Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 2

Continuando o artigo da semana passada, vamos para a segunda parte, desta vez descobrindo um pouco mais sobre alguns alimentos muito presentes no nosso dia a dia.

LEITE

O leite é um dos alimentos mais perfeitos da natureza. A maior parte do nosso leite vem de um animal sagrado, a vaca. Atualmente, no entanto, com o sistema industrial, nós aprisionamos as vacas em ambientes fechados durante todas as suas vidas, nós lhes damos alimentos inapropriados como soja, sobras de padaria, cascas frutas cítricas e lavagem da produção de etanol, ou seja, alimentos que elas não estão adaptadas a comer. O ambiente confinado e a alimentação inapropriada faz as vacas adoecerem, por isso elas precisam de antibióticos e outras drogas. Nós cruzamos as vacas para obter a raça que produza mais leite, e damos hormônios à elas com o mesmo propósito. Estas vacas produzem grande quantidade de leite aguado, que tem apenas metade da gordura do que o leite tradicional, produzido por vacas alimentadas a pasto. Este leite é enviado às fábricas para ser processado.

Dentro das fábricas, o leite é completamente refeito. Como descrito por Emily Green, no Los Angeles Times, a centrífuga separa o leite entre gordura, proteína e vários outros sólidos e líquidos. Uma vez separados, estes são recombinados em níveis específicos, para obter o leite integral, semi-desnatado e desnatado. De todos os leites reconstituídos, o leite integral é o que mais se aproxima do leite original da vaca. O que resta deste processo é usado na fabricação de manteiga, nata, queijo, leite em pó e vários outros derivados do leite. A indústria de laticínios promove os leites desnatados e semi-desnatados porque ela pode lucrar mais com a gordura do leite quando utilizada na fabricação de sorvete. Quando eles removem a gordura do leite para fazer leite desnatado, esta é substituída por leite concentrado em pó, que é fabricado por meio de um spray para secagem em alta temperatura.

Depois disso, o leite é condicionado em tanques (não refrigerados) e transportado para as plantas de engarrafamento. O leite é pasteurizado à 72˚C por 15 segundos, passando rapidamente por pratos de aço inoxidado superaquecidos. Se a temperatura é maior que 110˚C (acima do ponto de fervura) o leite é considerado ultrapasteurizado. O leite ultrapasteurizado tem um sabor diferente, mas é esterilizado e pode resistir mais tempo nas prateleiras dos supermercados. Ele pode ser vendido na seção de refrigerados, para que o consumidor pense que é fresco, mas ele não precisa ser armazenado desta maneira. O leite também é homogenizado por um sistema de pressão que quebra as gorduras em glóbulos, para que o leite não se separe. Uma vez processado, o leite pode durar semanas e não dias.

O processamento torna o leite difícil de ser digerido e causa alergia à sua proteína (lactose). Animais que foram alimentados exclusivamente de leite pasteurizado tiveram deficiência de nutrientes e se tornaram inférteis após várias gerações.

Felizmente, o leite de verdade produzido por vacas alimentadas a pasto, não pasteurizado, não processado ou homogenizado, está sendo disponibilizado cada vez mais. Na verdade, a demanda por leite de verdade está crescendo rapidamente. Para encontrar onde comprar leite cru, visite Realmilk.com (Infelizmente, a venda de leite cru é proibida por lei no Brasil, então não é possível encontrar à venda aqui. A única alternativa é encontrar algum fazendeiro de confiança que possa vender o leite cru.)

Para fazer leite em pó, o fluído é forçado por pequenos buracos, submetidos à alta pressão e então soprado e lançado ao ar. Isto causa a formação de nitratos e o colesterol do leite é oxidado. Ao contrário da opinião popular, o colesterol não é um demônio e sim seu melhor amigo (para saber mais sobre colesterol, clique aqui), você não tem que se preocupar em evitar comidas que contenham colesterol, mas você deve sim evitar o colesterol oxidado. Evidências indicam que o colesterol oxidado pode iniciar o processo de aterosclerose.

Leite em pó é adicionado aos leites desnatados e produtos do leite para engrossa-los. Então, quando você consome leite ou iogurtes desnatados, pensando que isso vai te ajudar a prevenir doenças, você está de fato consumindo colesterol oxidado, que pode iniciar o desenvolvimento de doenças cardíacas!

SUCO DE LARANJA

Esse sim pode ser chamado de suco de laranja

Agora, vamos focar no suco de laranja, outro componente do nosso “café da manhã saudável”, junto com o cereal e o leite desnatado. Um artigo do Processed and Prepared Foods descreve que “a nova fábrica de processamento de suco de laranja é completamente automatizada e pode processar até 1.800 toneladas de laranja por dia, para produzir suco concentrado congelado, suco fortificado, óleo extraído da casca e alimento para gado”. O novo método de produção de suco usa toda a laranja na máquina. Um outro resumo diz: “Vários sprays ácidos que melhoram a qualidade da casca e aumentam a quantidade de suco são adicionados à estas laranjas processadas.” Estes compostos são adicionados para extrair a maior quantidade de suco e óleo da casca possíveis. A plantação de laranja é infestada de um pesticida chamado “inibidor cholinesterase”, que é altamente tóxico ao sistema nervoso. Quando eles colocam a laranja inteira nas cubas e as espremem, todo esse pesticida vai para o suco. Então, eles adicionam ácidos para extrair todo o suco destas laranjas, o que transforma o suco de laranja comercial em uma sopa muito tóxica. Esta pode ser uma razão pela qual o consumo de suco de frutas é associado ao aumento da incidência de demência.

E a casca da laranja usada para alimentar gado? A casca da laranja que sobra do processo de fabricação do suco é seca e processada em bolos, que ainda estão lotados de inibidores cholinesterase. Mark Purdey, na Inglaterra, mostrou como esta prática está relacionada com a doença da vaca louca. O uso de organofosfatos tanto como spray nas vacas quanto como um componente da sua alimentação, causa a degeneração do cérebro e do sistema nervoso da vaca, e se faz isso com as vacas, existe uma possibilidade de estar fazendo com você também.

O governo dos Estados Unidos tenta dar a impressão de que a pasteurização do suco é necessária para garantir a nossa segurança. No entanto, pode ser surpreendente pra você saber que pesquisadores descobriram que fungos são resistentes à pressão e ao calor usados no processamento do suco. Eles descobriram que 17% das embalagens de suco de laranja da Nigéria e 20% dos sucos de manga e tomate contém esses fungos resistentes ao calor. Eles também encontraram E.coli no suco de laranja, pois estes resistiram a pressão e sobreviveram à pasteurização. Há bastante risco de contaminação nestes sucos pasteurizados.

Em um estudo, o suco de laranja tratado com calor e hidrolisado com ácido foi testado para ver se havia mutação genética. Os autores do estudo descobriram que o aquecimento produz agentes intermediários que, dentro das condições testadas, deram origem a mutação genética e citotoxidade (células tóxicas). Em outras palavras, existem componentes causadores de câncer no suco de laranja.

Então, se você quiser suco no seu café da manhã, evite sucos comerciais processados. Ao invés disso, esprema suas laranjas (orgânicas, de preferência) e faça o seu próprio suco!

A segunda parte deste artigo acaba por aqui, mas aguardem… semana que vem falarei sobre sopas industriais!

Este artigo é uma tradução livre, e o original pode ser encontrado em http://www.westonaprice.org/modern-foods/dirty-secrets-of-the-food-processing-industry

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5 Comentários

  1. Na Europa parece ser mais fácil encontrar leite cru pra vender. Pena que aqui copiamos sempre os EUA nessas coisas…

    Mais sobre o suco de laranja industrial e como ele é processado: http://www.foodrenegade.com/secret-ingredient-your-orange-juice/

    Abraço,
    Thiago

    Responder
  2. É, infelizmente copiamos muitas coisas erradas dos EUA por aqui! Mas mesmo lá, as leis são estaduais e em alguns estados é possível encontrar leite cru legalmente… aqui, nem isso!

    Adorei o link Thiago, é sempre bom saber um pouco mais sobre o que se vende por aí… Obrigada!

    Responder
  3. Martha Fleury

     /  outubro 2, 2011

    Adorei este artigo! Muito bom ver que tem pessoas preocupadas com a alimentação e estão compartilhando suas experiências.

    Responder
  4. Que bom Martha!! Conitnue visitando sempre!
    Abs,
    Bruna

    Responder
  1. Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 4 « Primalbrasil

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