nos nossos alimentos.

95% dos alimentos processados contém MSG, e, no final da década de 50, ele ainda era adicionado às papinhas de bebê. Os fabricantes disseram que o retiraram voluntariamente das papinhas, mas na verdade, eles apenas o chamaram de “proteína hidrolisada”.

Um livro excelente do Russell Blaylock, chamado Excitotoxinas, descreve como as células nervosas ou se desintegram ou encolhem na presença livre de ácido glutamato, se o mesmo passa pelas barreiras do sangue para o cérebro. O glutamato do MSG é absorvido diretamente da boca para o cérebro. Alguns investigadores acreditam que o aumento na violência deste país começado em 1960 é devido ao aumento do uso de MSG no começo da década de 50, particularmente quando era adicionado à papinha de bebê.

Dica: se você quer usar um bom caldo (de carne, frango ou legumes) na sua alimentação, faça o seu próprio (tem receita aqui), ou, se mora em São Paulo, pode encomendar da Pat. Eu sempre compro e uso nas minhas sopas e carnes que faço, é maravilhoso!!

Chegamos ao fim da terceira parte, semana que vem finalizo o artigo falando sobre as gorduras industriais. Fique ligado!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

Mais do que uma dieta, uma escola de pensamento

Além da dieta Primal, existem outras dietas similares que seguem os mesmos princípios básicos, como a Paleo Diet e a Dieta da Evolução. Pensando em esclarecer um pouco mais sobre o assunto, decidi traduzir o ótimo texto de Diana Hsieh, do blog Modern Paleo, que discorre sobre as diferenças entre estas dietas e que também reflete, em parte, minha opinião sobre o assunto. O post original está aqui.

Paleo como uma escola de pensamento

Atualmente, tenho notado algumas consternações na paleosfera sobre o que constitui verdadeiramente a ideia “paleo” nas dietas. Sem dúvidas, eu tenho minhas próprias reclamações sobre o assunto. Fico irritada quando os seguidores paleo atacam gordura saturada, recomendam óleo de canola ou insistem no consumo de carnes magras. Eu não gosto quando muitas pessoas igualam paleo com baixo-carboidrato, como se batatas estivessem no mesmo barco que trigo. Eu recrimino algumas conversas sobre alimentos “processados” ou “industriais”, pois há muita informação confusa sobre esse assunto, já que os alimentos não são necessariamente mais ou menos saudáveis simplesmente pelo processamento ou pela produção em massa. Eu não estou preocupada se os homens da caverna consumiam um alimento em particular ou não.

No entanto, eu tento não me empolgar muito nas minhas discordâncias com outros defensores paleo, isso porque, no meu ponto de vista, paleo é uma escola de pensamento baseada numa ciência recente. Deixe-me explicar o que isso significa e porque é importante.
Primeiro, “paleo” é uma escola de pensamento nutricional, e não uma única dieta.

Os maiores defensores da nutrição paleo oferecem diferentes recomendações à dieta, baseados em suas próprias experiências e no seu entendimento da ciência. Nós vemos dietas particulares do Loren Cordain, Robb Wolf, Mark Sisson, etc. Similarmente, vários bloggers e consumidores paleo tem suas próprias ideias sobre melhores ou piores dietas.

A ideia de “alimentação paleo” não deve ser igualada a nenhuma destas dietas. Ao invés disso, é uma abstração baseada na similaridade entre elas. Qual é o ponto central desta similaridade? Eu identifiquei muito bem no topo dos Princípios do Paleo Moderno, que diz:

O centro do paleo é a dieta: ela evita totalmente os grãos, açúcares e óleos vegetais modernos e é favor de carnes de alta qualidade, peixe, ovos e vegetais.

Esta não é a dieta particular do Modern Paleo. Isso é o que um defensor paleo concorda e defende, primeiramente. As pessoas que discordam disso – como os que defendem baixo-carboidrado, ou os seguidores da Weston A. Price – eles simplesmente não são paleo. Claro, eles podem ser amigáveis e terem alguns conteúdos que interessam àqueles que se alimentam da dieta paleo. Mas eles não são paleo.

Basicamente, “paleo” é como uma escola de pensamento na filosofia que inclui o trabalho de muitos filósofos (como o positivismo ou o existencialismo) ao invés de seguir as ideias de um único filósofo (como Objetivismo ou Platonismo). É um grupo de ideias úteis, porque identifica coisas em comum reais e importantes, embora suas delimitações não estejam bem definidas…ainda.

Como resultado, nós não devemos esperar um entendimento perfeito entre os defensores paleo. Nós vamos discordar, ás vezes veementemente, mas excluindo aqueles que fogem ao ponto central de similaridade, todos os lados serão tão paleo como sempre foram.

Segundo, “paleo” é baseado num corpo crescente de literatura científica, e não em dogmas.

A ciência da nutrição está na sua infância, e nós ainda temos muito o que aprender sobre ele. Nas próximas décadas, nós podemos esperar aprender muita coisa. Se eu espero aprender que milho frito em óleo de soja é a coisa mais saudável do mundo? Não. Eu espero que estrutura básica paleo continue intacta. E isso não é só por causa da ciência já estabelecida hoje, mas também porque a perspectiva evolucionária na nutrição é correta e útil. Ainda sim, eu espero vários tipos de descobertas interessantes e úteis – e a visão das pessoas também vai mudar como resultado disso, assim como Dr.Cordain mudou sua visão sobre gordura saturada e óleo de canola nos últimos anos.

Se algumas pessoas paleo defenderem visões que não são garantidas por evidências científicas, os outros devem se pronunciar discordando e apontando as falhas em seus argumentos. Nós não precisamos fingir solidariedade: nós precisamos dos fatos corretos! Se as pessoas são honestas, elas irão se corrigir com o tempo. Se não, elas serão cada vez mais ignoradas – e é isso. Basicamente, eu espero que a verdade vença na comunidade paleo, porque a maioria das pessoas se importa mais com os fatos do que com o “seu lado” da disputa.

Felizmente, parece haver uma abordagem padrão – ou pelo menos isso foi exatamente o que eu vi no Ancestral Health Symposium nos debates sobre carboidratos. Esperançosamente, isso vai se replicar para os outros debates no horizonte – sobre suplementos, exercícios, gorduras, laticínios, entre outros.

Pessoalmente, eu tento ler uma variedade de fontes, fazer alguns testes comigo mesma e reportar os resultados, com a esperança de que eles serão úteis aos outros. Se isso me coloca contra alguns defensores paleo, como acontece às vezes, que seja. No final, nos acabamos nos entendendo!

Diana Hsieh é uma filósofa especializada em éticas práticas, PhD em filosofia pela Universidade de Colorado. Ela criou o blog Modern Paleo no começo de 2010.

Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 2

Continuando o artigo da semana passada, vamos para a segunda parte, desta vez descobrindo um pouco mais sobre alguns alimentos muito presentes no nosso dia a dia.

LEITE

O leite é um dos alimentos mais perfeitos da natureza. A maior parte do nosso leite vem de um animal sagrado, a vaca. Atualmente, no entanto, com o sistema industrial, nós aprisionamos as vacas em ambientes fechados durante todas as suas vidas, nós lhes damos alimentos inapropriados como soja, sobras de padaria, cascas frutas cítricas e lavagem da produção de etanol, ou seja, alimentos que elas não estão adaptadas a comer. O ambiente confinado e a alimentação inapropriada faz as vacas adoecerem, por isso elas precisam de antibióticos e outras drogas. Nós cruzamos as vacas para obter a raça que produza mais leite, e damos hormônios à elas com o mesmo propósito. Estas vacas produzem grande quantidade de leite aguado, que tem apenas metade da gordura do que o leite tradicional, produzido por vacas alimentadas a pasto. Este leite é enviado às fábricas para ser processado.

Dentro das fábricas, o leite é completamente refeito. Como descrito por Emily Green, no Los Angeles Times, a centrífuga separa o leite entre gordura, proteína e vários outros sólidos e líquidos. Uma vez separados, estes são recombinados em níveis específicos, para obter o leite integral, semi-desnatado e desnatado. De todos os leites reconstituídos, o leite integral é o que mais se aproxima do leite original da vaca. O que resta deste processo é usado na fabricação de manteiga, nata, queijo, leite em pó e vários outros derivados do leite. A indústria de laticínios promove os leites desnatados e semi-desnatados porque ela pode lucrar mais com a gordura do leite quando utilizada na fabricação de sorvete. Quando eles removem a gordura do leite para fazer leite desnatado, esta é substituída por leite concentrado em pó, que é fabricado por meio de um spray para secagem em alta temperatura.

Depois disso, o leite é condicionado em tanques (não refrigerados) e transportado para as plantas de engarrafamento. O leite é pasteurizado à 72˚C por 15 segundos, passando rapidamente por pratos de aço inoxidado superaquecidos. Se a temperatura é maior que 110˚C (acima do ponto de fervura) o leite é considerado ultrapasteurizado. O leite ultrapasteurizado tem um sabor diferente, mas é esterilizado e pode resistir mais tempo nas prateleiras dos supermercados. Ele pode ser vendido na seção de refrigerados, para que o consumidor pense que é fresco, mas ele não precisa ser armazenado desta maneira. O leite também é homogenizado por um sistema de pressão que quebra as gorduras em glóbulos, para que o leite não se separe. Uma vez processado, o leite pode durar semanas e não dias.

O processamento torna o leite difícil de ser digerido e causa alergia à sua proteína (lactose). Animais que foram alimentados exclusivamente de leite pasteurizado tiveram deficiência de nutrientes e se tornaram inférteis após várias gerações.

Felizmente, o leite de verdade produzido por vacas alimentadas a pasto, não pasteurizado, não processado ou homogenizado, está sendo disponibilizado cada vez mais. Na verdade, a demanda por leite de verdade está crescendo rapidamente. Para encontrar onde comprar leite cru, visite Realmilk.com (Infelizmente, a venda de leite cru é proibida por lei no Brasil, então não é possível encontrar à venda aqui. A única alternativa é encontrar algum fazendeiro de confiança que possa vender o leite cru.)

Para fazer leite em pó, o fluído é forçado por pequenos buracos, submetidos à alta pressão e então soprado e lançado ao ar. Isto causa a formação de nitratos e o colesterol do leite é oxidado. Ao contrário da opinião popular, o colesterol não é um demônio e sim seu melhor amigo (para saber mais sobre colesterol, clique aqui), você não tem que se preocupar em evitar comidas que contenham colesterol, mas você deve sim evitar o colesterol oxidado. Evidências indicam que o colesterol oxidado pode iniciar o processo de aterosclerose.

Leite em pó é adicionado aos leites desnatados e produtos do leite para engrossa-los. Então, quando você consome leite ou iogurtes desnatados, pensando que isso vai te ajudar a prevenir doenças, você está de fato consumindo colesterol oxidado, que pode iniciar o desenvolvimento de doenças cardíacas!

SUCO DE LARANJA

Esse sim pode ser chamado de suco de laranja

Agora, vamos focar no suco de laranja, outro componente do nosso “café da manhã saudável”, junto com o cereal e o leite desnatado. Um artigo do Processed and Prepared Foods descreve que “a nova fábrica de processamento de suco de laranja é completamente automatizada e pode processar até 1.800 toneladas de laranja por dia, para produzir suco concentrado congelado, suco fortificado, óleo extraído da casca e alimento para gado”. O novo método de produção de suco usa toda a laranja na máquina. Um outro resumo diz: “Vários sprays ácidos que melhoram a qualidade da casca e aumentam a quantidade de suco são adicionados à estas laranjas processadas.” Estes compostos são adicionados para extrair a maior quantidade de suco e óleo da casca possíveis. A plantação de laranja é infestada de um pesticida chamado “inibidor cholinesterase”, que é altamente tóxico ao sistema nervoso. Quando eles colocam a laranja inteira nas cubas e as espremem, todo esse pesticida vai para o suco. Então, eles adicionam ácidos para extrair todo o suco destas laranjas, o que transforma o suco de laranja comercial em uma sopa muito tóxica. Esta pode ser uma razão pela qual o consumo de suco de frutas é associado ao aumento da incidência de demência.

E a casca da laranja usada para alimentar gado? A casca da laranja que sobra do processo de fabricação do suco é seca e processada em bolos, que ainda estão lotados de inibidores cholinesterase. Mark Purdey, na Inglaterra, mostrou como esta prática está relacionada com a doença da vaca louca. O uso de organofosfatos tanto como spray nas vacas quanto como um componente da sua alimentação, causa a degeneração do cérebro e do sistema nervoso da vaca, e se faz isso com as vacas, existe uma possibilidade de estar fazendo com você também.

O governo dos Estados Unidos tenta dar a impressão de que a pasteurização do suco é necessária para garantir a nossa segurança. No entanto, pode ser surpreendente pra você saber que pesquisadores descobriram que fungos são resistentes à pressão e ao calor usados no processamento do suco. Eles descobriram que 17% das embalagens de suco de laranja da Nigéria e 20% dos sucos de manga e tomate contém esses fungos resistentes ao calor. Eles também encontraram E.coli no suco de laranja, pois estes resistiram a pressão e sobreviveram à pasteurização. Há bastante risco de contaminação nestes sucos pasteurizados.

Em um estudo, o suco de laranja tratado com calor e hidrolisado com ácido foi testado para ver se havia mutação genética. Os autores do estudo descobriram que o aquecimento produz agentes intermediários que, dentro das condições testadas, deram origem a mutação genética e citotoxidade (células tóxicas). Em outras palavras, existem componentes causadores de câncer no suco de laranja.

Então, se você quiser suco no seu café da manhã, evite sucos comerciais processados. Ao invés disso, esprema suas laranjas (orgânicas, de preferência) e faça o seu próprio suco!

A segunda parte deste artigo acaba por aqui, mas aguardem… semana que vem falarei sobre sopas industriais!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 1

Começando mais uma nova categoria: Artigo da Semana! Vou traduzir alguns artigos interessantes, facilitando o acesso às boas informações para aqueles que não podem ler em inglês! Quando os artigos forem grandes demais para um post, vou dividir em partes, como estou fazendo com o de hoje. Os comentários entre parênteses e em itálico são meus. Vamos lá!

Esta é uma tradução livre do artigo ” Dirty Secrets of the Food Processing Industry”, da fundação Weston A. Price. O texto original pode ser encontrado aqui.  

Os segredos sujos da indústria de comida processada

Escrito por Sally Fallon, em 26 de dezembro de 2005

Este artigo é baseado em uma apresentação feita na conferência anual de Saúde do Consumidor do Canadá, em março de 2002. Este artigo e suas referências foram atualizadas em março de 2011.

NÓS SEMPRE PROCESSAMOS NOSSA COMIDA. Esta é uma atividade unicamente humana. Nós cozinhamos nossa comida – este é um tipo de processamento – assim como fermentar, moer, embeber, picar e secar. Tudo isso são tipos de processamento da comida.

O processamento tradicional tem duas funções: para tornar a comida mais digerível e para preserva-la para momentos em que não haja comida disponível. Comidas processadas nutritivas incluem lingüiça, salsicha dura e o tradicional pudim de carne e miúdos, assim como derivados de grãos, de leite, pickles – tudo desde vinho e destilados a condimentos lacto-fermentados. Fazendeiros e artesãos – padeiros, fazedores de queijo, fazedores de destilados, moleiros, entre outros – processavam os ingredientes crus para obterem deliciosas comidas que retinham o seu valor nutricional por vários meses ou até anos, e mantinham os seus lucros em suas fazendas e nas comunidades fazendeiras a que pertenciam.

Infelizmente, nos tempos modernos, nós substituímos os fazendeiros locais por fábricas e processamentos industriais, que na verdade diminuem a qualidade das comidas, ao invés de torna-la mais saudável e digerível. O processamento industrial depende de açúcar, farinha branca refinada, gorduras processadas e hidrogenadas, aditivos alimentícios e vitaminas sintéticas, tratamentos de calor e extrusão de grãos.

CEREAIS MATINAIS

Vamos dar uma olhada no processamento envolvido na fabricação do típico café da manhã americano (e de muitos brasileiros também): cereal, leite desnatado e suco de laranja. Os cereais matinais são produzidos por um processo chamado de extrusão. Os grãos são misturados com água, processados para virarem uma pasta e colocados em uma máquina chamada extrusora. Os grãos são forçados por pequenos buracos, a alta temperatura e pressão, criando assim as formas de rosquinha, flocos ou pedacinhos. Cada um dos grãos passa pela expansora na extrusora, para produzir trigo, arroz ou aveia inflados. Esses produtos são então submetidos a sprays que dão uma cobertura de óleo e açúcar para selar o cereal e evitar que ele seja amolecido pelo leite e mantê-lo crocante.

No seu livro Lutando contra os gigantes da comida, o bioquímico Paul Sitt descreve o processo de extrusão, que trata os grãos com temperatura e pressão muito altas, e nota que o processo destrói a maioria dos seus nutrientes. Ele desnaturaliza os ácidos graxos e ainda destrói as vitaminas sintéticas adicionadas ao cereal no final do processo. O aminoácido lisina, um nutriente crucial, é especialmente danificado no processo de extrusão.

Mesmo os cereais de caixinha vendidos nas lojas de alimentos saudáveis são fabricados usando o processo de extrusão. Eles são feitos com o mesmo tipo de máquina e geralmente nas mesmas fábricas. Os únicos avanços que são ditos existir no processo de extrusão são aqueles que vão reduzir custos, não importando o quanto o processo altera os nutrientes do produto.

Com tantas milhões de caixas de cereal vendidas por ano, é de se esperar que estudos sejam publicados mostrando os efeitos destes cereais em animais e em seres humanos. Mas a indústria de cereais matinais é  uma multibiolionária que gerou fortunas para algumas pessoas. Uma caixa de cereal contendo cereais que valem centavos é vendida nas lojas por 6 ou 7 reais – provavelmente não há na Terra algum outro produto com uma margem de lucro tão grande. Estes lucros tem sido pagos por patrocínios jornalísticos e outros lobbys que mantém as pesquisas sobre a extrusão de grãos fora da literatura científica e convencem os orgãos do governo de que não há diferença entre o grão de trigo natural e o grão que tenha sido alterado pelo processo de extrusão.

O EXPERIMENTO COM RATOS

Pesquisas não publicadas indicam que o processo de extrusão transforma a proteína dos grãos em neurotoxinas. Sitt descreve um experimento conduzido em 1942 por uma empresa de cereais, que ficou trancado nos arquivos da empresa, em que quatro grupos de ratos foram alimentados com dietas especiais. Um grupo recebeu grãos integrais de trigo, água e vitaminas e minerais sintéticos.Um segundo grupo recebeu trigo inflado (um cereal passado pela extrusora), água e a mesma solução nutricional. O terceiro grupo recebeu água e açúcar refinado. O quarto grupo recebeu  apenas água e nutrientes sintéticos. Os ratos que receberam os grãos integrais viveram por mais de um ano nesta dieta. Os ratos que se alimentaram de água e vitaminas viveram por dois meses. Os animais que receberam água e açúcar viveram por um mês. O estudo mostra que os ratos que receberam o trigo inflado com vitaminas e água morreram em duas semanas – antes mesmo dos ratos que não receberam nenhuma comida. Os resultados sugerem que há algo muito tóxico nos grãos de trigo inflados! As proteínas são muito similares na sua estrutura molecular a algumas toxinas, e a pressão do processo inflador pode produzir mudanças químicas que transformam um grão nutritivo em uma substância venenosa.

Outro experimento não publicado foi conduzido em 1960. Pesquisadores da Universidade de Michigan em Ann Arbor receberam 18 ratos de laboratório. Estes foram divididos em três grupos, um grupo recebeu cereal de milho e água, o outro grupo recebeu a caixa em que o cereal veio e água e o grupo de controle recebeu comida de rato e água. Os ratos no grupo de controle permaneceram saudáveis durante o experimento. Os ratos que comeram a caixa do cereal ficaram letárgicos e acabaram morrendo de má nutrição. Os ratos que receberam o cereal e água morreram antes dos que comeram a caixa!! (O primeiro rato da caixa morreu no mesmo dia que o último rato do cereal.) Além disso, antes de morrerem, os ratos alimentados por cereal desenvolveram um comportamento estranho, ficaram loucos, morderam uns aos outros e finalmente entraram em convulsão. Uma autópsia revelou uma disfunção no pâncreas, fígado e rins e degeneração dos nervos da espinha, todos sinais de um choque de insulina. A conclusão surpreendente deste estudo é que havia mais nutrientes na caixa de cereal do que no cereal em si. O experimento foi feito como uma brincadeira, mas os resultados não foram nada engraçados.

A maioria dos americanos consome cereais em caixa hoje em dia. Por serem fortificados com vitaminas sintéticas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos dizem que eles são tão saudáveis quanto os grãos de que são feitos. Muitos destes cereais contém pelo menos 50% das calorias provenientes de açúcar. Aqueles cereais vendidos em lojas de comida saudável podem ser feitos de grãos integrais e conter menos açúcar, mas ainda são feitos pelo processo de extrusão, e podem ser ainda mais nocivos do que os cereais de grãos refinados, pois os integrais contém mais proteína e são essas proteínas que se tornam tóxicas devido ao processo de extrusão.

O PROCESSO DE EXTRUSÃO

Quando colocamos o cereal uma extrusora ela altera a estrutura das proteínas. Zeins, as principais proteínas do milho, são localizadas em organelas esféricas chamadas de corpo da proteína. A literatura científica contém um estudo sobre a extrusão dos grãos, que investigou as mudanças no corpo das proteínas, nas suas formas e na liberação de alpha-zeins encapsuladas como um resultado do processo de extrusão. Os resultados sugerem que as zeins no cereal de milho não ficam confinadas em corpos de proteína rígidos e podem interagir entre si e entre outros componentes do sistema, formando novas aglomerações que são estranhas ao corpo humano. O processo de extrusão destrói as organelas e dispersa as proteínas, que se tornam tóxicas. Quando as proteínas são quebradas desse jeito podem afetar negativamente o sistema nervoso, como indicado pelo estudo.

O BOM E VELHO MINGAU

Existe apenas uma maneira acabar com o negócio destas empresas, que é não comprando seus produtos. Então, o que você vai comer no café da manhã ao invés de cereais? Ovos, de qualquer maneira que você gostar, são sempre uma boa opção. Mas se quiser grãos, o mingau à moda antiga feito a partir de grãos que não passaram pela extrusora fornecem um bom valor nutricional por um bom preço. Grãos como aveia devem ser cortados ou enrolados e depois deixados de molho durante a noite um ácido médio (vinagre) quente, para neutralizar os vários antinutrientes  presentes nos grãos, como enzimas que bloqueiam a digestão e ácido fítico, que bloqueia a absorção de minerais. Este tratamento também pode quebrar proteínas complexas nos grãos. Você deixa o grão de molho em água quente mais uma colher de algum ácido médio, como iogurte, suco de limão ou vinagre. Na manhã seguinte, os seus grãos vão cozinhar em alguns minutos. A melhor maneira de comer seu mingau é com manteiga ou creme do leite, como nossos avós faziam. Os nutrientes da gordura do leite são necessários para a absorção dos nutrientes dos grãos. Sem as vitaminas solúveis em gordura como a vitamina A, D e K2 você não consegue absorver os minerais da sua comida. Além disso, as gorduras da manteiga e do creme de leite desaceleram a liberação de glucose na corrente sanguínea, fazendo com que o açúcar no seu sangue permaneça estável durante a manhã.

Ufa, por hoje é só, semana que vem continuo a acabar com o que você gosta  dar novas informações sobre suco de laranja, leite, sopas industriais e muito mais! 

O mito do colesterol

Colesterol é um álcool policíclico de cadeia longa, encontrado nas membranas celulares e transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas celulares dos mamíferos. A maior parte do colesterol presente no corpo é sintetizada pelo próprio organismo, sendo apenas uma pequena parte adquirida pela dieta. [Fonte: Wikipédia]

O colesterol tem sido apontado injustamente como o vilão das doenças cardíacas a muito tempo. Basicamente, o mito do colesterol surgiu após um estudo conduzido em 1953, pelo médico americano Ancel Keys, em que ele comparava a taxa de mortalidade por doenças cardíacas de um determinado país com a quantidade de gordura ingerida pela população deste mesmo país, demonstrando que a taxa de mortalidade era proporcional ao consumo de gordura. Infelizmente, apesar da grande quantidade de dados disponíveis, Keys utilizou-se apenas daqueles que podiam comprovar sua teoria e assim, surgiu o mito do colesterol.

Depois disso, vários estudos foram conduzidos ao redor do mundo para comprovar a hipótese de Keys, entre eles o Framingham Heart Study, um dos mais respeitados estudos no assunto, por ter acompanhado diversas gerações (o estudo começou em 1948 e continua até hoje). Neste estudo, embora os participantes consumissem alimentos com grande quantidade de colesterol, não houve diferença nos níveis de colesterol em seu sangue. Veja a tabela abaixo:

Após anos de estudo, eles concluíram que não havia nenhuma relação comprovável entre a ingestão de gorduras e as doenças cardíacas. Aliás, até o próprio Ansel Keys, o “fundador” do mito, admitiu seu erro em 1997, declarando:

” Não existe a menor conexão entre o colesterol dos alimentos e o colesterol do sangue. E nós sabíamos disso o tempo todo. O colesterol da dieta não tem a menor importância, a não ser que você seja uma galinha ou um coelho.”

Galinhas e coelhos são essencialmente vegetarianos, por isso, quando foi realizado um estudo com estes animais onde eles eram alimentados com alto nível de colesterol em suas dietas, os bichinhos naturalmente desenvolveram Aterosclerose, já que sua fisiologia não é adaptada a digerir essa quantidade diária de colesterol.

Mas, voltando aos humanos… outros grandes estudos ainda insistiram na hipótese de que o colesterol na dieta estaria relacionado às doenças cardíacas, como o Multiple Risk Factor Intervention Trial, um dos maiores estudos médicos já realizado em humanos,  envolvendo 28 centros médicos e 250 pesquisadores. Os pesquisadores observaram 361.662 homens, e solucionaram aqueles que tinham o maior risco de sofrerem doenças cardíacas, para que os resultados do estudo fossem mais efetivos. Eles cortaram o consumo de colesterol em 42%, de gordura saturada em 28% e o total de calorias em 21%. E mesmo assim não houve sucesso. Os níveis de colesterol no sangue caíram minimamente, e o mais importante, as doenças cardíacas não foram afetadas. Os pesquisadores declararam que ” os resultados gerais não mostram um efeito benéfico nas doenças cardíacas ou na mortalidade total, neste estudo multifatorial.”

Existem diversos outros estudos sobre o assunto, e para quem estiver interessado, este artigo aqui é contém um bom resumo (em inglês). Com relação ao mito do colesterol, existe um segundo ponto divulgado erradamente (explicado clara e objetivamente pelo  Dr. Chris Kresser neste artigo do seu site) que os altos níveis de colesterol no sangue causam doenças cardíacas.

Este segundo ponto é conhecido pela comunidade científica como “a hipótese dos lipídios” e embora muitos médicos e a sabedoria popular aceitei esta hipótese como verdade, muitos dos pesquisadores atuais acreditam que as principais causas de doenças cardíacas são inflamações e stress oxidativo. Como Dr. Chris explica em seu site, se o colesterol causasse doença cardíaca, ele deveria ser um fator de risco para: 1) todas as idades; 2) ambos os sexos; 3) todas as populações do mundo. Além disso, se isso fosse verdade, poderíamos esperar que reduzindo os níveis de colesterol no sangue, reduziríamos também a doença cardíaca, o que, infelizmente, não acontece.

A frequência de doenças cardíacas em homens de 65 anos é dez vezes maior do que em homens de 45 anos. Um estudo recente no Journal of American Medical Association indicou que o alto nível de colesterol LDL não e um fator de risco para a morte por doenças coronárias, ou para a mortalidade total.

Outro ponto contra a “hipótese dos lipídios” é que mulheres sofrem 300% menos doenças cardíacas do que os homens, embora tenham maiores níveis de colesterol no sangue. Na última Conferência sobre Baixo Colesterol Sanguíneo, que revisou 11 grandes estudos incluindo 125.000 mulheres, foi determinado que não havia nenhum relação entre os níveis totais de colesterol e mortalidade por doenças cardiovasculares ou qualquer outras causas.   

Além disso, o colesterol não é um fator de risco em todas as populações do mundo. Aliás, algumas das populações com maior nível de colesterol sanguíneo tem menores frequências de doenças cardíacas, e vice versa!

Como vocês podem ver, muito do que ouvimos hoje é baseado na falta de informação e hipóteses mal comprovadas! É hora de voltar com os ovos e a manteiga na sua dieta!!

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