Fibras na dieta Primal

Ultimamente tenho ouvido comentários de amigos que estão seguindo a dieta primal e estão tendo dificuldades em soltar o intestino.

A maioria das pessoas são bombardeadas por anúncios de venda de produtos para soltar o intestino, os quais não estamos geneticamente adaptados a consumir como espécie, portanto, não saudáveis. Estes alimentos clichês geralmente são a aveia, arroz integral gérmem de trigo, pão integral, barrinhas de cereal, etc (com exceção de linhaça moída e gergelim). As pessoas foram convencidas pela industria de “alimentos naturais” de que precisam desses alimentos, de tal forma que não conseguem imaginar uma dieta sem esses produtos e preferem acreditar nessas falsas autoridades nutricionais que os recomendam. Um dos motivos pelo qual as pessoas se convenceram de que esses alimentos são importantes ou gostam de consumi-los é porque eles aumentam o nível de glicose no sangue, o que gera um efeito calmante chamado por muitos especialistas de “ O barato do açúcar, ou sugar high”. Isso faz com que o corpo produza grande quantidade do hormônio insulina, como analisamos nos posts anteriores e portanto leva ao acúmulo de gordura corporal.

O aumento do nível de glicose no sangue age nas mesmas áreas cerebrais e com semelhante efeito cerebral que o gerado pelo uso da cocaína e de anfetaminas. Aumenta a produção do neurotransmissor dopamina, que gera um barato bom que nos deixa motivados, mas que ao mesmo tempo é viciante, ou seja, leva nosso humor para baixo quando o nosso nível sanguíneo está baixo. Por esse e outros motivos precisamos nos curar desse vício para podermos manter nosso humor mais estável com maior facilidade, emagrecermos, não sentirmos “desejos” por alimentos nocivos como esses e nos tornarmos seres humanos mais equilibrados.

Com certeza, muitos Brasileiros sofrem de problemas de cólon e que a maioria deles não consome a sugestão do governo de 20 a 25g de fibras por dia. A dieta Primal consiste em alimentos ricos em fibras e muito superiores aos dos recomendado pelas “autoridades”. Você pode consumir muitas fibras e sentir o alívio dos sintomas de constipação a curto e longo prazo adotando a dieta Primal. Muitas pessoas tem sentido constipações e sintomas desconfortáveis, incluindo o infrequente movimento do intestino, intestino preso e dores estomacais. A dieta ocidental moderna, que inclui muitos alimentos como pão, arroz e cereais e alimentos processados contribuem para o processo de constipação. A dieta Primal elimina estes culpados. Voce passará a se alimentar com alimentos naturais, os quais são ricos em fibras e comum aos seres humanos a mais de 2 milhoes de anos. Seu intestino preso sera coisa do passado.

Então, como obtemos bastante fibra na dieta Primal?

Em primeiro lugar, a dieta Primal se baseia no consumo da maior parte dos alimentos vindos de carnes (carne, frango, frutos do mar), ovos, vegetais, tubérculos, nozes e frutas. Ou seja, entre 45 e 75% de nossa dieta são de alimentos derivados de animais, como nossos ancestrais se alimentavam. Portanto, seus pratos devem estar cheios de vegetais e frutas fibrosas.

Vegetais e frutas ricas em fibras

A dieta Primal inclui grandes quantidades de vegetais e frutas para aliviar os sintomas do intestino preso. De acordo com o Dr. Jonny Bowden, autor do livro “Vivendo com poucos carboidratos” as pessoas costumavam consumir mais de 60g de fibras diárias antigamente. Hoje em dia, a maioria das pessoas não consome mais de 10 ou 15 g diárias. Os vegetais constituem 2 tipos de fibras: as fibras solúveis, que trazem água consigo e amolecem o intestino, e as fibras insolúveis, que aumentam a frequência e o volume das fezes. Para combater a constipação, ambas são necessárias.
Por exemplo, podemos incluir em nossa dieta 2 xicaras de espinafre, 1 de brócolis, 1 de couve flor e mais 1 de blueberry e já estaríamos consumindo 29g de fibras que eliminariam os sintomas do intestino preso.

A carne também reduz a constipação

Não são apenas as fibras que reduzem a constipação. Carnes orgânicas ricas em Omega 3 também ajudam a reduzir os sintomas de constipação de acordo com um estudo da European Journal of Clinical Nutrition, que mostrou que uma dieta com altos níveis de gordura acelera o tempo de transição gastrointestinal. Isso faz com que os restos de alimentos não digeríveis (fibras) transitem mais rápido pelo intestino, ao invés de ficarem presos. Isso acontece porque a vesícula biliar libera a bile para digerir a gordura. A secreção adequada da bile causa a contração de músculos digestivos, os quais aceleram a digestão.

Nozes e castanhas. Uma combinação de gorduras e fibras saudáveis

Incorpore alimentos fibrosos e ricos em gordura como nozes e castanhas. 1 quarto de xícara de nozes equivale a aproximadamente 10 g de Omega 3. Combine com mais um quarto de xícara de amêndoas e você terá 6 g de fibra.

Água e constipação

O seu corpo contém aproximadamente 60% de água. A desidaratação significa que o seu cólon absorve a água dos restos de comida, criando fezes duras. A água é um aliado subestimado no alívio da constipação. O Institute of Medicine’s Dietary Reference Intakes recomenda que mulheres saudáveis consumam cerca de 2 litros e meio de água, e homens saudáveis, cerca de 3 litros, por dia.

A constipação depende de varios fatores.

Stress, falta de exercícios e até mesmo a depressão contribuem para a constipação. Adotando o estilo de vida Primal você viverá de forma mais saudável e minimizará o efeito do estresse na sua vida.

Alguns dos alimentos Primal que contém grandes quantidades de fibras (consideravelmente mais do que os produtos modernos chamados de “saudáveis”) são:

Brócolis e couve- mantega:

Alimento primal essencial. Contém grandes quantidades de Proteínas (45%) e é rico em fibras. Brócolis e couve matega são os alimentos vegetais que tem maior quantidade de micronutrientes (vitaminas, minerais e antioxidantes por caloria), muito mais que as frutas e tubérculos.

Linhaça moída:
Um alimento que não falta nos meus pratos. Sempre coloco 1 ou duas colheres de linhaça moída na minha salada, ou junto com meus vegetais. Também faço de vez em quando uma vitamina batida com folhas de couve manteiga e duas colheres de linhaça. Está receita postaremos brevemente no blog.

Mandioquinha:
Sopa de mandioquinha ou de abóbora contém grandes quantidades de fibras solúveis.

Farinha de mandioca e farinha de tapioca (meu preferido):
Muito prático de se fazer (nossos índios sabiam o que estavam fazendo). Quando sinto meus níveis de stress estão altos por algum motivo, gosto de correr ao ar livre e em seguida comer uma tapioca junto com meia taca de vinho. Sinto que ela ajuda a soltar meu intestino mais que outros alimentos fibrosos. Gosto de comer tapioca também no café da manha com ovos, azeite e óleo de coco e às vezes queijo crú orgânico.

Referências:
–  “Living Low Carb”; Jonny Bowden, Ph.D.; 2010
– European Journal of Clinical Nutrition: Gastrointestinal Transit, Post-prandial Lipaemia and Satiety Following 3 Days High-fat Diet in Men

– Read more: http://www.livestrong.com/article/354769-the-paleo-diet-for-constipation/#ixzz1dJGAuMYn

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você (parte 2)

Na primeira parte deste post, vocês viram como foi criado o mito da gordura saturada e porque ela foi considerada prejudicial à saúde. Agora vamos mostrar as evidências que provam o contrário!
 
O estudo de Keys
 
No estudo dos 6 países realizado por Ancel Keys, os dados disponíveis dos outros 16 países foram ignorados, para que o a correlação que ele desejava obter fosse alcançada. Se ele tivesse escolhido outros 6 países, como apresentado nos quadros abaixo (tanto da esquerda como da direita) ele poderia ter demonstrado que quanto maior o percentual de gordura na dieta, menor o número de mortes por doenças cardíacas.
 

Observe os quadros da parte de baixo da figura. Keys não foi honesto em seus estudos...

 
Povos com o menor risco de doenças cardíacas – Massai, Inuit, Rendille e Tokelau
 
Massai – a dieta da tribo Massai, que vive no Quênia e nodeste da Tanzânia, consiste em carne, leite e sangue de gado, num total de 66% de gordura.
 
Inuit – os Inuit, esquimós do ártico, se alimentam basicamente de carne e gordura de baleia, que tem 75% de gordura e eles vivem vidas longas, livres de doenças cardíacas e câncer.
 
Rendille – a tribo Rendille, que vive no deserto de Kaisut, no nordeste do Quênia, se alimenta de leite e carne de camelo, e uma mistura de leite e sangue de camelo, conhecida como “banjo”. A dieta deles tem 63% de gordura.
 
Tokelau – eles vivem em três ilhas na Nova Zelândia e se alimentam basicamente de peixe e coco, com 60% de gordura.
 
(Ainda vamos falar mais sobre estas tribos aqui no blog, aguardem!)
 
 Além destas tribos, qualquer bebê alimentado com leite materno em qualquer país do mundo tem uma dieta alta em gordura saturada. O leite materno possui 54% de gordura saturada.
 
A dieta dos caçadores – coletores
  • consumiam grandes quantidades de alimentos de origem animal
  •  preferiam as partes mais gordurosas do animal (orgãos, lingua, cérebro e medula óssea)
  • pouca quantidade de carboidratos presentes nas plantas (sementes, nozes, tubérculos, raízes, frutas – nada de açúcares, grãos e leguminosas)
 Estas informações foram obtidas em um estudo realizado pelo Dr. Loren Cordain, publicado no American Journal of Clinical Nutrition. Este estudo é considerado como a maior e mais completa análise já feita sobre a dieta paleolítica dos caçadores-coletores. Os antropólogos avaliaram as dietas de 229 populações caçadoras-coletoras, que sobreviveram até o século 20 e que podem ser vistas como substitutas aos nossos ancestrais paleolíticos da idade da pedra.
 
Estes caçadores-coletores dos tempos modernos, quando conseguiam ter acesso, consumiam altas quantidades de alimentos de origem animal, que compunham de 85 a 100% da sua ingestão de calorias, como no caso dos Massai, Inuit e Rendille. Eles consumiam quase toda a carne animal, incluindo os orgãos, língua, medula óssea e cérebro. Outros animais carnívoros fazem a mesma coisa. Os leões, por exemplo, comem os orgãos e a gordura de suas presas, deixando a carne magra e musculosa para trás.
Já que os caçadores-coletores não praticavam a agricultura, eles não tinham milho, arroz ou trigo para se alimentarem. Eles só obtinham uma pequena quantidade de carboidratos por meio de plantas selvagens, sementes, nozes, raízes, tubérculos e frutas.
 

Café da manhã primal

 
A dieta humana ao longo da história
 
A era paleolítica ou idade da pedra, durou 2,5 milhões de anos, começando com o nosso ancestral humano Homo hablis e progredindo por várias espécies, até chegar à nossa, Homo sapiens, que existe há cerca de 200.000 anos.  
A era da agricultura começou há aproximadamente 10.000 anos atrás e, durante este tempo, por 500 gerações, o consumo de carboidratos foi aumento gradualmente. Mesmo assim, no começo da revolução industrial, há 250 anos atrás, o consumo de açúcar ainda era 1/50 do que é hoje. Agora nós estamos consumindo uma quantidade enorme de carboidratos em grãos, derivados do leite, bebidas, açúcares refinados, balas e outros doces, isso tudo junto com óleos vegetais processados e molhos prontos que não existiam na nossa dieta durante 99,9% da nossa história como seres humanos. Durante este período, o genoma humano se tornou adaptado a seguir uma dieta com altas quantidades de gordura e pequenas quantidades de carboidratos. Ainda assim, as autoridades atuais sobre saúde nos dizem para fazer o oposto e seguir uma dieta pobre em gorduras e rica em carboidratos. Não é à toa que as taxas de obesidade crescem tanto.
 
Framingham Study
 
Impossível não comentar sobre as envidências encontradas no maior estudo já realizado com o intuito de descobrir as causas de doenças cardíacas (já falei sobre ele aqui). Em 1987, os pesquisadores do Framingham Study publicaram estas duas conclusões no renomado Journal of the American Medical Association: 1) Acima de 50 anos, não há aumento na taxa de mortalidade por doenças cardíacas tanto em pessoas com alto teor de colesterol no sangue, quanto em pessoas com baixo teor de colesterol no sangue; 2) Em pessoas com um nível de colesterol decrescente, para cada 1% de queda no colesterol houve um aumento de 11% na taxa de mortalidade para os próximos 18 anos.
Depois, em 1992, nos Archives of Internal Medicine, o terceiro diretor do estudo (o estudo começou em 1948 e é realizado até hoje), Dr. William Castelli declarou: “Neste estudo, quanto mais gordura saturada, mais colesterol e mais calorias alguém consome, menor é o nível de colesterol no sangue desta pessoa (…) nós descobrimos que as pessoas que consumiam mais colesterol também consumiam mais gordura saturada, mais calorias, pesavam menos e eram mais ativas fisicamente”.
 
A maioria dos médicos nunca ouviu falar sobre estas descobertas porque, basicamente, as organizações médicas como a American Heart Association, agências do governo e a indústria farmacêutica simplesmente ignoram estes acontecimentos. Afinal, receitar medicamentos para reduzir o colesterol é uma indústria que movimenta U$ 25 bilhões por ano.
 
Gordura saturada e doenças cardíacas
 
 
 
 A figura acima mostra uma correlação inversa entre o consumo de carne vermelha e a taxa de doenças cardíacas. Países com o menor consumo de gordura saturada tem as maiores taxas de doenças cardíacas. Georgia, Tadjisquistão, Azerbaijão, Moldávia, Croácia, Macedônia e Ucrânia (quadro de cima na figura) tem um consumo de gordura saturada menor que  7,5% do total de calorias, que é exatamente o recomendado pela USDA, a nossa Pirâmide Alimentar e a American Heart Association. No entanto, as suas taxas de mortalidade por doenças cardíacas é bastante alta. Austria, Finlândia, Bélgica, Islândia, Holanda, Suíça e França (quadro de baixo na figura) tem os maiores níveis de gordura saturada em suas dietas e as menores taxas de doenças cardíacas. A França, que tem o maior consumo de gordura saturada tem a menor taxa de morte por doenças cardíacas dentro destes 14 países.
 
Por que a gordura saturada é boa para nós?
 
A importância biológica da gordura saturada
 
Existe uma razão para que o leite materno tenha 54% de gordura saturada. As membranas celulares precisam de ácidos gordurosos  para funcionar corretamente e se tornarem “à prova d’água”. O coração prefere a gordura saturada de cadeia longa, com 16 átomos de carbono (ácido palmítico) e de 18 carbonos (ácido esteárico) para o obter energia. Os ossos precisam da gordura para assimilar o cálcio efetivamente. Ela protege o fígado dos efeitos adversos do álcool e medicamentos como Tylenol. O sufactante pulmonar é composto inteiramente do ácido plamítico, e quando este é presente em quantidades suficientes, pode prevenir asma e outros distúrbios respiratórios. As gorduras saturadas funcionam como sinalizadores para a produção de hormônios. Ela tem um papel importante no sistema imunológico porque incentivam as glóbulos brancos no sangue a destruírem bactérias invasivas, vírus e fungos e a combaterem tumores. E oa ácidos de cadeia média matam bactérias e o fungo candida. Gorduras saturadas também enviam sinais de saciedade, então você para de comer porque se sente satisfeito, perde gordura e mantém um peso normal. E, o mais importante, comer gordura saturada reduz o consumo de carboidratos e óleos vegetais que prejudicam a sua saúde.
 
Manteiga x Doenças
 
Para finalizar, deixo vocês refletindo sobre o gráfico abaixo. Chega de acreditar na propaganda daquela “margarina amiga do coração”. Chega do combo peito-de-frango-grelhado-e-alface. Traga a picanha, a manteiga, o óleo de coco de volta para a sua vida  e seja magra (ou magro), feliz e saudável!!
 

Linha amarela: consumo de manteiga. Linhas vermelha e rosa: Doenças cardíacas e câncer, respectivamente.

Se delicie com a gordura saturada, ela é boa para você! (parte 1)

Sim, você leu certo. Eu disse neste post que ia começar a dar detalhes sobre a alimentação Primal, e decidi começar com um dos temas mais importantes e também mais polêmicos. Isso porque, nos últimos anos, a gordura (em especial a saturada) tem sido apontada como o vilão para a sua saúde e para a sua dieta. Se você já leu alguns dos meus posts aqui no primal brasil, já sabe que nada disso é fundamentado. Mas hoje vamos saber um pouco mais porque a gordura é tão essencial para nós.

Primeiro, vamos começar classificando os tipos de gordura:

Gordura Saturada

É classificada desta maneira por não possuir ligação dupla nos átomos de carbono de sua composição química, saturando, assim, os ácidos graxos (gordos) com átomos de hidrogênio. Ela ocorre de forma natural nos animais.

Presente na gordura animal, carne, ovos, manteiga e queijos. Também encontrada no óleo de coco e óleo de palma.

 Gordura Monoinsaturada

São ácidos graxos com uma ligação dupla entre carbonos em suas moléculas.

Presente no azeite de oliva e abacate.

 Gordura Poliinsaturada

É um ácido graxo com mais de duas ligações duplas entre carbonos nas suas moléculas. Os ácidos graxos ômega 6 são ácidos carboxílicos poliinsaturados, em que a dupla ligação está no sexto carbono a partir da extremidade, nos ácidos ômega 3, a dupla ligação está no terceiro carbono.

Omega 6: óleos vegetais (óleo de soja, de milho, de canola, de girassol) e amendoim.

Omega 3: óleo de peixe e peixes de água fria.

  Gordura Trans

Os átomos de hidrogênio ficam em lados opostos da cadeia, ao contrário das outras gorduras

São considerados especiais devido à sua conformação estrutural. Nos ácidos graxos cis, que é como geralmente são encontrados os ácidos graxos na natureza, as cadeias de carbono vizinhas à dupla ligação encontram-se do mesmo lado e nos ácidos graxos trans as cadeias se encontram alinhadas.

Presente na margarina, produtos industrializados, salgadinhos e bolachas recheadas.

Muito bem, agora que você já conhece melhor os tipos de gordura existentes, resta saber qual o impacto de tudo isso na sua vida. Por que algumas gorduras são consideradas boas e outras más? Qual a verdade sobre esse assunto? Vamos começar com um pouco de história…

Há cem anos atrás, menos de 1% da população americana era obesa e doenças cardíacas eram desconhecidas. As principais causas de morte eram pneumonia, diarréia e tuberculose. Hoje, as duas causas de morte mais comuns são doenças cardíacas e câncer, responsáveis por 75% das mortes no país.

1911 – Procter & Gamble lança no mercado o Crisco, um produto derivado de semente de algodão, sendo o primeiro produto com gordura trans a ser comercializado. A empresa começou a promover este novo produto e a partir de então, os óleos vegetais foram gradualmente substituindo a manteiga e banha de porco (gordura saturada) no dia a dia das pessoas.

1913 – um fisiologista russo começa a alimentar coelhos com alimentos com alta dose de colesterol, causando aterosclerose nos pequenos animais. (Claro, coelhos são vegetarianos e não tem capacidade para digerir gordura animal, ao contrário dos homo sapiens aqui. Malditos russos!) É lançado o mito do colesterol.

1953 – Ancel Keys publica o famoso estudo dos seis países, que correlaciona as mortes de doenças cardíacas com a porcentagem de gordura na dieta. Como eu já disse aqui, dos 22 países com dados disponíveis, Ancel selecionou apenas os 6 que mostrariam os resultados que ele queria.

O estudo de Keys com os 6 países que ele selecionou

1977 – O Comitê de Nutrição e Necessidades Humanas dos EUA lança o “McGovern Report” onde estabelece “metas de alimentação para os Estados Unidos”, com o objetivo de reduzir o consumo de gordura e evitar alimentos com alto índice de colesterol. Essas metas se tornaram a política oficial do governo.
 
 1984 – O Centro de Ciências para o Interesse Público, que defende os interesses do consumidor, forçou as redes de fast-food a pararem de cozinhar com gorduras animais e óleos tropicais (gordura saturada). Na época, o  McDonald’s fritava suas batatas com a gordura da carne e óleo de palma, por isso as batatas eram tão saborosas.  Mas depois do ataque do Centro de Ciências, o McDonald’s e outras redes foram obrigadas a adotarem as gorduras parcialmente hidrogenadas e óleos vegetais com gordura trans.
 
1992 – O departamento de agricultura dos EUA publica a Pirâmide Alimentar. A pirâmide reúne os alimentos em seções, e traz a mensagem de que gorduras fazem mal e que carboidratos são saudáveis. Por isso, as porções de carboidratos são as maiores (de 6 a 11) e a de proteínas (2 a 3) e gorduras (usar moderadamente) são limitadas.
1980 a 2011 – desde 1980 até hoje, o departamento de agricultura e o departamento de saúde e serviços humanos dos EUA publicam a cada 5 anos, uma atualização do Guia de Alimentação para Americanos. O mais recente, publicado em dezembro de 2010, recomenda reduzir a ingestão de gordura saturada para 7% do total de calorias, reduzindo 3% desde a última recomendação.
 
Como vocês puderam ver, a demonização da gordura foi resultado da manipulação de alguns estudos, conclusões tendenciosas de outros e artimanhas das grandes empresas para vender seus produtos. No próximo post, vamos olhar com atenção para algumas evidências que mostram exatamente o oposto do que tem sido falado ultimamente.

O mito do colesterol

Colesterol é um álcool policíclico de cadeia longa, encontrado nas membranas celulares e transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas celulares dos mamíferos. A maior parte do colesterol presente no corpo é sintetizada pelo próprio organismo, sendo apenas uma pequena parte adquirida pela dieta. [Fonte: Wikipédia]

O colesterol tem sido apontado injustamente como o vilão das doenças cardíacas a muito tempo. Basicamente, o mito do colesterol surgiu após um estudo conduzido em 1953, pelo médico americano Ancel Keys, em que ele comparava a taxa de mortalidade por doenças cardíacas de um determinado país com a quantidade de gordura ingerida pela população deste mesmo país, demonstrando que a taxa de mortalidade era proporcional ao consumo de gordura. Infelizmente, apesar da grande quantidade de dados disponíveis, Keys utilizou-se apenas daqueles que podiam comprovar sua teoria e assim, surgiu o mito do colesterol.

Depois disso, vários estudos foram conduzidos ao redor do mundo para comprovar a hipótese de Keys, entre eles o Framingham Heart Study, um dos mais respeitados estudos no assunto, por ter acompanhado diversas gerações (o estudo começou em 1948 e continua até hoje). Neste estudo, embora os participantes consumissem alimentos com grande quantidade de colesterol, não houve diferença nos níveis de colesterol em seu sangue. Veja a tabela abaixo:

Após anos de estudo, eles concluíram que não havia nenhuma relação comprovável entre a ingestão de gorduras e as doenças cardíacas. Aliás, até o próprio Ansel Keys, o “fundador” do mito, admitiu seu erro em 1997, declarando:

” Não existe a menor conexão entre o colesterol dos alimentos e o colesterol do sangue. E nós sabíamos disso o tempo todo. O colesterol da dieta não tem a menor importância, a não ser que você seja uma galinha ou um coelho.”

Galinhas e coelhos são essencialmente vegetarianos, por isso, quando foi realizado um estudo com estes animais onde eles eram alimentados com alto nível de colesterol em suas dietas, os bichinhos naturalmente desenvolveram Aterosclerose, já que sua fisiologia não é adaptada a digerir essa quantidade diária de colesterol.

Mas, voltando aos humanos… outros grandes estudos ainda insistiram na hipótese de que o colesterol na dieta estaria relacionado às doenças cardíacas, como o Multiple Risk Factor Intervention Trial, um dos maiores estudos médicos já realizado em humanos,  envolvendo 28 centros médicos e 250 pesquisadores. Os pesquisadores observaram 361.662 homens, e solucionaram aqueles que tinham o maior risco de sofrerem doenças cardíacas, para que os resultados do estudo fossem mais efetivos. Eles cortaram o consumo de colesterol em 42%, de gordura saturada em 28% e o total de calorias em 21%. E mesmo assim não houve sucesso. Os níveis de colesterol no sangue caíram minimamente, e o mais importante, as doenças cardíacas não foram afetadas. Os pesquisadores declararam que ” os resultados gerais não mostram um efeito benéfico nas doenças cardíacas ou na mortalidade total, neste estudo multifatorial.”

Existem diversos outros estudos sobre o assunto, e para quem estiver interessado, este artigo aqui é contém um bom resumo (em inglês). Com relação ao mito do colesterol, existe um segundo ponto divulgado erradamente (explicado clara e objetivamente pelo  Dr. Chris Kresser neste artigo do seu site) que os altos níveis de colesterol no sangue causam doenças cardíacas.

Este segundo ponto é conhecido pela comunidade científica como “a hipótese dos lipídios” e embora muitos médicos e a sabedoria popular aceitei esta hipótese como verdade, muitos dos pesquisadores atuais acreditam que as principais causas de doenças cardíacas são inflamações e stress oxidativo. Como Dr. Chris explica em seu site, se o colesterol causasse doença cardíaca, ele deveria ser um fator de risco para: 1) todas as idades; 2) ambos os sexos; 3) todas as populações do mundo. Além disso, se isso fosse verdade, poderíamos esperar que reduzindo os níveis de colesterol no sangue, reduziríamos também a doença cardíaca, o que, infelizmente, não acontece.

A frequência de doenças cardíacas em homens de 65 anos é dez vezes maior do que em homens de 45 anos. Um estudo recente no Journal of American Medical Association indicou que o alto nível de colesterol LDL não e um fator de risco para a morte por doenças coronárias, ou para a mortalidade total.

Outro ponto contra a “hipótese dos lipídios” é que mulheres sofrem 300% menos doenças cardíacas do que os homens, embora tenham maiores níveis de colesterol no sangue. Na última Conferência sobre Baixo Colesterol Sanguíneo, que revisou 11 grandes estudos incluindo 125.000 mulheres, foi determinado que não havia nenhum relação entre os níveis totais de colesterol e mortalidade por doenças cardiovasculares ou qualquer outras causas.   

Além disso, o colesterol não é um fator de risco em todas as populações do mundo. Aliás, algumas das populações com maior nível de colesterol sanguíneo tem menores frequências de doenças cardíacas, e vice versa!

Como vocês podem ver, muito do que ouvimos hoje é baseado na falta de informação e hipóteses mal comprovadas! É hora de voltar com os ovos e a manteiga na sua dieta!!

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