Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 1

Começando mais uma nova categoria: Artigo da Semana! Vou traduzir alguns artigos interessantes, facilitando o acesso às boas informações para aqueles que não podem ler em inglês! Quando os artigos forem grandes demais para um post, vou dividir em partes, como estou fazendo com o de hoje. Os comentários entre parênteses e em itálico são meus. Vamos lá!

Esta é uma tradução livre do artigo ” Dirty Secrets of the Food Processing Industry”, da fundação Weston A. Price. O texto original pode ser encontrado aqui.  

Os segredos sujos da indústria de comida processada

Escrito por Sally Fallon, em 26 de dezembro de 2005

Este artigo é baseado em uma apresentação feita na conferência anual de Saúde do Consumidor do Canadá, em março de 2002. Este artigo e suas referências foram atualizadas em março de 2011.

NÓS SEMPRE PROCESSAMOS NOSSA COMIDA. Esta é uma atividade unicamente humana. Nós cozinhamos nossa comida – este é um tipo de processamento – assim como fermentar, moer, embeber, picar e secar. Tudo isso são tipos de processamento da comida.

O processamento tradicional tem duas funções: para tornar a comida mais digerível e para preserva-la para momentos em que não haja comida disponível. Comidas processadas nutritivas incluem lingüiça, salsicha dura e o tradicional pudim de carne e miúdos, assim como derivados de grãos, de leite, pickles – tudo desde vinho e destilados a condimentos lacto-fermentados. Fazendeiros e artesãos – padeiros, fazedores de queijo, fazedores de destilados, moleiros, entre outros – processavam os ingredientes crus para obterem deliciosas comidas que retinham o seu valor nutricional por vários meses ou até anos, e mantinham os seus lucros em suas fazendas e nas comunidades fazendeiras a que pertenciam.

Infelizmente, nos tempos modernos, nós substituímos os fazendeiros locais por fábricas e processamentos industriais, que na verdade diminuem a qualidade das comidas, ao invés de torna-la mais saudável e digerível. O processamento industrial depende de açúcar, farinha branca refinada, gorduras processadas e hidrogenadas, aditivos alimentícios e vitaminas sintéticas, tratamentos de calor e extrusão de grãos.

CEREAIS MATINAIS

Vamos dar uma olhada no processamento envolvido na fabricação do típico café da manhã americano (e de muitos brasileiros também): cereal, leite desnatado e suco de laranja. Os cereais matinais são produzidos por um processo chamado de extrusão. Os grãos são misturados com água, processados para virarem uma pasta e colocados em uma máquina chamada extrusora. Os grãos são forçados por pequenos buracos, a alta temperatura e pressão, criando assim as formas de rosquinha, flocos ou pedacinhos. Cada um dos grãos passa pela expansora na extrusora, para produzir trigo, arroz ou aveia inflados. Esses produtos são então submetidos a sprays que dão uma cobertura de óleo e açúcar para selar o cereal e evitar que ele seja amolecido pelo leite e mantê-lo crocante.

No seu livro Lutando contra os gigantes da comida, o bioquímico Paul Sitt descreve o processo de extrusão, que trata os grãos com temperatura e pressão muito altas, e nota que o processo destrói a maioria dos seus nutrientes. Ele desnaturaliza os ácidos graxos e ainda destrói as vitaminas sintéticas adicionadas ao cereal no final do processo. O aminoácido lisina, um nutriente crucial, é especialmente danificado no processo de extrusão.

Mesmo os cereais de caixinha vendidos nas lojas de alimentos saudáveis são fabricados usando o processo de extrusão. Eles são feitos com o mesmo tipo de máquina e geralmente nas mesmas fábricas. Os únicos avanços que são ditos existir no processo de extrusão são aqueles que vão reduzir custos, não importando o quanto o processo altera os nutrientes do produto.

Com tantas milhões de caixas de cereal vendidas por ano, é de se esperar que estudos sejam publicados mostrando os efeitos destes cereais em animais e em seres humanos. Mas a indústria de cereais matinais é  uma multibiolionária que gerou fortunas para algumas pessoas. Uma caixa de cereal contendo cereais que valem centavos é vendida nas lojas por 6 ou 7 reais – provavelmente não há na Terra algum outro produto com uma margem de lucro tão grande. Estes lucros tem sido pagos por patrocínios jornalísticos e outros lobbys que mantém as pesquisas sobre a extrusão de grãos fora da literatura científica e convencem os orgãos do governo de que não há diferença entre o grão de trigo natural e o grão que tenha sido alterado pelo processo de extrusão.

O EXPERIMENTO COM RATOS

Pesquisas não publicadas indicam que o processo de extrusão transforma a proteína dos grãos em neurotoxinas. Sitt descreve um experimento conduzido em 1942 por uma empresa de cereais, que ficou trancado nos arquivos da empresa, em que quatro grupos de ratos foram alimentados com dietas especiais. Um grupo recebeu grãos integrais de trigo, água e vitaminas e minerais sintéticos.Um segundo grupo recebeu trigo inflado (um cereal passado pela extrusora), água e a mesma solução nutricional. O terceiro grupo recebeu água e açúcar refinado. O quarto grupo recebeu  apenas água e nutrientes sintéticos. Os ratos que receberam os grãos integrais viveram por mais de um ano nesta dieta. Os ratos que se alimentaram de água e vitaminas viveram por dois meses. Os animais que receberam água e açúcar viveram por um mês. O estudo mostra que os ratos que receberam o trigo inflado com vitaminas e água morreram em duas semanas – antes mesmo dos ratos que não receberam nenhuma comida. Os resultados sugerem que há algo muito tóxico nos grãos de trigo inflados! As proteínas são muito similares na sua estrutura molecular a algumas toxinas, e a pressão do processo inflador pode produzir mudanças químicas que transformam um grão nutritivo em uma substância venenosa.

Outro experimento não publicado foi conduzido em 1960. Pesquisadores da Universidade de Michigan em Ann Arbor receberam 18 ratos de laboratório. Estes foram divididos em três grupos, um grupo recebeu cereal de milho e água, o outro grupo recebeu a caixa em que o cereal veio e água e o grupo de controle recebeu comida de rato e água. Os ratos no grupo de controle permaneceram saudáveis durante o experimento. Os ratos que comeram a caixa do cereal ficaram letárgicos e acabaram morrendo de má nutrição. Os ratos que receberam o cereal e água morreram antes dos que comeram a caixa!! (O primeiro rato da caixa morreu no mesmo dia que o último rato do cereal.) Além disso, antes de morrerem, os ratos alimentados por cereal desenvolveram um comportamento estranho, ficaram loucos, morderam uns aos outros e finalmente entraram em convulsão. Uma autópsia revelou uma disfunção no pâncreas, fígado e rins e degeneração dos nervos da espinha, todos sinais de um choque de insulina. A conclusão surpreendente deste estudo é que havia mais nutrientes na caixa de cereal do que no cereal em si. O experimento foi feito como uma brincadeira, mas os resultados não foram nada engraçados.

A maioria dos americanos consome cereais em caixa hoje em dia. Por serem fortificados com vitaminas sintéticas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos dizem que eles são tão saudáveis quanto os grãos de que são feitos. Muitos destes cereais contém pelo menos 50% das calorias provenientes de açúcar. Aqueles cereais vendidos em lojas de comida saudável podem ser feitos de grãos integrais e conter menos açúcar, mas ainda são feitos pelo processo de extrusão, e podem ser ainda mais nocivos do que os cereais de grãos refinados, pois os integrais contém mais proteína e são essas proteínas que se tornam tóxicas devido ao processo de extrusão.

O PROCESSO DE EXTRUSÃO

Quando colocamos o cereal uma extrusora ela altera a estrutura das proteínas. Zeins, as principais proteínas do milho, são localizadas em organelas esféricas chamadas de corpo da proteína. A literatura científica contém um estudo sobre a extrusão dos grãos, que investigou as mudanças no corpo das proteínas, nas suas formas e na liberação de alpha-zeins encapsuladas como um resultado do processo de extrusão. Os resultados sugerem que as zeins no cereal de milho não ficam confinadas em corpos de proteína rígidos e podem interagir entre si e entre outros componentes do sistema, formando novas aglomerações que são estranhas ao corpo humano. O processo de extrusão destrói as organelas e dispersa as proteínas, que se tornam tóxicas. Quando as proteínas são quebradas desse jeito podem afetar negativamente o sistema nervoso, como indicado pelo estudo.

O BOM E VELHO MINGAU

Existe apenas uma maneira acabar com o negócio destas empresas, que é não comprando seus produtos. Então, o que você vai comer no café da manhã ao invés de cereais? Ovos, de qualquer maneira que você gostar, são sempre uma boa opção. Mas se quiser grãos, o mingau à moda antiga feito a partir de grãos que não passaram pela extrusora fornecem um bom valor nutricional por um bom preço. Grãos como aveia devem ser cortados ou enrolados e depois deixados de molho durante a noite um ácido médio (vinagre) quente, para neutralizar os vários antinutrientes  presentes nos grãos, como enzimas que bloqueiam a digestão e ácido fítico, que bloqueia a absorção de minerais. Este tratamento também pode quebrar proteínas complexas nos grãos. Você deixa o grão de molho em água quente mais uma colher de algum ácido médio, como iogurte, suco de limão ou vinagre. Na manhã seguinte, os seus grãos vão cozinhar em alguns minutos. A melhor maneira de comer seu mingau é com manteiga ou creme do leite, como nossos avós faziam. Os nutrientes da gordura do leite são necessários para a absorção dos nutrientes dos grãos. Sem as vitaminas solúveis em gordura como a vitamina A, D e K2 você não consegue absorver os minerais da sua comida. Além disso, as gorduras da manteiga e do creme de leite desaceleram a liberação de glucose na corrente sanguínea, fazendo com que o açúcar no seu sangue permaneça estável durante a manhã.

Ufa, por hoje é só, semana que vem continuo a acabar com o que você gosta  dar novas informações sobre suco de laranja, leite, sopas industriais e muito mais! 

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4 Comentários

  1. bruno

     /  setembro 10, 2011

    Pö mais a embalagem do Nesfit diz que eu irei emagrecer!! rsrs

    Vai uma barrinha de cereal ai? Só 80 calorias!

    Experimente comer 80 calorias de açucar para de lanchinho e veja o resultado! Vai direto para a barriga.

    1 banana tem 100 calorias, quem ousar dizer que 80 calorias de açucar engorda menos que 1 banana precisa fazer um exame mental!

    A FDA(food and drug administration) estabeleceu um limite diario de 2000 calorias. Mas espera ai, 2000 calorias de banana ou de cereais ou açucar? Mais as calorias nao sao iguais?

    Quem foi o “brainless” que começou a usar o conceito de calorias para definir peso e consumo diário? Quem quer que tenha sido esse cara ele é responsável pela maior confusao dentro do campo da nutricao já feita e os danos gerados como consequencia desse conceito mal compreendido sao inestimáveis. Milhares de pessoas sofrem de diversas doenças que sao causadas por habitos alimentares pós – agricultura e industrial, os quais foram enquadrados atualmente dentro do atual paradigma nutricional promovido por nutricionistas que seguem pesquisas financiadas pela indústria alimentícia Americana, a qual é representada por aproximadamente 60% do congresso, os quais sao financiados pela mesma.

    Para quem é cético ainda experimente consumir 1 quilo (ou o quanto aguentar) de picanha por alguns dias que equivale a 3000 calorias aproximadamente e contitui 60% de gordura e veja o quanto irá emagrecer.

    Para ganhar barriga é preciso consumir açucar ou graos. Nao tem outro jeito!

    Acho que esse é um ótimo tópico para outro artigo em Bruna?

    A propósito adorei seu blog! Muito informativo para o público leigo que tem sofrido lavagem cerebral pela nossa cultura mal informada. Está na hora de acordá-los !

    Irei me manter updated!

    Abs Parabéns

    Responder
  2. Oi Bruno,
    já estou preparando um post sobre grãos! Concordo com você na questão das calorias!
    Continue visitando o blog!

    Responder
  1. Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 4 « Primalbrasil
  2. Artigo da Semana: Os segredos sujos da indústria de alimentos processados – parte 4 | Primal Brasil

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