Artigo da Semana: Como a agricultura arruinou sua saúde (e o que fazer quanto a isso)

Esta seção é dedicada à tradução de artigos relacionados ao estilo de vida primal. É direcionada para aqueles que querem saber um pouco mais sobre o assunto e desejam se aprofundar em alguns aspectos específicos. Se você acabou de conhecer o blog, clique aqui.

Você está acima do peso. Me desculpe por ser tão direto, mas provavelmente é verdade: a maioria dos adultos vivendo em países ocidentais está acima do peso. Grande parte deles são obesos.

Metade de vocês está tomando, pelo menos, um remédio prescrito. Metade dos idosos toma, pelo menos, três. Você pode não estar tomando nada, mas você conhece alguém que está.

Isso soa normal? Quero dizer, doenças crônicas perpétuas e obesidade são o estado normal de existência para nós? Nossa constituição é tão falha que não conseguimos nos manter vivos sem pílulas e médicos?

Não. Absolutamente não. Não foi sempre assim, vocês sabiam?

A primeira grande virada aconteceu com a Revolução da Agricultura. Por volta de 10.000 anos atrás, quando os antigos caçadores-coletores começaram a plantar sementes, em fileiras organizadas, algo aconteceu. A população explodiu, pois agora nós tínhamos uma fonte estável de calorias. Vilas e cidades de expandiram, porque nós não precisávamos mais ir atrás de nossa comida. Nós podíamos apenas planta-la onde vivíamos.

Essas coisas soam como boas, certo? Mais abrigo e comida soa bem, não soa?

Bem, outra coisa aconteceu, também. Aqueles primeiros agricultores eram menores do que os antigos caçadores-coletores que eles substituíram. Eles não viviam por tanto tempo e tinham cérebros menores. Eles tinham muito mais doenças infecciosas e cáries. Resumindo, eles não eram tão saudáveis quanto os caçadores-coletores. Mesmos genes, mesmos Homo sapiens, ambiente diferente e saúde pior.

Mas espera aí – grãos integrais são supostamente saudáveis. Qualquer instituição do governo recomenda que os grãos integrais sejam grande parte da nossa dieta. Como podem os grãos e a agricultura terem causado todos aqueles problemas de saúde aos nossos ancestrais?

O grande problema dos grãos é que eles não ligam para você. Pense sobre isso: um grão é uma planta bebê. Ou um ovo de trigo, se você preferir. Para que este trigo possa passar a diante os seus genes, este grão precisa chegar até o chão, germinar e crescer para repetir o processo. Assim como a galinha precisa proteger seus ovos e mantê-los quentes até que se rompam, o grão precisa de maneiras para se manter protegido durante este processo e impedir que outros animais o comam.

Infelizmente para o grão, ele não tem pernas, dentes, asas ou garras. Ele não pode lutar. Ele não pode correr dos predadores. Ele parece indefeso, parado como um punhado de trigo.

Os grãos são tudo, menos indefesos. Eles têm uma série de defesas químicas, incluindo várias lectinas, glúten e ácido fítico, que desordenam sua digestão, causam inflamação e te impedem de absorver nutrientes e minerais que são vitais.

Todos os grãos contém alguns ou todos esses antinutrientes, em diversos níveis, então, quando nossos ancestrais começaram a fazer refeições regulares à base de grãos, a sua saúde sofreu com isso.

Ok – então nós temos os registros fósseis para provar que a agricultura dos grãos trouxe doenças e saúde inferior para a população humana, mas nós não sabemos se estes primeiros fazendeiros eram obesos. Eles provavelmente não eram. Mesmo se você olhar para as fotos dos americanos na década de 30 até a década de 60, quase todo mundo é magro. Como isso é possível?

Vamos continuar.

 Isso me leva à segunda virada: o final dos anos 70. Até aquela época, as taxas de obesidade nos EUA tinha se mantido constante, por volta dos 12% da população adulta. Não era ótima, mas não tão ruim para uma sociedade com acesso fácil à comida.

No começo dos anos 80, as coisas mudaram. As taxas de obesidade começaram a subir constante e consistentemente até hoje, onde quase 30% da população adulta é obesa e 70% está acima do peso e/ou é obesa. 1 em cada 3 adultos são obesos. Mais de 2 em cada 3 estão acima do peso. Isso parece certo?

O que mudou?

A propaganda da dieta baixa em gordura começou. Foi dito às pessoas que a gordura e o colesterol estava matando-as (baseado em ciência ruim) e as tornando mais gordas.

Então, para evitar toda essa gordura, eles começaram a comer mais grãos, carboidratos e outros alimentos processados com baixa gordura.

A outra coisa sobre os grãos (e carboidratos em geral) é que eles elevam os níveis de insulina do seu corpo. A insulina é necessária para transportar nutrientes, como carboidratos e proteína, para as várias células do corpo. Você come carboidratos e a insulina lida com eles. Mas, se você comer muitos carboidratos – como, por exemplo, uma pessoa que sempre ouviu que nunca deveria comer gordura e que poderia comer o quanto quisesse de grãos e produtos processados, com pouca gordura e muito açúcar – sem se exercitar insanamente, o seu corpo libera insulina em excesso e você se torna resistente à insulina.

Quando você é resistente à insulina, qualquer quantidade de carboidrato é intolerável. Ele vai virar gordura corporal e quanto mais gordura corporal você tem, mais resistente à insulina você se torna. Quanto mais resistente à insulina você é, menos nutrientes são transportados para as suas células, significando que você continua com fome, mesmo quando está comendo, então, você come mais carboidratos que você não consegue tolerar. É um ciclo vicioso, como você pode ver, e nos leva à bagunça em que vivemos hoje.

Para piorar ainda mais as coisas, a maior parte dos carboidratos que estamos consumindo hoje vem na forma de açúcar, ou ainda de uma fonte mais barata e popular, o xarope de milho, rico em frutose. Ambas as formas de açúcar são ricas em frutose, que o fígado transforma em glicogênio, um tipo de energia baseada em carboidratos, até que as reservas de glicogênio estejam cheias. Estas reservas de glicogênio se enchem rápido, já que a maioria das pessoas não estou usando o glicogênio (o que é meio difícil de fazer quando você tem que trabalhar em um escritório e fica preso no trânsito o dia todo), essa frutose se torna gordura no fígado.

Juntas, a dieta rica em açúcar e grãos refinados e a dieta baixa em gorduras, se tornaram a população obesa e doente que vemos hoje. A boa notícia é que resolver o problema – pelo menos em nível individual – é fácil.

Tudo o que você tem que fazer é seguir a lei número 9 do Primal Blueprint: evitar coisas venenosas. Aquelas toxinas que os grãos utilizam para se defender? Estes são os venenos que você deveria parar de comer.

Então, livre-se dos grãos. Aqui você vê como. Livre-se do pão. Reduza seu consumo geral de carboidratos. (Veja aqui a curva de carboidratos). Mesmo se você não está acima do peso, eu garanto que você vai se sentir melhor sem este veneno na sua vida.

P.S. Você sabe o que não deve comer e porque não deve comer. Mas o que você deve comer? Veja aqui.

Este artigo é uma tradução de um newsletter enviado por Mark Sisson, no mês de dezembro de 2011.

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5 Comentários

  1. Hoje acompanho poucos blogues, mas ocasionalmente gosto de ver a evolução dos blogues novos como o Primal Brasil. Gosto bastante deste blogue, no geral acho que tem ideias muito boas, como as de Mark Sisson, que funcionam e já ajudaram muita gente. No entanto, acho que o primordial será sempre a teoria evolucionária, que se sobrepõem a qualquer individualidade, por mais persuasiva que ela seja. Em particular, as supostas diferenças entre primal e paleo, sempre me pareceram fantasiosas. Por mais que se tente, nunca existirá uma dieta primal ou paleo, nem uma dieta do Dr. Cordain ou do Sr. Sisson. O que existiram foram dietas primitivas, ancestrais, tradicionais, profundamente diferenciadas conforme a região do globo, nomeadamente nos macronutrientes, e determinadas pelo contexto ecológico. Isto é o fundamental, todas as demais teorias anti-carbohidratos (não-modernos) têm pouca base, conforme se evidencia no blogue da CarbSane ou no Whole Health Source. O pouco que se sabe é que os povos primitivos, enquanto mantiveram os seus estilos de vida, dietas incluídas, não sofriam das modernas doenças da civilização que hoje presenciamos. E também sabemos que o genoma humano, passados muitos milhares de anos, pouco ou nada se modificou ou adaptou. Portanto, o que faz sentido é pensar que todos os estilos de vida e dietas distanciados dos primitivos, e próximos da civilização moderna e industrial, são potenciais fatores promotores dessas doenças modernas. Estas instalam-se na transição epidemiológica de primitivo e civilização, paradoxalmente a modernidade acompanha a degeneração física e nutricional humana. Em relação à dieta, acima da preocupação carbofóbica e pró-gorduras que atualmente existe, induzida por uma aversão ao nutricionismo, uma hipótese que nunca funcionou e que é uma fantasia, o que faz sentido é o preceito evolucionário. Ou seja, a dieta que cada indivíduo deve procurar é a do seu contexto ecológico ancestral, a dieta dos seus antepassados mais remotos pré-agriculturalistas. Como exemplo, e tudo isto é baseado em bom senso, as perguntas a fazer serão por exemplo: Onde viveram os meus ancestrais, em zonas costeiras? Então talvez o peixe fosse um alimento de base. E tinham acesso facilitado a óleos de algum tipo, por exemplo de árvores autóctones como os coqueiros? Se sim, então talvez o óleo e leite de coco façam sentido. E caçavam animais selvagens, representando isso uma vantagem? Então faz sentido ser carnívoro. E comiam o tutano dos ossos? Se sim, à falta de melhor, talvez o azeite monoinsaturado possa ser uma boa gordura de substituição. E viviam em zonas quentes, com disponibilidade de vegetais selvagens todo o ano? Então talvez os vegetais fossem também uma componente principal da dieta. Ou viviam em zonas geladas? Então talvez seja melhor manter-me na carne e gordura de foca. Etc. O que não faz grande sentido, porque não tem base evolucionária, é adoptar dietas primal ou paleo, seja lá o que isto for, de tipo low-fat no Alasca, ou então low-carb na Amazónia, recorrendo a alimentos exóticos nunca consumidos localmente. Os humanos estão adaptadíssimos às mais variadas composições de macronutrientes que existem, o que não funciona é colocar combustíveis novos em genes ancestrais. Se as dietas low-carb modernas funcionam melhor, ou menos pior, que as outras, isto não significa que o paradigma se deva centrar em consumir mais gorduras a qualquer custo, de forma descontextualizada do paradigma evolucionário. Neste momento não vou estar a citar estudos, apenas me lembrei deste artigo de Jen Allbritton, com ideias simples mas muito acertadas (“It is difficult to improve on nature”), ver aqui -> http://bit.ly/zwqhhw Em suma, por mais que se torturem os dados dos estudos científicos modernos, o facto é que o paradigma mais simples e elementar, “comidas modernas, doenças modernas”, que já todas as pessoas possuem gravadas nos seus genes, serão sempre superiores a qualquer ideia moderna de alimentação baseada em “ciência”. Até hoje, sem exceção, todas as tentativas de tornar as dietas científicas falharam sempre, e não estou apenas a falar das anedóticas dietas da pirâmides governamentais. PS: ao invés de “leticinas”, são lectinas. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16336696

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    • Caio Fleury

       /  janeiro 20, 2012

      Olá Primitivo,

      Muito obrigado pelo seu comentário. Acredito que não é correto afirmarmos que existe uma alimentação ideal para todos, não minha opinião, igualmente penso que isso é uma generalização um pouco grotesca e um reducionismo. No entanto, creio que quantidades mínimas de alimentos provenientes de animais são extremamente necessária para a saúde humana, o que obviamente envolve o consumo de proteínas e gorduras, o que torna importante a questão dos macronutrientes, pelo menos em termos de quantidades mínimas necessárias. Mesmo as populações primitivas tropicais como os Kitavas consomem quantidades mínimas de proteína provenientes de animais (peixes) e gorduras (neste caso do coco e em menores quantidades do peixe), aproximadamente na proporção de 10% proteínas e 20% gorduras. A quantidade ideal de consumo de alimentos derivados de animais pode ser determinada talvez por auto experimento, conhecimento sobre o histórico como raça e não obstante o conhecimento sobre o consumo de alimentos de diversas populações não civilizadas ao redor do globo. São mais raras as populações que consumem menos de 50% de das calorias provenientes de gordura e proteína como demonstrado pelo estudo da revisão do atlas etnológico conduzido por Dr. Loren Cordain, pois a maioria das populações vivem em climas que não disponibilizam quantidades abundantes de tubérculos, ou não adotaram o hábito cultural de criação destes alimentos. Com base neste estudo e outros estudos paleoantropológicos, é possível supor que a alimentação mais parecida com o passado histórico de consumo do ser humano moderno é rica nestes macronutrientes, em outras palavras, consistia em no mínimo 50% do total de consumo em calorias. Mais característico ainda o consumo de animais em populações da Europa do período Paleolítico mais recente (100 mil anos a 10 mil anos atrás), ou pré-neolítico, que acredito, a maioria dos leitores devem ser descendentes, herdando as principais características genéticas.

      Creio que Gary Taubes, assim com outros autores “Paleo ou Primal” muitas vezes falam dos carboidratos como se fossem todos iguais, o que pode ser mal interpretado por muita gente. Generalizações como a curva do carboidrato de Mark Sisson pode ser um reducionismo, no entanto creio que é uma ótima ferramenta para da ilustrar ao público que está querendo emagrecer e adotar uma dieta saudável e que precisa se orientar para perder peso. Ela é longe de ser perfeita, mas é útil. Não concordo com frases como a deste post do Mark “Reduza seu consumo geral de carboidratos. (Veja aqui a curva de carboidratos)” e pessoalmente tento evitar fazer tais generalizações, apesar de pensar que mais de 90% dos nossos leitores não conseguem distinguir muito estas diferenças e estão mais preocupados no panorama geral da dieta, em qualidade de vida e emagrecimento. Não é um blog tão elaborado e preciso como o seu, mas fazemos o melhor para passar a principal mensagem que é: consuma bastante verduras, produtos derivados de animais, frutas e tubérculos e evite consumir açúcar, carboidratos de alta carga glicêmica (trigo, arroz, milho,etc), açúcar e alimentos processados. Ficar longe dos processados, do açúcar é o maior desafio de mais de 95% dos visitantes, portanto creio que isto deve ser nossa maior contribuição.

      Concordo plenamente com seu ponto de vista quanto ao reducionismo e a guerra dos macronutrientes por assim dizer. Não acho que a diferença entre a dieta Paleo e a Primal são dignas de serem enfatizadas ou de serem distinguidas. Creio que elas são muito semelhantes, ainda mais agora com a recente adoção de uma posição mais moderada do Dr. Cordain com relação às gorduras saturadas.

      Para ilustrar um pouco a minha opinião segue uma parte de um artigo que estava escrevendo:

      “A alimentação ideal para seres humanos, como avaliamos, depende de muitos fatores e é muito diversificada, porém como demonstrado no atlas etnológico revisado por Dr. Loren Cordain, existe um padrão de consumo de alimentos animais que na minoria dos casos são superiores a 75% das calorias dos alimentos consumidos, ou inferiores a 45%. Isto significa que existe um padrão de consumo de alimentos animais ricos em gordura e proteína e uma menor predominância de carboidratos em sociedades isoladas. Apesar de existirem culturas que consomem quantidades de carboidratos de fontes vegetais superiores a gorduras e proteínas de fontes animais, estas sociedades primitivas são a minoria e os carboidratos consumidos por elas são de baixa carga glicêmica e em geral também de baixo índice glicêmico, provenientes na maior parte por vegetais e tubérculos fibrosos e algumas frutas selvagens, todas as quais nunca foram relacionadas por qualquer estudo com sendo prejudiciais a saúde. Muito pelo contrário, diferente dos alimentos processados e provenientes da agricultura, que são fontes de carboidratos extremamente concentrados e com poucas fibras, o aumento da carga glicêmica destes alimentos está relacionado com o acúmulo de gordura visceral, que está ligada ao desenvolvimento de diversas doenças acometidas somente pelo homem moderno.

      Há muito tempo cientistas e pesquisadores concluem que os responsáveis pelas doenças crônicas que atualmente acometem o ser humano civilizado estão mais relacionados ao perfil dos carboidratos consumidos e a carga glicêmica destes alimentos, do que aos carboidratos em si. Muitos pesquisadores, assim como eu, acreditam que uma dieta que tem como base carboidratos naturais de baixo índice glicêmico é saudável para a maioria das pessoas, no entanto, é unanimemente aceito pela comunidade científica e comprovado o fato de que é essencial consumirmos quantidades necessárias de proteína animal e gorduras em nossa dieta, uma vez que diversos estudos comprovam a forte relação entre o consumo de proteínas e gorduras e a regulação de diversos hormônios e reações químicas de nosso organismo que controlam a saciedade e a saúde das células, as quais são extremamente dependentes de ácidos graxos essenciais para um bom funcionamento. Não obstante, o bom funcionamento do sistema nervoso, a saúde dos ossos e o desenvolvimento muscular são extremamente dependentes de proteínas e gorduras, sendo as proteínas e gorduras provenientes de fontes animais selvagens ou orgânicos, as mais eficientes para esse fim, além de conter micronutrientes como vitaminas e mineiras essenciais para a saúde humana e exclusivos aos mesmos.

      Considerando a extrema importância do consumo de alimentos provenientes de animais, a sua grande prevalência em diversas populações isoladas, além do fato de que dado a possibilidade de escolha como muitas pesquisas feitas em populações isoladas indicam que o ser humano na maioria destas populações dá prioridade a alimentos provenientes de animais, pois não tem acesso a carboidratos mais caloricamente densos, acredito que é consensual a muitos, se não à maioria dos pesquisadores, que pelo menos 50% da alimentação da maioria das pessoas deveria consistir em proteínas e gorduras “saudáveis”, principalmente de animais selvagens ou orgânicos, sendo o resto carboidratos não processados e de baixa carga glicêmica, como vegetais, frutas e tubérculos (inhame, mandioca, etc), o que precisamente está de acordo com nosso histórico de consumo em termos de proporção de micronutrientes e provavelmente irá garantir a maioria das pessoas melhor saúde, longevidade e qualidade de vida.”

      Obrigado pelo comentário, e pela sua contribuição para o blog. Seja sempre bem vindo!

      Resposta
  2. Viva!

    > uma alimentação ideal para todos, não minha opinião, igualmente penso que isso é uma generalização um pouco grotesca e um reducionismo.

    Infelizmente é esta a ideia predominante, resultante das ideias do nutricionismo e da moderna cardiologia, como sabemos ambos altamente comercializados e controlados pelos respetivos lóbies de interesses, as indústrias alimentares e farmacêuticas, que nos impõem as estórias dos colesteróis assassinos, dos cereais essenciais à vida, da dieta mediterrânica salvadora da humanidade, dos azeites protetores do coração, dos vegetais, frutas e fibras anti-cancro, dos pequenos-almoços hipeglicémicos e hiperinsulinémicos, à base de pães com margarina e leite, e outras mitologias modernas.

    > No entanto, creio que quantidades mínimas de alimentos provenientes de animais são extremamente necessária para a saúde humana,

    Carne, peixe, ovos, etc. sempre foram os alimentos primordiais e ancestrais de sempre, por mais que isso custe a muitos nutricionistas vegetarianos equivocados, foram eles a base para o desenvolvimento do cérebro humano, e não só. Mas os nutricionistas atualmente estão encantados com a ideia de que carnes vermelhas são a causa de todas as doenças possíveis e imaginárias, há imensos estudos de “provam” isso (a cor vermelha, associada associada ao sangue, deve ter algum efeito psicológico desconhecido no cérebro humano). No entanto, dietas estritamente vegetarianas, sem precedentes na evolução humana, também não parecem ser muito favoráveis a um cérebro desenvolvido e à saúde em geral (veja-se todo o blogue de Denise Minger). Por mais que se tente, será sempre muito difícil demonstrar que alimentos ancestrais são responsáveis pelas doenças da civilização, é a própria lógica que o nega.

    > o que obviamente envolve o consumo de proteínas e gorduras, o que torna importante a questão dos macronutrientes,

    A meu ver, apenas torna importante o que é realmente importante, os “alimentos”, e não os macronutrientes que são uma abstração do nutricionismo, uma abordagem ideológica à alimentação com efeitos nulos, ou mesmo nocivos, na saúde humana. O WHI Study (intervenção focalizada na redução do macronutriente “Gorduras”) é uma prova mais que cabal disso, até conseguiu degradar a saúde nas pessoas já doentes, mas os “especialistas não o conseguem ver assim. O nutricionismo não é a única via, longe disso, também se podem analisar nos estudos padrões alimentares, considerando os alimentos. Por exemplo, esta abordagem começou a aparecer recentemente, aliada a técnicas epidemiológicas e bioestatísticas mais sofisticadas, como a análise de componentes principais (PCA). Existem uns tantos estudos do EPIC seguindo esta abordagem. Vários investigadores já se aperceberam que é a hora de privilegiar os alimentos, secundarizando certas abstrações como, por exemplo, gorduras saturadas, ómegas, colesteróis, etc.

    > como os Kitavas consomem quantidades mínimas de proteína provenientes de animais (peixes) e gorduras (neste caso do coco e em menores quantidades do peixe), aproximadamente na proporção de 10% proteínas e 20% gorduras.

    Os Kitava são um bom exemplo de uma dieta low-fat (arrhggg) em populações primitivas. No passado, ao longo de milhões de anos, o que determinava as dietas era o contexto ecológico, sempre foi assim. Por outras palavras, se a minha terra tem bananeiras, vou naturalmente comer bananas. Mas hoje são os poderos lóbies das indústrias de alimentos processados e desnaturalizados, com a influência das ideias impostas pelos lóbies farmacêuticos, através do nutricionismo, que nos determinam as escolhas “saudáveis”.

    > de 50% de das calorias provenientes de gordura e proteína como demonstrado pelo estudo da revisão do atlas etnológico conduzido por Dr. Loren Cordain,

    Mas isso não torna inviáveis as dietas que não cumprem estas percentagens médias. Não deixando de ser uma linha orientadora, não deixa de ser meramente observacional.

    > Creio que Gary Taubes, assim com outros autores “Paleo ou Primal” muitas vezes

    Não considero Taubes um autor paleo, longe disso, quando muito é um investigador inteligente, mas com muitas ideias equivocadas, tentando demonstrar que a obesidade mundial se deve unicamente ao consumo de HC, de qualquer tipo, que dietas cetogénicas emagrecem sempre, independentemente das calorias, porque o acumulo de gordura depende apenas de níveis insulínicos, que o exercício é irrelevante para a perda de peso porque só aumenta a fome, que défices calóricos não interessam, etc. Tudo coisas amplamente negadas por inúmeros estudos e evidências, conforme se pode ler no CarbSane e no Whole Health Source. Apesar disto, não tenho grandes dúvidas de que uma dieta Atkins, desde que à base de alimentos tradicionais, é melhor para a saúde em geral (coração incluído) que a dieta low-fat de alimentos modernos dos “especialistas” do nutricionismo.

    > Generalizações como a curva do carboidrato de Mark Sisson pode ser um reducionismo, no entanto creio que é uma ótima ferramenta para da ilustrar ao público que está querendo emagrecer

    Uma ideia pode funcionar por mecanismos totalmente diferentes do que o autor pensa. Se a redução de HC modernos pode produzir, e realmente produz em várias situações, múltiplas vantagens (acredito que por exemplo na diabetes tem vantagens terapêuticas), até mesmo perda de peso, essa perda não se dará necessariamente porque HC acima de certa quantidade são “maus” e desreguladores calóricos, mas certamente porque, seja qual for a via, se atingiu um défice calórico. O problema é que a focalização em variáveis secundárias, como macronutrientes ou hidratos, desvia o enfoque do que realmente funciona, o défice calórico. Tal como a focalização em colesteróis desvia o enfoque do importante, o controlo glicémico. Mas isto é outra estória. Pode argumentar-se que não são variáveis independentes, que só é possível manter uma dieta sustentada, a prazo, com alimentos de baixa carga em HC. Isto até pode ser verdade para algumas pessoas, principalmente as insulino-resistentes, que até são as que apresentam maior prevalência de obesidade, mas o facto é que perdas de peso eficientes também são possíveis com dietas low-fat, comprovadamente funcionam em várias pessoas.

    > consuma bastante verduras, produtos derivados de animais, frutas e tubérculos e evite consumir açúcar, carboidratos de alta carga glicêmica (trigo, arroz, milho,etc), açúcar e alimentos processados. Ficar longe dos processados, do açúcar é o maior desafio de mais de 95% dos visitantes, portanto creio que isto deve ser nossa maior contribuição.

    A vossa mensagem é bastante boa, funciona realmente e tem uma base evolucionária que a suporta. É difícil encontrar um paradigma melhor, ou menos pior que todos os outros. As mensagens convencionais/oficiais já demonstraram a sua nulidade em inúmeros estudos, declaradamente nunca funcionaram, mas quando isso acontece os “especialistas” entram em negação e continuam a recomendar as mesmas inutilidades. Acho que a única forma de anular a sua ignorância é fazendo o “bypass”, e divulgando informação credível e sustentada (apesar de eu não concordar integralmente com tudo, mas a ciência é isso mesmo) em blogues de qualidade, como é o caso deste Primal Brasil.

    > Concordo plenamente com seu ponto de vista quanto ao reducionismo e a guerra dos macronutrientes por assim dizer.

    Acho que o nutricionismo foi a pior coisa que aconteceu à alimentação humana nos últimos anos. Repare que os lóbies alimentares adoram o nutricionismo, a teoria dos nutrientes, que aliada à farsa da hipótese lipídica, é a única forma de “validarem” todo o tipo de junk foods modernas. O melhor exemplo de junk food funcional moderna que consigo encontrar é a margarina. Os doutores da Fundação Portuguesa de Cardiologia recomendam vivamente margarina, em substituição da nociva manteiga. Dizem que é muito boa, porque aparentemente faz baixar o colesterol “mau”, um tal de LDL.

    > existe um padrão de consumo de alimentos animais ricos em gordura e proteína e uma menor predominância de carboidratos em sociedades isoladas.

    Digamos que existe, na globalidade, uma menor predominância de “alimentos” modernos e processados em sociedades isoladas da civilização e da indústria alimentar, por acaso isso revela-se mais nos HC que em outros macronutrientes, porque é mais difícil obter, por exemplo, “proteínas processadas”. Dentro dos povos primitivos há variações enormes na relevância dos HC, acho muito difícil associar a um maior consumo destes, isoladamente, maior incidência das doenças da civilização. Pois se em ambos os casos as incidências são nulas ou próximas de nulas.

    Mais uma vez, os Kitava são o exemplo mais estudado que contaria uma hipótese, a teoria carbofóbica de Gary Taubes ou, num plano de ainda maior irracionalidade, do Dr. William Davis. Repare que para se construir uma lei universal é necessário realizar estudos em condições muito diversificadas, num vasto domínio, que a demonstre (quase) inequivocamente. Mas para anular essa hipótese basta um bom contra-exemplo, e existem muitos. Taubes, apesar de conhecer o exemplo, nunca o refere nos seus livros, porque não encaixa nos seus dogmas.

    > alimentos processados e provenientes da agricultura, que são fontes de carboidratos extremamente concentrados e com poucas fibras, o aumento da carga glicêmica destes

    Nunca entendi a suposta funcionalidade das fibras na dieta, pois quando olhamos para os estudos, mesmo os de intervenção aumentando fibras, todas as promessas do nutricionismo, à semelhança de tantas outras, se desvanecem. Não bastam “soft end points” (por exemplo, certo alimento produz efeitos num certo marcador que se pensa serem favoráveis – fibras associadas a redução de colesterol ou saciedade), para induzir ou palpitar que isso é bom. São precisos estudos com “hard end points” (contagem de corpos, eventos cardiovasculares, incidência de doenças, etc.), de preferência com riscos absolutos/NNT credíveis, para se estabelecer uma associação, formular hipóteses. E nem isto demonstra causalidade, só mesmo estudos de intervenção podem trazer alguma luz sobre os benefícios de algo. Quanto às fibras, e a muitas outras ideias, nunca vimos nada de substancial.

    > á muito tempo cientistas e pesquisadores concluem que os responsáveis pelas doenças crônicas que atualmente acometem o ser humano civilizado estão mais relacionados ao perfil dos carboidratos consumidos e a carga glicêmica destes alimentos, do que aos carboidratos em si.

    Você sabe que eu sou um cético em relação a tudo (mas não me considero um negacionsta), e muitas vezes até me questiono se é possível termos a certeza absoluta de que a dieta humana moderna será mesmo responsável pelas doenças da civilização. O fato de se encontrarem associações, por mais sugestivas que possam parecer, entre dieta moderna vs doenças da civilização, com boa parte da variância de uma explicada pela outra, isso constituirá uma certeza absoluta de que a dieta, isoladamente, é responsável pela instalação, pela “activação” digamos assim, das doenças? E o que dizer de outros aspetos quase não-mensuráveis ou usualmente desconsiderados nos estudos epidemiológicos, como a poluição urbana, a exposição a químicos, o sedentarismo, o défice de exposição solar, etc.? Temos mesmo a certeza absolutíssima de que a dieta moderna, por si só, é capaz de gerar doenças? Estou aqui a pensar, em especial, na génese do cancro, a meu ver a doença mais complexa e incompreendida. Em matéria de dieta, onde a desorientação oficial é completa, a maior parte das dietas nunca funcionaram, ou apenas produzem fracos resultados. Talvez porque este estará muito para além da dieta.

    > é unanimemente aceito pela comunidade científica e comprovado o fato de que é essencial consumirmos quantidades necessárias de proteína animal e gorduras em nossa dieta, uma vez que diversos estudos comprovam a forte relação entre o consumo de proteínas e gorduras e a regulação de diversos hormônios e reações químicas de nosso organismo que controlam a saciedade e a saúde das células, as quais são

    O problema é que os supostos “especialistas”, nomeadamente nutricionistas e cardiologistas, pensam (a eterna mentalidade low-fat) que estes fontes ancestrais de alimentos, naturalmente proteicas e gordurosas, são um mal necessário, pelo que devem ser reduzidas ao mínimo indispensável. Isto fica bem patente nas rodas e pirâmides oficiais, baseadas na malograda mitologia low-fat, que nunca funcionaram. Mesmo com todos os estudos à frente, como é exemplo cabal o WHI Study, que colocam em evidência a inutilidade desta estratégia, os especialistas não o conseguem reconhecer. Perderiam todo o seu pseudo-status científico, mais suportado por lóbies de interesses que por ciência factual.

    > acredito que é consensual a muitos, se não à maioria dos pesquisadores, que pelo menos 50% da alimentação da maioria das pessoas deveria consistir em proteínas e gorduras “saudáveis”, principalmente de animais selvagens ou orgânicos, sendo o

    A abordagem moderna, portanto a maioria dos investigadores, discorda desta ideia. Falando de percentagens de macronutrientes, o que recomendam é 50-70% de HC (existe um artigo sobre a roda dos alimentos portuguesa que chega aos 70%, já agora porque não tentar os 100%?), e o restante em proteínas e gorduras. Os nutricionistas e cardiologistas até acreditam que o ideal seria reduzir as gorduras a 20% ou se possível menos, isso seria fantástico. Apenas com o ligeiro inconveniente de que é o próprio corpo humano que recusa esta fantasia moderna, conforme se constata em todos os estudos low-fat, em que a aderência e os danos na saúde são inversamente proporcionais à redução de gorduras.

    > o que precisamente está de acordo com nosso histórico de consumo

    A compreensão da alimentação humana só vai melhorar quando, ao invés de chamarem um nutricionista, optarem por chamar um historiador, um antropólogo, um biólogo, etc. para analisarem multi-disciplinarmente a dieta humana. O que não faz sentido é manter a atual situação caótica, com recomendações oficiais, por regra, inúteis ou mesmo prejudiciais para a saúde geral das populações. Se não sabem, o melhor é mesmo não fazer nada ou mudarem de profissão.

    > Obrigado pelo comentário, e pela sua contribuição para o blog. Seja sempre bem vindo!

    Mantenha o bom trabalho no blogue, faz muita falta informação credível em português. Um abraço.

    Resposta
  3. Caio Fleury

     /  janeiro 23, 2012

    Olá novamente Primitivo,
    “A meu ver, apenas torna importante o que é realmente importante, os “alimentos”, e não os macronutrientes que são uma abstração do nutricionismo”
    Quando uso os macronutrientes como referência, não significa que os macronutrientes em si é que são mais importantes, mas o alimentos que contém estes macronutrientes. Os macronutrientes servem como referência para os grupos de alimentos geralmente consumidos que contém estes macronutrientes.
    “Mas isso não torna inviáveis as dietas que não cumprem estas percentagens médias. Não deixando de ser uma linha orientadora, não deixa de ser meramente observacional”
    Acredito que uma dieta com menos de 50% de proteínas e gorduras são mais difíceis de serem seguidas pelo público em geral, mas não são necessariamente piores ou inferiores. Isto seria muito difícil de afirmar, ou encontrar evidências a favor. Uma dieta como a dos Kitava com mais ou menos 30% desses macronutrientes envolve o consumo de grandes quantidades de vegetais e tubérculos para satisfazer as necessidades de consumo diária das pessoas, uma vez que elas são consideravelmente menos densas caloricamente que alimentos derivados de animais e alimentos ricos em gordura em geral. Acho que as pessoas enjoariam um pouco de mandioquinha, batata doce e vegetais. Pessoalmente não me sinto confortável em uma dieta como essa.
    Ex: 100 calorias de mandioquinha = 100 gramas. Imagine ter que consumir 1000 calorias em tubérculos aproximadamente e mais 500 calorias somente de animais, o que seria mais ou menos 200 a 300 gramas de carnes, para totalizar 1500 calorias diárias. Eu não conseguiria consumir 1 kg de tubérculos, mas consigo consumir de 300 a 400g de carnes + 4 a 6 ovos de galinha = 200 a 300g mais 300 gramas de tubérculos = 300 calorias, o que totaliza de 1300 a 1550 calorias mais ou menos. Tenho 1 metro e 84 e peso 70 a 71 quilos, creio que consumo aproximadamente de 2000 calorias diárias e para chegar a este número, ou para me sentir saciado sem consumir grãos minha dieta tem que ser baseada em alimentos ricos em gordura, como ovos, carnes, abacate, azeite e noz, aproximadamente de 6 a 8 ovos, 200 a 300 gramas de carnes, meio abacate (tipo avocado), 100 gramas de tubérculos, 30 gramas de noz e 3 a 4 colheres de azeite e manteiga. Como podemos consumir 2000 calorias com 70% de carboidratos na dieta e sem consumir grãos? Ou alguns copos de suco? Não sei como os Kitavas fazem, se consomem muitas bananas, ou tubérculos, mas para mim me parece difícil.
    Diversos estudos tem sugerido maior perda de peso e maior sucesso a curto e a longo prazo seguindo uma dieta com quantidades mais altas de proteínas e gorduras http://www.drbriffa.com/2011/05/31/low-carb-diet-again-trumps-low-fat-on-weight-loss-and-other-things/ .Novamente como concordamos, isso não significa que não seja possível e sustentável a longo prazo uma dieta mais rica em carboidratos “saudáveis”, uma vez que uma dieta rica em carboidratos em estudos como estes, ou de qualquer pessoa em geral como você disse é mais provável de ter alimentos processados, ou grãos. Até onde eu sei existem muitos mais estudos comprovando maior emagrecimento e melhor marcadores sanguíneos com uma dieta rica em proteína e gorduras. Creio que até o Guynet já afirmou isso algumas vezes apesar de acreditar nos benefícios das dietas ricas em carboidratos “saudáveis”. Talvez seja devido ao fato que as dietas ricas em carboidratos nessas pesquisas normalmente incluem grãos e sucos. Deveriam fazer experimentos sem estes alimentos.

    “Nunca entendi a suposta funcionalidade das fibras na dieta, pois quando olhamos para os estudos, mesmo os de intervenção aumentando fibras, todas as promessas do nutricionismo, à semelhança de tantas outras, se desvanecem. Não bastam “soft end points” (por exemplo, certo alimento produz efeitos num certo marcador que se pensa serem favoráveis – fibras associadas a redução de colesterol ou saciedade), para induzir ou palpitar que isso é bom. São precisos estudos com “hard end points” (contagem de corpos, eventos cardiovasculares, incidência de doenças, etc.), de preferência com riscos absolutos/NNT credíveis, para se estabelecer uma associação, formular hipóteses. E nem isto demonstra causalidade, só mesmo estudos de intervenção podem trazer alguma luz sobre os benefícios de algo. Quanto às fibras, e a muitas outras ideias, nunca vimos nada de substancial”
    Concordo com a falta de provas concretas dos benefícios das fibras. Com o comentário apenas quis dizer que as frutas na época paleolítica eram mais fibrosas, sem implicar associações com doenças. Segundo Dr Robert Lustig a fibra diminui a carga glicêmica do alimento e faz com que o açúcar das frutas sejam digeridos de forma mais lenta. Seriam como sucos. Sucos, devido ao alto teor de glicose e frutose, geram acúmulo de gordura se for consumido por volta de mais de 15% das calorias diárias, e a frutose especificamente gera acúmulo de gordura visceral, aumenta os níveis de triglicérides e com o tempo pode gerar a síndrome metabólica. Estudos tem estimado que 3 copos de suco, natural ou não, rico em dextrose ou frutose, gera o acúmulo de gordura, devido a grande quantidade do açúcar em si, que é permitido sem as fibras e de alta carga glicêmica do suco em si que aumenta a “palatividade” http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11000114 do alimento . As pessoas se entupiriam de açúcar caso não houvesse fibras nos alimentos, pois com elas é necessário consumir quantidades extremamente altas de frutas para consumir a mesma quantidade de açúcar, além do cérebro responder de forma diferente a este estímulo, o que não afeta a base de equilíbrio de peso do corpo significantemente. Se ela é boa ou não para o intestino, não sei, mais sem elas as frutas seriam como sucos, o que tornaria o alto consumo do açúcar possível e desejável para pessoas consumirem em altas quantidades. http://wholehealthsource.blogspot.com/2012/01/what-causes-insulin-resistance-part-v.html. O consumo de frutose em excesso causa o acúmulo de gordura visceral. Parece-me que as pesquisas com frutose são uma novidade para o Guynet. Dr Lustig e outros já tem demonstrado os efeitos do acúmulo de gordura visceral, triglicérides, etc, há muito tempo. Ele sugere que sucos ou altas quantidades de açúcar, aumentam a “palatividade” do alimento “However, since added sugar increases the energy density and palatability/reward value of food, it can contribute to insulin resistance indirectly via increased food intake and body fatness in susceptible people. To be clear, I still think refined sugar is unhealthy and should be largely avoided” e por isso engordam. Para mim a questão de ser densa só é importante porque é um carboidrato denso, ou açúcar denso. Alimentos ricos em gordura que são extremamente densos em si, como nozes, (560 calorias por 100g) não geram acúmulo de gordura significativo, ou a síndrome metabólica, ao contrário dos carboidratos densos (alta carga glicêmica) como grãos, pães e cereais (200 a 350 calorias por 100g) que comprovadamente geram acúmulo de gordura corporal e a síndrome metabólica. Isso significa para mim que “palatabilidade” do Steffan é aumentada com carboidratos, seja amido, ou açúcar densos, sem, ou com gorduras e proteínas. Apesar de que a palatividade destes carboidratos densos podem ser aumentadas com a gordura e a proteína adicionadas. Algumas pessoas dizem que adicionar gordura e proteína nestes carboidratos densos diminui a carga glicêmica do alimento e por isso gera uma resposta glicêmica menor e portanto gera menos acúmulo de gordura. Eu não acredito nesta afirmação, creio que adicionando gorduras a estes alimentos, o cérebro e o corpo trabalham com vias metabólicas diferentes (cito Dr Atkins com esta frase), o que significa que é uma questão mais de “palatividade” do que carga glicêmica, apesar dos alimentos com alta carga glicêmica em si gerarem grande acúmulo de gordura corporal. A teoria da “palatividade” faz sentido. O cérebro produz insulina em resposta à ‘”palatividade” do alimento. Novamente a primeira fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11000114 e outra da frutose http://www.drbriffa.com/2011/09/28/fructose-but-not-glucose-found-to-reduce-fat-burning-and-metabolic-rate/
    Pelo que me lembro existem alguns estudos que indicam resultados semelhantes a uma experiência pessoal que tive quanto a “palatividade de carboidratos densos”. Este :http://www.drbriffa.com/2011/03/04/low-carbohydrate-diet-very-quickly-effective-for-getting-fat-out-of-the-liver/ particularmente ilustra minha experiência pessoal, consumindo menos calorias e mais carboidratos densos (alta “palatividade”) acumulei gordura subcutânea e visceral com muita coerência nos resultados.
    Diversas vezes tenho monitorado meu peso durante diferentes dietas. Quando adiciono aproximadamente 200 a 250 gramas de pães e cereais (aproximadamente 400 a 600 calorias) e diminuo substancialmente as calorias de alimentos derivados de animais, ou carboidratos “saudáveis” engordo em média de 2 a 2 quilos e meio, apesar de consumir consideravelmente menos calorias e assim passando fome, comparado com minha dieta anterior rica em alimentos derivados de animais e carboidratos “saudáveis”. Tenho feito esta observação diversas vezes e o acúmulo de peso segue sempre este padrão. Tentei fazer o mesmo com farinha de mandioca diversas vezes e atingi resultados muito semelhantes.
    A questão é que carboidratos processados (alta “palatividade”) na sociedade em que vivemos são mais abundantes que as gorduras processadas (margarina e óleos semi- hidrogenados) de alta palatividade. A proteína é mais complicada, uma vez que muitos estudos tem comprovado a diminuição de peso após o alto consumo de whey protein, o que a meu ver significa que proteínas em si não tem “palatividade” o suficiente para gerar acúmulo de gordura corporal significativo, assim como as gorduras “boas” em si, como o óleo de coco e as nozes, que por mais densas e calóricas que sejam, não engordam. Eu acho que tudo se resume ao alimento em si e não os macronutrientes como você disse!
    Já tentei consumir quantidades absurdamente altas de gordura “monoinsaturadas e saturadas” pura, ou com proteína como tentativa de engordar, sem sucesso, o que me faz pensar que o total de calorias consumidas não importa mais do que a “palatividade” dos “alimentos”, talvez elas influenciem o aumento de gordura corporal quando consumidas em excesso, junto com alimentos de alta “palatividade”(no mesmo período em que a pessoa está em processo de ganho de peso) e não isoladamente sendo consumidas em abundância. Muitos experimentos dizem que indivíduos emagrecem muito consumindo uma dieta “Primal” quando são orientados a comer a vontade. Muitos críticos dizem que a “palatividade” dos alimentos Primal é baixa e por isso as pessoas passam a ingerir menos calorias. Isto não está de acordo com minha experiência pessoal e o depoimento me muitas pessoas que dizem consumir alimentos derivados de animais, manteiga e óleos saudáveis sem em quantidades extremamente altas e não engordarem nem um pouco. Acho que seriam necessários experimentos controlados onde a quantidade de calorias das dietas de alto nível de gordura seja monitorada para ter certeza de que não estão comendo menos.

    “O fato de se encontrarem associações, por mais sugestivas que possam parecer, entre dieta moderna vs doenças da civilização, com boa parte da variância de uma explicada pela outra, isso constituirá uma certeza absoluta de que a dieta, isoladamente, é responsável pela instalação, pela “activação” digamos assim, das doenças? E o que dizer de outros aspetos quase não-mensuráveis ou usualmente desconsiderados nos estudos epidemiológicos, como a poluição urbana, a exposição a químicos, o sedentarismo, o défice de exposição solar, etc.? Temos mesmo a certeza absolutíssima de que a dieta moderna, por si só, é capaz de gerar doenças? Em matéria de dieta, onde a desorientação oficial é completa, a maior parte das dietas nunca funcionaram, ou apenas produzem fracos resultados. Talvez porque este estará muito para além da dieta”
    Acredito que a dieta não é o único motivo para o desenvolvimento de doenças, mas provavelmente o principal. Doenças como a síndrome metabólica, diabetes, doenças cardíacas e câncer. Transtornos mentais podem ocorrer independentemente da alimentação, no entanto o diagnóstico de tais doenças claramente manifestadas representam uma parcela pequena da população, comparado com os 25 a 30% da taxa geral de mortes por ano, em muitos países ocidentais causadas devido a doenças cardíacas e câncer. O fato dos transtornos mentais, diagnosticados ou não, poluição, exposição ao sol e outras variáveis possivelmente contribuírem para o desenvolvimento dessas doenças é bem provável. Qualquer hábito que tire o organismo de seu estado de equilíbrio, provavelmente está contribuindo para a manifestação de certos sintomas. Exercícios físicos, sono adequado, exposição solar, ‘”sanidade mental”, entre outros são essenciais para o melhor funcionamento do organismo. No entanto, acredito que as principais doenças que acometem a sociedade são resultado do consumo de alimentos processados e industrializados ricos em açúcar e gorduras parcialmente- hidrogenadas. Isto é ilustrado pelo aumento exponencial de doenças nas sociedades ocidentais nos últimos 30 anos, câncer, doenças cárdias, diabetes, Alzheimer, entre outras, junto com o aumento do consumo de alimentos processados, açúcar e gordura óleos vegetas, a pesar do aumento no numero de pessoas fazendo atividades físicas. A correlação entre determinadas dietas com os níveis de triglicérides, HDL e glicose sanguínea, hipertensão, entre outras, e a correlação entre estes indicadores e a síndrome metabólica, diabetes e doenças cardíacas sugerem relação entre a alimentação e as doenças.
    Acredito que estas doenças sejam resultado da má alimentação principalmente, uma vez que os níveis de atividade física aumentaram nos EUA nos último 30 anos e muitos transtornos mentais estão ligados a deficiência de nutrientes, o que envolve a má nutrição em geral. Os transtornos mentais podem estar ligados ao estilo de vida dos americanos, por exemplo, como falta de atividades outdoor, convívio social, esportes, excesso de estímulos (televisão, etc), porém acho difícil acreditar que estes sejam os principais motivos do aumento substancial nos níveis de doenças.
    Existem muitos estudos que relacionam a alimentação com desenvolvimento de doenças, acho difícil não levá-los em consideração como prova de que a alimentação é o principal fator que contribui para o desenvolvimento de doenças.
    Alguns destes estudos:
    http://www.drbriffa.com/2011/11/29/low-carbohydrate-diets-look-good-for-the-prevention-and-treatment-of-cancer/
    http://www.drbriffa.com/2011/04/27/higher-overall-levels-of-sugar-in-the-bloodstream-appears-to-be-a-good-predictor-of-death/
    Parece que esta foi a primeira vez que houve uma conversa sobre dieta no Blog. Será que algum dia alguém irá se interessar por discussões do tipo?? No momento, me parece estarmos longe ainda, o que se lê por aí é revoltante. Acredito muito no poder da alimentação e seus benefícios para a saúde humana e acredito na frase de Gary Taubes “a sociedade vive em um tipo de ilusão em massa” a respeito do que é uma dieta saudável. Por este motivo continuo divulgando a Dieta Primal.
    Muito obrigado!

    Resposta
  4. Muito bom seu blog, gostei dos comentarios anteriores, acho que vou ter muita coisa para ler,apos essa leitura e reflexoes enviarei as minhas conclusoes
    Rogelio

    Resposta

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