Vídeo: O problema dos grãos

Mais um vídeo muito bom! Nesta entrevista com Mark Sisson, ele fala sobre o problema dos grãos, como estão relacionados à doenças como a síndrome do intestino solto, e como prejudicam nossa saúde, dificultando a absorção de cálcio e causando doenças inflamatórias. É bem rápido e vale a pena assistir!

* Para legendas em português feitas por nós, clique em CC.

 

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Vídeo: O problema da pirâmide alimentar

Mais um vídeo – eu não me canso deles! Acho que são uma maneira rápida de aprender conceitos fundamentais sobre um estilo de vida mais saudável.

Gary Taubes é o autor de Nobel Dreams (1987), (Sonhos Nobel) Bad Science: The Short Life and Weird Times of Cold Fusion (1993) (Ciência Ruim: A vida curta e tempos estranhos de fusão fria) e Good Calories, Bad Calories (2007) (Calorias Boas, Calorias Más), com o subtítulo de The Diet Delusion (2008) (A ilusão das dietas) no Reino Unido e na Austrália. Seu livroWhy We Get Fat: And What to Do About It (Porque engordamos: e o que fazer sobre isso) foi lançado em dezembro de 2010.

Nesta entrevista na rede de TV ABC, ele explica como a pirâmide alimentar foi desenvolvida por advogados, ao invés de médicos, nutricionistas e profissionais da saúde, com o objetivo de fortalecer a indústria da agricultura, que é subsidiada pelo governo. Além disso, esclarece os motivos pelos quais a sociedade está se tornando cada vez mais obesa e menos saudável.

Para ver o vídeo com as legendas em português que nós fizemos, clique em CC.

Enjoy!

Dica de leitura

Mais uma nova categoria, ótima para quem quer conhecer mais sobre o estilo de vida primal, mas não sabe por onde começar…

Hoje vou indicar um blog amigo, o Vida Primal, que também fala sobre o estilo de vida primal de maneira bem simples. Mais precisamente, quero indicar dois posts específicos, que contém a tradução de uma fantástica entrevista com o Dr. William Davis, autor do livro “Wheat Belly” (Barriga de trigo, tradução livre). A entrevista é absolutamente esclarecedora, principalmente para aqueles que ainda tem dúvidas sobre os males causados pelos grãos e carboidratos de alto índice glicêmico.

Não deixem de visitar!

Parte 1: http://vidaprimal.wordpress.com/2011/10/02/entrevista-com-o-dr-william-davis-parte-12/

Parte 2: http://vidaprimal.wordpress.com/2011/11/14/entrevista-com-o-dr-william-davis-parte-22/

Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 4

Depois de muito tempo, vamos para a última parte do Artigo da Semana.

Para ler as anteriores: parte 1 ,  parte 2 e parte 3. 

GORDURAS E ÓLEOS INDUSTRIALIZADOS

O império dos alimentos processados é construído nas gorduras e óleos industriais, extraídos do milho, grãos de soja e outras sementes. O óleo vegetal cru – que é escuro, pegajoso e fedorento – é submetido a processamentos horrendos para produzir os óleos de cozinha claros como margarina, óleo de soja, etc. Os passos inclusos no processamento são: decruagem, clareamento, desodorização, filtrageme remoção das saturadas para tornar o óleo mais líquido. No processo, os nutrientes e antioxidantes desaparecem, mas não os pesticidas. A maior parte dos processadores também adicionam  solvente de hexano para extrair até a ultima gota de óleo das sementes. O refinamento cáustico, o mais utilizado no refinamento de óleos, envolve o uso de químicos muito alcalinos no óleo.

Para fazer uma gordura sólida do óleo líquido, os produtores submetem o óleo a um processo chamado de hidrogenação parcial. O óleo é extraído por meio de alta temperatura e pressão, e as partículas restantes do óleo são extraídas por meio de solvente de hexano. Os produtores então limpam o óleo usando vapor, o que remove todas as vitaminas e os antioxidantes, mas, é claro, os solvente e os pesticidas permanecem. Estes óleos são misturados com um catalisador de níquel, e então, submetidos a alta temperatura e pressão, são inundados com gás hidrogênio. O que entra no reator é um óleo líquido, o que sai dele é uma massa fedorenta que se parece com um queijo cottage cinza. Emulsificantes são adicionados para suavizar as bolotas que se formam e o óleo é vaporizado novamente, para se livrar do cheiro fedorento. O próximo passo é o clareamento, para eliminar a cor cinza. Neste ponto, o produto pode ser chamado de “óleo vegetal puro”. Para fazer a margarina, sabores artificiais e vitaminas sintéticas são adicionadas. Porém, o governo não permite que a indústria adicione corantes artificiais, eles devem adicionar corantes naturais. A margarina então é embalada e vendida como um produto saudável.

A gordura saturada é o tipo de gordura encontrada na banha de porco, manteiga e óleo de coco. As moléculas de gordura saturada são retas, por isso se agrupam com facilidade. É por isso que a gordura saturada fica dura em temperatura ambiente. A gordura insaturada tem uma pequena curva em cada ligação dupla, com dois átomos de hidrogênio saindo para fora do mesmo lado. E quando esta molécula é incorporada nas suas células, o seu corpo quer que estes dois átomos de hidrogênio estejam do mesmo lado da cadeia de carbono, formando uma nuvem de elétrons; é aí que as interações químicas controladas acontecem.

Durante o processo de hidrogenação parcial, um destes átomos de hidrogênio é movido para o outro lado, fazendo com que a molécula fique reta, comportando-se quimicamente como uma gordura saturada – embora bioquímicamente, ela se comporte muito diferente. A molécula original, insaturada, é chamada de ácido graxo “cis”, pois os dois hidrogênios estão juntos, então ela se transforma em um ácido graxo trans, pois os dois hidrogênios estão em lados opostos (trans significa oposto). O seu corpo não sabe que esta nova molécula é algo que nunca existiu antes na natureza, e quando você come uma destas gorduras trans, ela fica presa dentro da membrana celular. Por causa do rearranjo químico, as reações químicas que deveriam acontecer não podem se realizar. As enzimas e receptores não funcionam mais. Quanto mais gordura trans você consome, mais parcialmente hidrogenadas as suas células se tornam e mais caos você causa no nível celular do seu corpo.

De cima para baixo: gordura saturada, gordura natural monoinsaturada e gordura trans

Todos os tipos de margarina, mesmo as sem gordura trans, são feitas com estes ingredientes prejudiciais. Eles são utilizados em batatinhas e bolachas, e a maioria dos restaurante os utiliza nas frituras. Até o começo da década de 80, os restaurantes fast food cozinhavam suas frituras em gordura animal, que é uma gordura segura, mas agora eles usam gordura parcialmente hidrogenada, como o óleo de soja.

No passado, quando você fazia sobremesa para as crianças, pelo menos o açúcar que estas sobremesas tinham era combinado à manteiga, ovos, creme e nozes – todos alimentos bons e naturais. Hoje, os fabricantes podem imitar a manteiga, ovos, creme e nozes, então tudo o que você tem é o açúcar, óleos industriais e outros ingredientes artificiais nestas sobremesas prontas.

Muitas doenças tem sido associadas ao consumo de gorduras trans – doenças cardíacas, câncer e degeneração de juntas e tendões.  A única razão pela qual nós estamos comendo estas coisas é porque nos disseram que a gordura saturada – manteiga, banha, óleo de coco, óleo de palma – são ruins para nós e causam doenças cardíacas. Estas afirmações não passam de propaganda da indústria.

O PREÇO OCIDENTAL

Weston A. Price descobriu que as populações, ao adotarem os alimentos processados em suas dietas, vem apresentando uma diminuição da sua estrutura facial a cada geração. Rostos saudáveis devem ser fortes. Nós todos fomos devemos ter dentes completos e sem cavidades. Quando você está se alimentando de comidas reais, densas em nutrientes, você tem a perfeita expressão do seu potencial genético. Nós recebemos um planta perfeita. Se o templo corporal será construído de acordo com esta planta depende, em grande quantidade, da sabedoria das nossas escolhas alimentares.

Quando as sociedades primitivas abandonaram as suas dietas tradicionais e começaram a ingerir alimentos processados, a próxima geração desenvolveu uma estrutura facial mais frágil e diversas doenças. Nós sabemos que se continuarmos nesta dieta por três gerações, a reprodução cessa. Este é o preço terrível do ocidente, o preço ocidental. A civilização irá morrer a não ser que se adote o estilo alimentar dos nossos ancestrais. Isso significa virar as costas para os alimentos processados e voltar para a cozinha, para preparar alimentos reais – contendo gorduras saudáveis – para nós e nossas famílias.

A MELHOR MANEIRA DE PREPARAR A COMIDA – COM AMOR

A preparação de comida é na verdade um ritual sagrado: de acordo com o conhecimento esotérico “se uma mulher pudesse ver as partículas de luz que saem de suas mãos quando ela cozinha e a energia que entra no alimento que ela está preparando, ela veria o quanto dela mesma entra na refeição que ela prepara para sua família e amigos. Esta é uma das atividades mais importantes e é pouco compreendido pelas pessoas que os sentimentos que vão na preparação de um alimento afeta a todos que irão comê-lo depois. Esta atividade deve ser feita sem pressa, com paz e felicidade porque a energia que flui naquele alimento impacta na energia daquele que o recebe”.

” É por isso que os líderes espirituais do oriente nunca ingerem alimentos que não sejam preparados por seus discípulos. A pessoa preparando o alimento pode ser a única que é espiritualmente elevada. ”

Para ser saudável, é preciso preparar sua própria comida, para você e sua família. Isso não significa que você precise passar horas na cozinha, mas é necessário sim, passar algum tempo lá, preparando comida com sabedoria e amor. Se ninguém na família tem tempo de cozinhar, você precisa sentar e repensar como está usando o seu tempo, pois este é o único modo de dar alimentos nutritivos aos seus filhos. Nós podemos retornar às boas práticas alimentares uma boca de cada vez, uma refeição de cada vez, preparando nossa própria comida e fazendo-o da maneira correta.

Chegamos ao fim deste artigo, semana que vem trago um novo artigo interessante para vocês!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

Por que temos desejos por açúcar e massas?

Uma historia típica de uma pessoa viciada em açúcar (acredito que mais de 95 % da população em certo grau são viciados) é mais ou menos como essa:

Eu tenho desejos por açúcar até quando não estou com fome. Posso comer uma bela salada com arroz, feijão e carnes e ainda alguns minutos mais tarde eu vou ter desejos por doces. Eu geralmente como alimentos saudáveis (saudáveis dentro da concepção da maioria das pessoas, mas que aqui em nosso blog mostramos evidências de que não são) a maior parte do tempo, mas ainda assim tenho desejo por doces.

Toda minha família e amigos adoram doces e eu tento não comê-los mais. Quando consigo, eu geralmente como algumas barrinhas de cereais e pães com mel ou geléia entre as refeições, o que funciona por um tempo, mas mesmo assim não consigo emagrecer ou emagreço pouco temporariamente.

Minha resposta a este típico hábito bem como o comentário que ouço da maioria das pessoa é: “Não se preocupe, você não tem culpa.” E não tem mesmo! Você apenas foi enganado. Não há nada de errado com isso, todo mundo é ou já foi enganado em alguns momentos de suas vidas. Explicarei em mais detalhes.

Por influência da cultura, nós, brasileiros, nascemos condicionados a pensar que o prato que mais consumimos: arroz e feijão, é o prato mais saudável de todos. Afinal, nós já o consumimos há algumas gerações, assim como outros grãos, dentre os mais famosos, o trigo.

Ao longo dos anos, o interesse da população sobre nutrição e a questão da sustentabilidade dos meios de produção de alimentos tem aumentado consideravelmente.

Informações sobre alimentação na internet vem nos condicionando a valorizar este hábito (coma muito arroz e feijão, pães integrais, frutas, sucos e verduras).

Até comunidades mais controversas e não convencionais, como a comunidade vegetariana no Brasil, vem crescendo consideravelmente nos últimos anos, junto com o Yôga e o aumento do interesse das classes mais altas quanto a alimentação. Essa tendência tem ganhado muito apoio da mídia nacional e internacional ultimamente. A partir daí o mercado passou a investir nessa tendência, por meio do desenvolvimento de linhas de produtos que se enquadram dentro desse perfil, como produtos como soja, barrinha de cereal, aveia e outros.

Apesar da maior consciência da população quanto a importância da nutrição, o nível de doenças crônicas como obesidade, diabete, artrite e câncer vem crescendo consideravelmente junto com essa tendência.

Temos que manter isso estes fatos em mente e analisar o papel do hormônio insulina para respondermos a pergunta: Por que temos desejos por açúcar e doces??

A resposta para essa pergunta com certeza está relacionada à produção desse hormônio, que é responsável por gerar tantos problemas de saúde, quando produzido em grandes quantidades.

Mas o que isso tem a ver com o açúcar?

Pesquisas feitas com animais de laboratórios, estudos controlados, assim como observações populacionais, tem provado que a insulina é o hormônio de maior importância em relação à obesidade. Quanto maior a produção de insulina, maior é a quantidade de gordura visceral (barriga), acumulada entre o fígado e os órgãos, e maior distribuição desproporcional de gordura no corpo (barriga nos homens, pernas e glúteos nas mulheres).

Sim, mas por que esse hormônio tem a ver com os cereais integrais e o açúcar?

Estes experimentos tem mostrado que quanto mais açúcar, ou grãos (trigo integral, arroz e milho) são dados aos animais maior é a produção de insulina. Aqui está o porquê de termos sido enganados: os grãos, junto com o açúcar, são os principais causadores de obesidade.

Quando consumimos arroz, barrinhas de cereais, pães, macarrão e milho, a quantidade de glicose (açúcar) que entra na corrente sanguínea é muito maior e mais rápida do que de outros alimentos, como os vegetais e as carnes. Há uma diferença muito grande no metabolismo da glicose entre estes alimentos, o suficiente para que com o consumo de grãos ou açúcar a glicose sanguínea seja suficiente para produzir enormes quantidades do hormônio insulina. No entanto, ao consumirmos carnes e vegetais, a glicose entra em nosso sangue tão devagar a ponto de gerar variações mínimas no nível de glicose em nosso sangue e como conseqüência, produzir quantidades mínimas, ou seja, saudáveis, de insulina, o que não irá comprometer a saúde dos órgãos a longo prazo.

A obesidade é uma questão hormonal, causada pela quantidade de insulina que seu corpo produz em resposta a determinados alimentos e não uma questão de quantas calorias estamos consumindo. O conceito de calorias é praticamente inútil para nós, essa teoria foi criada recentemente após a segunda guerra mundial pela Associação Médica dos EUA,  baseada em uma teoria falsa de que quanto mais calorias consumimos mais engordamos. Essa teoria não bate com teorias de cientistas austríacos e de diversos países da Europa, que eram a norma antes da segunda guerra mundial. As autoridades médicas americanas continuam se recusando a aceitar milhares de evidências científicas e observacionais de que a obesidade é causada pela insulina.

Já foi provado cientificamente que a insulina é responsável pelo aumento de gordura corporal, e continuamos a ser instruídos erroneamente por autoridades nutricionais ou médicas, que simplesmente não possuem conhecimento sobre os fatores que geram o acúmulo de gordura, pois seguem recomendações das autoridades americanas (dá para notar o belo trabalho que estão fazendo por lá).

Gostaria de que vocês mantivessem algumas destas informações em mente, porque o sucesso de vocês com a dieta Primal (dieta próxima do que foi consumido durante 99,9% do período de nossa evolução genética como espécie – mais de 2 milhões de anos) depende da compreensão de que a insulina é responsável pelo acúmulo de gorduras em nosso corpo e ela é produzida quando consumimos grãos (arroz, pães, massas e milho) ou açúcar e não quantas calorias de vegetais ou gorduras estamos ingerindo. De fato, como já foi comprovado cientificamente, quanto mais gorduras consumimos (saturadas e monoinsaturadas) maior o potencial para emagrecermos, uma vez que nos sentimos mais saciados e as comemos no lugar desses carboidratos nocivos (grãos).

Diversos estudos observacionais feitos com animais e seres humanos (com populações isoladas que consomem pelo menos 30% da dieta em forma de gorduras), e milhares de depoimentos de quem segue a dieta Primal (veja aqui alguns deles) provam que quanto mais gorduras saturadas principalmente e monoinsaturadas consumimos menor é o nível de gordura corporal.

Nosso objetivo com a dieta Primal é fornecer a vocês leitores cada vez mais informações e referências que comprovam estes fatos e também guiá-los para que alcancem seus objetivos por meio do estilo de vida Primal.

Thanks a lot.

Porque não havia câncer entre os Esquimós?

As sociedades caçadoras-coletoras do mundo tem uma taxa extremamente baixa de câncer. Este fato, embora bem conhecido no século 19 e começo do século 20 entre a comunidade médica e científica, é praticamente esquecido ou ignorado nos tempos atuais, de modo a se tornar obscuro.

Médicos do ártico notaram que os esquimós eram notavelmente saudáveis e embora sofressem de algumas das doenças transmitidas pelo homem branco,  não desenvolveram nenhum tipo de doenças crônicas, que hoje em dia consideramos costumeiras, como obesidade, doenças cardiovasculares, câncer, diabete, prisão de ventre, apendicite, entre outras. Muitos dos médicos europeus e norte americanos decidiram fazer pesquisas e ir para a ao ártico, assim que descobriram que os esquimós não desenvolvem câncer. Essas pesquisas começaram em 1850 e duraram até 1920, quando esquimós tradicionais, que não foram influenciados pela alimentação ocidental, se tornaram difíceis de encontrar.

Um dos médicos se chamava capitão George B. Leavit, que pesquisou, ou melhor, procurou câncer entre os esquimós de 1885 à 1907. Junto com sua equipe de médicos, ele alegou que examinou dezenas de milhares de esquimós e não encontrou uma única incidência de câncer. Ironicamente, ao mesmo tempo, Leavit estava diagnosticando casos de câncer entre sua tripulação e outras populações que se alimentavam com a dieta ocidental, que consistia principalmente de farinha de trigo e alimentos enlatados. É importante notar que os esquimós tinham muita confiança nos ocidentais, o que permitia que médicos os examinassem regularmente, além do fato de andarem sem vestir a parte de cima de suas roupas, o que permitia um contato visual constante pelos médicos, o que tornaria relativamente fácil detectar sinais de câncer.

Um estudo foi publicado em 1934 pelo “’F.S Fellows” nos relatórios de saúde publica do tesouro Americano, chamado “Mortalidade entre raças nativas do território do Alasca com referencia especial a tuberculose”. Nele contem uma tabela mostrando a taxa de mortalidade de câncer entre diversas regiões do Alasca, sendo todas elas influenciadas pela alimentação ocidental em certo grau. No entanto, algumas regiões foram mais influenciadas que outras. Segue a porcentagem de mortes por câncer em ordem decrescente de influência ocidental:

Em azul: homem branco, em vermelho: esquimós

É interessante notar a coerência entre o índice de câncer e o grau de influência ocidental na alimentação das respectivas regiões. Os alimentos mais consumidos pelos ocidentais na região eram farinha de trigo, açúcar e alimentos enlatados. Curioso, hein?

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você (parte 2)

Na primeira parte deste post, vocês viram como foi criado o mito da gordura saturada e porque ela foi considerada prejudicial à saúde. Agora vamos mostrar as evidências que provam o contrário!
 
O estudo de Keys
 
No estudo dos 6 países realizado por Ancel Keys, os dados disponíveis dos outros 16 países foram ignorados, para que o a correlação que ele desejava obter fosse alcançada. Se ele tivesse escolhido outros 6 países, como apresentado nos quadros abaixo (tanto da esquerda como da direita) ele poderia ter demonstrado que quanto maior o percentual de gordura na dieta, menor o número de mortes por doenças cardíacas.
 

Observe os quadros da parte de baixo da figura. Keys não foi honesto em seus estudos...

 
Povos com o menor risco de doenças cardíacas – Massai, Inuit, Rendille e Tokelau
 
Massai – a dieta da tribo Massai, que vive no Quênia e nodeste da Tanzânia, consiste em carne, leite e sangue de gado, num total de 66% de gordura.
 
Inuit – os Inuit, esquimós do ártico, se alimentam basicamente de carne e gordura de baleia, que tem 75% de gordura e eles vivem vidas longas, livres de doenças cardíacas e câncer.
 
Rendille – a tribo Rendille, que vive no deserto de Kaisut, no nordeste do Quênia, se alimenta de leite e carne de camelo, e uma mistura de leite e sangue de camelo, conhecida como “banjo”. A dieta deles tem 63% de gordura.
 
Tokelau – eles vivem em três ilhas na Nova Zelândia e se alimentam basicamente de peixe e coco, com 60% de gordura.
 
(Ainda vamos falar mais sobre estas tribos aqui no blog, aguardem!)
 
 Além destas tribos, qualquer bebê alimentado com leite materno em qualquer país do mundo tem uma dieta alta em gordura saturada. O leite materno possui 54% de gordura saturada.
 
A dieta dos caçadores – coletores
  • consumiam grandes quantidades de alimentos de origem animal
  •  preferiam as partes mais gordurosas do animal (orgãos, lingua, cérebro e medula óssea)
  • pouca quantidade de carboidratos presentes nas plantas (sementes, nozes, tubérculos, raízes, frutas – nada de açúcares, grãos e leguminosas)
 Estas informações foram obtidas em um estudo realizado pelo Dr. Loren Cordain, publicado no American Journal of Clinical Nutrition. Este estudo é considerado como a maior e mais completa análise já feita sobre a dieta paleolítica dos caçadores-coletores. Os antropólogos avaliaram as dietas de 229 populações caçadoras-coletoras, que sobreviveram até o século 20 e que podem ser vistas como substitutas aos nossos ancestrais paleolíticos da idade da pedra.
 
Estes caçadores-coletores dos tempos modernos, quando conseguiam ter acesso, consumiam altas quantidades de alimentos de origem animal, que compunham de 85 a 100% da sua ingestão de calorias, como no caso dos Massai, Inuit e Rendille. Eles consumiam quase toda a carne animal, incluindo os orgãos, língua, medula óssea e cérebro. Outros animais carnívoros fazem a mesma coisa. Os leões, por exemplo, comem os orgãos e a gordura de suas presas, deixando a carne magra e musculosa para trás.
Já que os caçadores-coletores não praticavam a agricultura, eles não tinham milho, arroz ou trigo para se alimentarem. Eles só obtinham uma pequena quantidade de carboidratos por meio de plantas selvagens, sementes, nozes, raízes, tubérculos e frutas.
 

Café da manhã primal

 
A dieta humana ao longo da história
 
A era paleolítica ou idade da pedra, durou 2,5 milhões de anos, começando com o nosso ancestral humano Homo hablis e progredindo por várias espécies, até chegar à nossa, Homo sapiens, que existe há cerca de 200.000 anos.  
A era da agricultura começou há aproximadamente 10.000 anos atrás e, durante este tempo, por 500 gerações, o consumo de carboidratos foi aumento gradualmente. Mesmo assim, no começo da revolução industrial, há 250 anos atrás, o consumo de açúcar ainda era 1/50 do que é hoje. Agora nós estamos consumindo uma quantidade enorme de carboidratos em grãos, derivados do leite, bebidas, açúcares refinados, balas e outros doces, isso tudo junto com óleos vegetais processados e molhos prontos que não existiam na nossa dieta durante 99,9% da nossa história como seres humanos. Durante este período, o genoma humano se tornou adaptado a seguir uma dieta com altas quantidades de gordura e pequenas quantidades de carboidratos. Ainda assim, as autoridades atuais sobre saúde nos dizem para fazer o oposto e seguir uma dieta pobre em gorduras e rica em carboidratos. Não é à toa que as taxas de obesidade crescem tanto.
 
Framingham Study
 
Impossível não comentar sobre as envidências encontradas no maior estudo já realizado com o intuito de descobrir as causas de doenças cardíacas (já falei sobre ele aqui). Em 1987, os pesquisadores do Framingham Study publicaram estas duas conclusões no renomado Journal of the American Medical Association: 1) Acima de 50 anos, não há aumento na taxa de mortalidade por doenças cardíacas tanto em pessoas com alto teor de colesterol no sangue, quanto em pessoas com baixo teor de colesterol no sangue; 2) Em pessoas com um nível de colesterol decrescente, para cada 1% de queda no colesterol houve um aumento de 11% na taxa de mortalidade para os próximos 18 anos.
Depois, em 1992, nos Archives of Internal Medicine, o terceiro diretor do estudo (o estudo começou em 1948 e é realizado até hoje), Dr. William Castelli declarou: “Neste estudo, quanto mais gordura saturada, mais colesterol e mais calorias alguém consome, menor é o nível de colesterol no sangue desta pessoa (…) nós descobrimos que as pessoas que consumiam mais colesterol também consumiam mais gordura saturada, mais calorias, pesavam menos e eram mais ativas fisicamente”.
 
A maioria dos médicos nunca ouviu falar sobre estas descobertas porque, basicamente, as organizações médicas como a American Heart Association, agências do governo e a indústria farmacêutica simplesmente ignoram estes acontecimentos. Afinal, receitar medicamentos para reduzir o colesterol é uma indústria que movimenta U$ 25 bilhões por ano.
 
Gordura saturada e doenças cardíacas
 
 
 
 A figura acima mostra uma correlação inversa entre o consumo de carne vermelha e a taxa de doenças cardíacas. Países com o menor consumo de gordura saturada tem as maiores taxas de doenças cardíacas. Georgia, Tadjisquistão, Azerbaijão, Moldávia, Croácia, Macedônia e Ucrânia (quadro de cima na figura) tem um consumo de gordura saturada menor que  7,5% do total de calorias, que é exatamente o recomendado pela USDA, a nossa Pirâmide Alimentar e a American Heart Association. No entanto, as suas taxas de mortalidade por doenças cardíacas é bastante alta. Austria, Finlândia, Bélgica, Islândia, Holanda, Suíça e França (quadro de baixo na figura) tem os maiores níveis de gordura saturada em suas dietas e as menores taxas de doenças cardíacas. A França, que tem o maior consumo de gordura saturada tem a menor taxa de morte por doenças cardíacas dentro destes 14 países.
 
Por que a gordura saturada é boa para nós?
 
A importância biológica da gordura saturada
 
Existe uma razão para que o leite materno tenha 54% de gordura saturada. As membranas celulares precisam de ácidos gordurosos  para funcionar corretamente e se tornarem “à prova d’água”. O coração prefere a gordura saturada de cadeia longa, com 16 átomos de carbono (ácido palmítico) e de 18 carbonos (ácido esteárico) para o obter energia. Os ossos precisam da gordura para assimilar o cálcio efetivamente. Ela protege o fígado dos efeitos adversos do álcool e medicamentos como Tylenol. O sufactante pulmonar é composto inteiramente do ácido plamítico, e quando este é presente em quantidades suficientes, pode prevenir asma e outros distúrbios respiratórios. As gorduras saturadas funcionam como sinalizadores para a produção de hormônios. Ela tem um papel importante no sistema imunológico porque incentivam as glóbulos brancos no sangue a destruírem bactérias invasivas, vírus e fungos e a combaterem tumores. E oa ácidos de cadeia média matam bactérias e o fungo candida. Gorduras saturadas também enviam sinais de saciedade, então você para de comer porque se sente satisfeito, perde gordura e mantém um peso normal. E, o mais importante, comer gordura saturada reduz o consumo de carboidratos e óleos vegetais que prejudicam a sua saúde.
 
Manteiga x Doenças
 
Para finalizar, deixo vocês refletindo sobre o gráfico abaixo. Chega de acreditar na propaganda daquela “margarina amiga do coração”. Chega do combo peito-de-frango-grelhado-e-alface. Traga a picanha, a manteiga, o óleo de coco de volta para a sua vida  e seja magra (ou magro), feliz e saudável!!
 

Linha amarela: consumo de manteiga. Linhas vermelha e rosa: Doenças cardíacas e câncer, respectivamente.

Movimente-se! O efeito da atividade física no cérebro

Como a cultura mudou os hábitos do Homo Sapiens

Hoje inauguro mais uma seção no blog! Movimente-se é um seção dedicada às atividades físicas, parte importante e essencial do estilo de vida Primal. As atividades físicas têm sido recomendadas por cientistas e médicos para o tratamento de depressão e a melhoria da memória. Exercícios, em particular, levam a produção de certos neurotransmissores no cérebro responsáveis por aliviar a dor física e mental e aumentar o potencial sináptico, ou seja, fortalecer as conexões dos neurônios no cérebro. Boa parte dos cientistas também acredita que a atividade física promove o crescimento de novos neurônios. A maioria das pesquisas nessa área tem sido focadas em exercícios aeróbicos, que exercem seu efeito no cérebro por meio de vários mecanismos, incluindo a neurogenesis, melhora do humor e liberação de endorfina. Tentarei descrever como esses mecanismos agem para melhorar as funções cognitivas e para melhorar o humor. Depois, irei explicar porque o exercício é naturalmente rejeitado em nossa sociedade atual, apesar dos enormes efeitos de recompensa gerados após a prática. 
 

Uma das mudanças mais significativas gerada pela prática regular de exercícios aeróbicos é a neurogenesis, ou seja, criação de novos neurônios. Novos neurônios são gerados no hipocampo, a área do cérebro responsável pela criação de memórias e  inteligência espacial. Em nível celular, o estresse gerado pelo exercício físico é responsável por estimular o fluxo de cálcio, que ativa os “fatores de transcrição”,nos neurônios do hipocampo já existentes. Os fator de transcrição ativa a expressão do gene, ou seja o fator neurotrófico entregue ao cérebro (BDNF), criando proteínas BDNF que agem para promover neurogeneses. Assim a geração do BDNF é uma resposta protetora ao stress e o BDNF age não somente para gerar novos neurônios, mas também para proteger os já então existentes e para promover plasticidade cerebral (plasticidade cerebral é a eficiência da transmissão sináptica entre neurônios, que é considerada a base para o aprendizado e a memória).

A manutenção dos neurônios do hipocampo é particularmente mais relevante para indivíduos acima dos 30 anos, já que é nessa idade que o corpo naturalmente começa a sofrer perda gradual de conexões cerebrais devido a perdas hormonais. Os exercícios aeróbicos agem de forma a reforçar as conexões cerebrais entre neurônios, criando uma rede mais densa, a qual se torna mais capaz de processar e guardar informações. Este fato somado com pesquisas controladas sugere que os exercícios aeróbicos agem com efeito terapêutico para a prevenção de doenças degenerativas como o Alzheimer e Parkinson, que progridem por meio da perda de neurônios. Realmente a correlação entre Alzheimer e estilo de vida, como atividades físicas, relações sociais, prática de uma segunda língua é obvia e já foi provada por muitas pesquisas. Além disso, o exercício tem demonstrado maior proteção contra Parkinson em experimentos em laboratórios com ratos, pois aumentam a produção do neurotransmissor Dopamina, que é responsável pela excitação, atenção e concentração.
 
A melhora cognitiva foi constatada pela seguinte pesquisa controlada: um grupo de indivíduos de 60 a 75 anos e um grupo de indivíduos de 18 a 24 anos foram acompanhados realizando exercícios em um ambiente controlado. O resultado foi a melhora de funções cognitivas como planejamento, organização e memória de trabalho no grupo de indivíduos mais velhos, enquanto no segundo grupo os benefícios foram menos óbvios. Em compensação, uma análise de ondas cerebrais foi conduzida para medir a velocidade cerebral em resposta a estímulos antes e após o inicio das atividades físicas. No grupo mais jovem, houve um aumento de 35- milissegundos na velocidade, no segundo grupo, houve menor perda cognitiva.

Exercícios e felicidade

Não é possível somente se exercitar para alcançar excelência cognitiva, porém a atividade física otimiza os funções cognitivas durante atividades que demandam raciocínio lógico. É possível se exercitar para alcançar melhora de humor e mais felicidade, já que ela tem mostrado grande correlação como tratamento de depressão em diversos estudos. O que normalmente gera a depressão é a falta de um neurotransmissor inibidor responsável pela regulação do humor chamado serotonina, junto como o neurotransmissor excitatório noradrenalina. Os exercícios em geral aumentam a concentração desses neurotransmissores por meio da estimulação do sistema nervosa. Mais além a serotonina tem uma relação recíproca com o BDNF, já que o BDNF aumenta a produção de serotonina e ao mesmo tempo a serotonina estimula a produção do BDNF. Como o exercício aumenta a produção de BDNF diretamente, ocorre um reforço do ciclo de serotonérgico no BDNF, indicando que atividade física tem uma grande potencial para melhorar o humor.

 Outro fator a ser considerado é a endorfina, que é um hormônio liberado pela glândula pituitária em resposta ao stress ou dor. Exercícios aeróbicos, principalmente, estimulam a produção de endorfinas após 30 minutos de atividade. A endorfina tende a minimizar o desconforto do exercício e ainda gera uma sensação de euforia. Não se sabe se a endorfina é diretamente responsável pela sensação de euforia ou se ela age bloqueando a dor e assim permitindo que o sentimento de prazer associado aos neurotransmissores como a dopamina e serotonina se tornem mais aparentes. Se o último for verdadeiro, significa que há uma conexão com o BDNF via ciclo da Serotonina- BDNF. Novamente o BDNF é o neurotransmissor responsável pelo benefício dos exercícios, de forma a minimizar a resposta do corpo ao stress e que promove a neurogenese. A endorfina é viciante portanto uma vez que uma rotina for estabelecida o corpo sentirá necessidade de doses regulares de endorfina. De fato, o efeito da endorfina é muito notável e se assemelha a opióides como a morfina e a heroína.
 
Sendo tantos os benefícios associados a atividade física, qual será o motivo pelo qual somente 15% dos americanos fazem atividades físicas?
 
A razão talvez se fundamente no fato de que o ser humano moderno, diferentemente de nossos ancestrais da época pré-agricultura que surgiu aproximadamente á 10.000 anos atrás, não depende da caça para sobreviver, pois a agricultura proporcionou um rápido estoque de alimentos anuais. Sendo assim o as atividades físicas se tornaram menos necessárias para a sobrevivência do ser humano aparentemente a curto prazo. Isso fez com que o ser humano ficasse menos motivado a se locomover e assim gerando o hábito sedentário.
 
Mas então porque que sabendo de todos os benefícios associados à prática regular de exercícios, o ser humano em geral não se compromete?
 
Nosso mecanismo cerebral responsável pela motivação ocorre nos centros dopaminérgicos do cérebro, o qual opera por meio do ciclo estímulo-resposta, que se baseia no princípio de que para haver motivação e portanto estímulos é necessário que exista uma gratificação imediata.  A resposta certamente está no fato de que a recompensa ou gratificação gerada pela atividade é atrasada, ou seja, não se pode notar um efeito imediato. São necessários 30 minutos de atividade para que o efeito eufórico seja alcançado. Este efeito nem sempre é alcançado por indivíduos que não tem o hábito de se exercitarem. Com tantas distrações em nossa sociedade atual, como trabalho, televisão e vídeo games, estamos nos tornando habituados com esse estilo de vida. Além disso, temos o fato de que o subconsciente pode usar o sentimento de fadiga como uma resposta antecipada de regulação ao exercício, a fim de preservar a homeostase, assim possivelmente desencorajando a continuação do exercício por tempo suficiente.
 
Conclui-se que é mais provável que em curto prazo somente a dor e o desconforto associado a pratica de atividades físicas é percebido por não adeptos, assim os tornando mais propensos a desistir. Para que ela passe a fazer parte da rotina das pessoas em nossa sociedade talvez seja preciso encontrar meios de motivação para a sociedade em geral, para que seu efeito eufórico seja notado para que assim o corpo naturalmente trabalhe para que a prática seja desejada e conseqüentemente incorporada em nosso cotidiano.

Nos próximos posts explorarei a relação entre nossa alimentação e hábitos sedentários.
 
Um ótimo dia a todos.

Referências

  • McKimmie, Marnie. (2005). “Walk away from depression.” The West Australian (Perth), online.
  • “How to Maintain Brain Power.” (2005). Help the Aged, online.
  • “Exercise fatigue may be part of a response coordinated in the subconscious brain.” (2004). Obesity, Fitness & Wellness Week, online.
  • “Keep Your Noggin Fit With Brain Exercise.” (2003). Southern Illinois Healthcare, online.
  • Francis, Lori. “The Biology of Pleasure.” online.
  • “How Does Exercise Affect Our Mood?”
  • Russo-Neustadt, A.A., R.C. Beard, Y.M. Huang, and C.W. Cotman. (2000). “Physical Activity and Antidepressant Treatment Potentiate the Expression of Specific Brain-Derived Neurotrophic Factor Transcripts in the Rat Hippocampus.” Neuroscience, 101, 305-312.*
  • Rhodes, Justin S., Susan Jeffrey, Isabelle Girard, Gordon S. Mitchell, Henriette van Praag, Theodore Garland, Jr., and Fred H. Gage. (2003). “Exercise Increases Hippocampal Neurogenesis to High Levels but Does Not Improve Spatial Learning in Mice Bred for Increased Voluntary Wheel Running.” Behavioral Neuroscience, 117, 1006-1016.*
  • Mattson, Mark P., Wenzhen Duan, Ruqian Wan, and Zhihong Guo. (2004). “Prophylactic Activation of Neuroprotective Stress Response Pathways by Dietary and Behavioral Manipulations.” NeuroRx.
  • Farley, Tom, and Deborah Cohen. (2001). “Fixing a Fat Nation.” Washington Monthly, online.
  • “The Antidepressive Effects of Exercise.” online.
  • Sanders, Jenny. “Brain Physiology.”

Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 3

Depois da parte 1 e da parte 2, vamos para a terceira e penúltima parte deste artigo! Estou dividindo bastante para não ficar cansativo, ok? Então, vamos saber um pouco mais sobre as sopas prontas…

CALDO NATURAL NUTRITIVO

No passado, muitas culturas tradicionais se utilizavam do osso de animais para fazer caldo. Elas reconheciam as propriedades saudáveis do caldo de osso assim como o sabor que o osso dava às sopas, molhos e ensopados. A ciência moderna nos mostra que os caldos caseiros feitos com ossos são verdadeiras maravilhas no que diz respeito à propriedades de cura; eles fornecem minerais em abundância, fortalecem ossos e tendões, restauram o intestino e nos ajudam a desintoxicar. A gelatina feita do caldo de osso (mocotó) é um grande digestivo natural.

SOPAS INDUSTRIAIS

A maioria das bases que compõe sopas e molhos comerciais contém sabores artificiais de carne, que imitam aqueles que nós conseguíamos com o caldo natural feito com osso. Esse tipo de “atalho” significa que os consumidores foram rapidamente enganados. Quando os caldos caseiros foram empurrados para fora pelos substitutos mais baratos, uma importante fonte de minerais desapareceram da dieta Americana. O efeito de engrossamento da gelatina pode ser imitado pelos emulsificantes, mas, é claro, os benefícios à saúde foram perdidos. Gelatina é algo muito saudável para se ter na dieta. Ela ajuda você a digerir as proteínas mais adequadamente e apoia a sua saúde digestiva como um todo.

Pesquisas sobre gelatina e caldos caseiros chegaram ao fim na década de 50, quando as empresas alimentícias descobriram como induzir a Relação de Maillard – o processo de se criar compostos de sabor a partir de uma mistura entre açúcar e aminoácidos, sob alta temperatura – e produziram os sabores similares à carne em laboratório. Em um relatório da empresa General Foods de 1947, químicos previram que, em breve, quase todos os sabores naturais seriam sintetizados quimicamente. Depois da Segunda Guerra Mundial, as empresas de alimento americanas descobriram o glutamato monossódico, um ingrediente que os japoneses inventaram em 1908 para realçar o sabor dos alimentos, incluindo os sabores de carne. Nós, de fato, temos receptores na nossa língua para o glutamato – ele é a proteína que o corpo humano reconhece na carne – mas o glutamato no MSG ( = glutamato monossódico) tem uma configuração diferente, que não pode ser assimilada corretamente pelo corpo. Qualquer proteína pode ser hidrolisada (quebrada em seus componentes, aminoácidos) para produzir uma base contendo MSG. Quando a indústria aprendeu como sintetizar o sabor de carne em laboratório, usando proteínas baratas de grãos e legumes, a porta se abriu para um novo fluxo de produtos, incluindo caldo de carne em cubinhos (caldo Knorr), mix para sopas desidratado (sopas Vono e Maggi), molhos prontos e condimentos com sabor de carne.

A indústria de fast food não poderia existir sem o MSG e os sabores artificiais de carne, que induziram o consumidor a se alimentarem de comida sem sabor. Os molhos em diversos alimentos processados comercialmente contém MSG, água, emulsificantes e corante de caramelo. Sua língua é levada a pensar que está consumindo algo nutritivo, quando na verdade não está recebendo nada além de substâncias tóxicas.

As chamadas sopas caseiras na maioria dos restaurantes geralmente são feitas misturando água com uma base de sopa em pó feita de proteína hidrolisada e sabores artificiais, e essa mistura, são adicionados os vegetais e outros ingredientes. Mesmo as sopas de lagosta e de peixe na maioria dos restaurantes de frutos do mar são feitas a partir de alguma mistura em pó com sabor artificial.

A indústria acha que até mesmo alho e cebola tem um custo muito alto, por isso usam sabores artificiais de alho e cebola para temperar. É tudo baseado no lucro, sem nenhuma atenção à saúde do consumidor.

Os fabricantes se livram dos requerimentos nos rótulos, já que se o mix dos temperos tem menos de 50% de MSG, eles não precisam indicar a existência do MSG no rótulo. Você pode ter notado que a frase “sem MSG” não existe mais. Ela desapareceu porque a indústria descobriu que havia MSG em todos os mix de temperos!

PROBLEMAS DE SAÚDE

Enquanto a indústria estava adicionando MSG aos alimentos em cada vez maiores quantidades, em 1957 cientistas descobriram que os ratos ficaram cegos e obesos quando MSG foi administrado em sua alimentação. Em 1969, lesões causadas por MSG foram encontradas na região do hipotálamo no cérebro dos ratos. Estudos subseqüentes indicaram os mesmos resultados. MSG é uma substância neurotóxica que causa uma série de reações nos seres humanos, desde dores de cabeça temporárias a danos permanentes no cérebro. Também é associado a comportamentos agressivos. Nós tivemos um enorme aumento na incidência de Alzheimer, câncer no cérebro, esclerose múltipla e outras doenças do sistema nervoso, e um dos culpados são os sabores artificiais nos nossos alimentos.

95% dos alimentos processados contém MSG, e, no final da década de 50, ele ainda era adicionado às papinhas de bebê. Os fabricantes disseram que o retiraram voluntariamente das papinhas, mas na verdade, eles apenas o chamaram de “proteína hidrolisada”.

Um livro excelente do Russell Blaylock, chamado Excitotoxinas, descreve como as células nervosas ou se desintegram ou encolhem na presença livre de ácido glutamato, se o mesmo passa pelas barreiras do sangue para o cérebro. O glutamato do MSG é absorvido diretamente da boca para o cérebro. Alguns investigadores acreditam que o aumento na violência deste país começado em 1960 é devido ao aumento do uso de MSG no começo da década de 50, particularmente quando era adicionado à papinha de bebê.

Dica: se você quer usar um bom caldo (de carne, frango ou legumes) na sua alimentação, faça o seu próprio (tem receita aqui), ou, se mora em São Paulo, pode encomendar da Pat. Eu sempre compro e uso nas minhas sopas e carnes que faço, é maravilhoso!!

Chegamos ao fim da terceira parte, semana que vem finalizo o artigo falando sobre as gorduras industriais. Fique ligado!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 2

Continuando o artigo da semana passada, vamos para a segunda parte, desta vez descobrindo um pouco mais sobre alguns alimentos muito presentes no nosso dia a dia.

LEITE

O leite é um dos alimentos mais perfeitos da natureza. A maior parte do nosso leite vem de um animal sagrado, a vaca. Atualmente, no entanto, com o sistema industrial, nós aprisionamos as vacas em ambientes fechados durante todas as suas vidas, nós lhes damos alimentos inapropriados como soja, sobras de padaria, cascas frutas cítricas e lavagem da produção de etanol, ou seja, alimentos que elas não estão adaptadas a comer. O ambiente confinado e a alimentação inapropriada faz as vacas adoecerem, por isso elas precisam de antibióticos e outras drogas. Nós cruzamos as vacas para obter a raça que produza mais leite, e damos hormônios à elas com o mesmo propósito. Estas vacas produzem grande quantidade de leite aguado, que tem apenas metade da gordura do que o leite tradicional, produzido por vacas alimentadas a pasto. Este leite é enviado às fábricas para ser processado.

Dentro das fábricas, o leite é completamente refeito. Como descrito por Emily Green, no Los Angeles Times, a centrífuga separa o leite entre gordura, proteína e vários outros sólidos e líquidos. Uma vez separados, estes são recombinados em níveis específicos, para obter o leite integral, semi-desnatado e desnatado. De todos os leites reconstituídos, o leite integral é o que mais se aproxima do leite original da vaca. O que resta deste processo é usado na fabricação de manteiga, nata, queijo, leite em pó e vários outros derivados do leite. A indústria de laticínios promove os leites desnatados e semi-desnatados porque ela pode lucrar mais com a gordura do leite quando utilizada na fabricação de sorvete. Quando eles removem a gordura do leite para fazer leite desnatado, esta é substituída por leite concentrado em pó, que é fabricado por meio de um spray para secagem em alta temperatura.

Depois disso, o leite é condicionado em tanques (não refrigerados) e transportado para as plantas de engarrafamento. O leite é pasteurizado à 72˚C por 15 segundos, passando rapidamente por pratos de aço inoxidado superaquecidos. Se a temperatura é maior que 110˚C (acima do ponto de fervura) o leite é considerado ultrapasteurizado. O leite ultrapasteurizado tem um sabor diferente, mas é esterilizado e pode resistir mais tempo nas prateleiras dos supermercados. Ele pode ser vendido na seção de refrigerados, para que o consumidor pense que é fresco, mas ele não precisa ser armazenado desta maneira. O leite também é homogenizado por um sistema de pressão que quebra as gorduras em glóbulos, para que o leite não se separe. Uma vez processado, o leite pode durar semanas e não dias.

O processamento torna o leite difícil de ser digerido e causa alergia à sua proteína (lactose). Animais que foram alimentados exclusivamente de leite pasteurizado tiveram deficiência de nutrientes e se tornaram inférteis após várias gerações.

Felizmente, o leite de verdade produzido por vacas alimentadas a pasto, não pasteurizado, não processado ou homogenizado, está sendo disponibilizado cada vez mais. Na verdade, a demanda por leite de verdade está crescendo rapidamente. Para encontrar onde comprar leite cru, visite Realmilk.com (Infelizmente, a venda de leite cru é proibida por lei no Brasil, então não é possível encontrar à venda aqui. A única alternativa é encontrar algum fazendeiro de confiança que possa vender o leite cru.)

Para fazer leite em pó, o fluído é forçado por pequenos buracos, submetidos à alta pressão e então soprado e lançado ao ar. Isto causa a formação de nitratos e o colesterol do leite é oxidado. Ao contrário da opinião popular, o colesterol não é um demônio e sim seu melhor amigo (para saber mais sobre colesterol, clique aqui), você não tem que se preocupar em evitar comidas que contenham colesterol, mas você deve sim evitar o colesterol oxidado. Evidências indicam que o colesterol oxidado pode iniciar o processo de aterosclerose.

Leite em pó é adicionado aos leites desnatados e produtos do leite para engrossa-los. Então, quando você consome leite ou iogurtes desnatados, pensando que isso vai te ajudar a prevenir doenças, você está de fato consumindo colesterol oxidado, que pode iniciar o desenvolvimento de doenças cardíacas!

SUCO DE LARANJA

Esse sim pode ser chamado de suco de laranja

Agora, vamos focar no suco de laranja, outro componente do nosso “café da manhã saudável”, junto com o cereal e o leite desnatado. Um artigo do Processed and Prepared Foods descreve que “a nova fábrica de processamento de suco de laranja é completamente automatizada e pode processar até 1.800 toneladas de laranja por dia, para produzir suco concentrado congelado, suco fortificado, óleo extraído da casca e alimento para gado”. O novo método de produção de suco usa toda a laranja na máquina. Um outro resumo diz: “Vários sprays ácidos que melhoram a qualidade da casca e aumentam a quantidade de suco são adicionados à estas laranjas processadas.” Estes compostos são adicionados para extrair a maior quantidade de suco e óleo da casca possíveis. A plantação de laranja é infestada de um pesticida chamado “inibidor cholinesterase”, que é altamente tóxico ao sistema nervoso. Quando eles colocam a laranja inteira nas cubas e as espremem, todo esse pesticida vai para o suco. Então, eles adicionam ácidos para extrair todo o suco destas laranjas, o que transforma o suco de laranja comercial em uma sopa muito tóxica. Esta pode ser uma razão pela qual o consumo de suco de frutas é associado ao aumento da incidência de demência.

E a casca da laranja usada para alimentar gado? A casca da laranja que sobra do processo de fabricação do suco é seca e processada em bolos, que ainda estão lotados de inibidores cholinesterase. Mark Purdey, na Inglaterra, mostrou como esta prática está relacionada com a doença da vaca louca. O uso de organofosfatos tanto como spray nas vacas quanto como um componente da sua alimentação, causa a degeneração do cérebro e do sistema nervoso da vaca, e se faz isso com as vacas, existe uma possibilidade de estar fazendo com você também.

O governo dos Estados Unidos tenta dar a impressão de que a pasteurização do suco é necessária para garantir a nossa segurança. No entanto, pode ser surpreendente pra você saber que pesquisadores descobriram que fungos são resistentes à pressão e ao calor usados no processamento do suco. Eles descobriram que 17% das embalagens de suco de laranja da Nigéria e 20% dos sucos de manga e tomate contém esses fungos resistentes ao calor. Eles também encontraram E.coli no suco de laranja, pois estes resistiram a pressão e sobreviveram à pasteurização. Há bastante risco de contaminação nestes sucos pasteurizados.

Em um estudo, o suco de laranja tratado com calor e hidrolisado com ácido foi testado para ver se havia mutação genética. Os autores do estudo descobriram que o aquecimento produz agentes intermediários que, dentro das condições testadas, deram origem a mutação genética e citotoxidade (células tóxicas). Em outras palavras, existem componentes causadores de câncer no suco de laranja.

Então, se você quiser suco no seu café da manhã, evite sucos comerciais processados. Ao invés disso, esprema suas laranjas (orgânicas, de preferência) e faça o seu próprio suco!

A segunda parte deste artigo acaba por aqui, mas aguardem… semana que vem falarei sobre sopas industriais!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

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